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terça-feira, dezembro 18, 2007

Balanço positivo ...

-Ai foi tão positivo, correu tudo tão bem, estava tudo tão bonito, somos os máiores!
-Ai que somos tão bons que conseguimos assinar o tratado, já prévia e devidamente negociado por Merkel, mas isso agora não interessa nada, o que conta é a assinatura. Fomos nós, os Grandes, sob a batuta do Grandessíssimo *. O Grande... é assim mesmo, não precisa de mais nada, tal como Pedro , o Grande...e mais ainda, portanto, Grandessíssimo.
-Até agora, tudo a correr sobre rodas, só a Irlanda vota, mas essa vai dizer que sim, pá, encharcamo-la em euros se for preciso, pá e está tudo no papo, pá. Quanto ao poveco, só nós, os bons, os inteligentes, os maiores é que sabemos o que lhe convém. O povo, como sabemos, é um pouco bruto e não qualificado mas nós, os maiores, vamos qualificá-lo até às eleições, vão ver... mas para isto do tratado continuarão burros... . Portanto, o referendo é pura perda de tempo, como bem diz o Grande industrial, tão grande que até sabe perdoar a nossa sabotagem da sua negociata, ele sabe ver quem são, de facto, os verdadeiros amigos dos empresários.

*ou grandíssimo? já não sei fazer este superlativo

domingo, maio 06, 2007

Questões de género no dia da mãe

Apesar de tudo é ainda a blogoesfera o espaço onde cada um, mulher ou homem, pode dizer. Dizer. Não interessa o quê. Mas as mulheres aí não têm que esperar pelo que pensa o marido. Elas dizem.
Normalmente não há sensibilidade disseminada para as questões de género. As mulheres normalmente são as últimas a fazer a estatística de género de uma sala de reuniões. Sobretudo as da geração da revolução, habituaram-se a ver o mundo por uma lente ideológica em que há pessoas antes de haver homens ou mulheres, e nem reparam no que entra pelos olhos dentro a passo e força de retro-escavadora: as manchas de fatos negros em todo o lado, por todo o lado neste país que se diz europeu. Por exemplo, a reunião das entidades não sei de quê do Oeste, em defesa da Ota e lá estavam eles, todos de gravata, todos dizendo coisas, decidindo coisas. Não é assim nos bancos das universidades, não é assim nos bancos das escolas secundárias: elas são escolarmente melhores que eles, e por isso também não é assim na função pública dos serviços de educação e saúde onde o acesso se faz por concurso documental: no entanto, nas estruturas de decisão lá estão ELES.
Eles tomam a palavra antes delas, eles não a largam tão cedo, mesmo que o que digam seja palha, seja pouco, seja nada. E eles são os primeiros a fazer a estatística, a lembrar a pertença de género quando se sentem em minoria e aí cheios de humor do mais original, dizem cá estou eu entre as mulheres e falam também eles em primeiro, eles em último, eles durante. E o tempo infinito que se perde com a retórica deles é acabrunhante.
Não, infelizmente, não sou feminista, digo infelizmente porque assim, como penso, estou sozinha, mas prefiro assim, a omitir parte do que penso. Já explico porquê. Não posso deixar de achar que elas fazem frequentemente um óptimo negócio. Eles que tenham as chatices, elas ficam sempre com a casa e a pensão de alimentos, para quê ainda estarem-se a preocupar muito com isto de, em todo o lado, serem eles a tomar todas as decisões, e as deixem em casa a tomar conta da prole e a ver a telenovela? E elas são melhores tecnicamente em muitas áreas, no entanto, são eles que apanham os lugares de decisão. Oh, pensam elas, venha o salariozinho de decisor para casa, e está-se bem. Eles tomam ainda conta do IRS e afins. Elas preferem não ser muito visíveis, até porque eles são tanto mais rudes quanto mais visíveis elas forem e lembrar-lhes-ão, mais cedo ou mais tarde, que são reles mulheres. Aconteceu com Manuela Ferreira Leite, com Lurdes Rodrigues, para citar alguns exemplos. Sobretudo com a última, não a vou defender, mas não gostei de algumas formas claramente sexistas com que foi atacada .
É isto que penso e por isso, acho que seria expulsa mais cedo ou mais tarde, como blasfema, de qualquer organização feminista.
Mas não deixo de pensar também que este estado de coisas tem consequências graves para o país. É que eles , coitados, são assim, e decidem 10 estádios para o país, pois atão...e agora a OTA pois atão... e faz-se tarde para ver a bola, meus senhores vai falar o Senhor Ministro de .... e o Sr Presidente de... e o Senhor Vereador de... o Senhor Presidente do Conselho de Administração de ......... e depois vamos todos ver a bola. E vão para casa pensando: e que bons que nós somos, que bem que eu falei, está no papo, agora é irreversível, somos mesmo bons nisto.
Talvez a blogoesfera ajude a combater este estado de coisas pois aí elas estão muito presentes e activas e talvez lhes venha o gosto pela visibilidade. É que aí podem calar os insultos à velocidade de um simples click.
Disse.

sábado, abril 21, 2007

J.M. Keynes

"In our present confusion of aims is there enough clear-sighted public spirit left to preserve the balanced and complicated organization by which we live? Communism is discredited by events; socialism, in its old-fashioned interpretation, no longer interests the world; capitalism has lost its self-confidence. Unless men are united by a common aim or moved by objective principles, each one’s hand will be against the rest and the unregulated pursuit of individual advantage may soon destroy the whole. There has been no common purpose lately between nations or between classes, except for war…"

E todos sabemos como Keynes era um perigosíssimo esquerdista...

Cultura de decência

Ser decente não é ser santo, não é ser perfeito, sr primeiro-ministro, ser decente é assumir erros, pedir desculpa aos presumíveis prejudicados e corrigir esses erros, se possível. Mas o senhor escolheu ser perfeito à martelada, à maneira da super-bock, passo a publicidade e a metáfora já batida!
Ninguém notaria o seu erro nem mesmo o seu narcisismo se não fosse tão arrogante, tão soberbo!

Nota: Claro que esta ideia não se aplica só ao nosso primeiro, não é coincidência se alguém se sentir retratado.

quarta-feira, abril 18, 2007

O cantinho no seu normal

Cá estamos no normal do cantinho, tudo agarradinho à telenovela da Independente, e apenas para se rir um pouco, a indignação é sentimento que pode sair caro, mesmo inacessível já aos eunucos, na terra do mais ou menos, de brandos costumes, habituados a achar tudo perdoável a começar por nós, claro, e isto tudo é afinal pecadilho do primeiro ministro, e o resto é a anedota. Habituados a pactuar com os truques baratos deste e daquele? Habituados à pouca vergonha do futebol? Habituados à fuga aos impostos, por saber que só não foge quem não pode? Habituados a termos já vendido ou tentado vender a mãe algures no tempo?
Tudo pequenino, tudo bastante rasca, chamando rasca à geração que ainda se não instalou... Rasca é a geração de cobardes instalados, lambedores de botas, encantadores de serpentes a quem retiraram o veneno à partida, gentalha que por todo o lado singra, grupelhos medíocres que se apoiam mutuamente a esmagar quem possa denunciar os seus crimes ou simplesmente fazer-lhes sombra. Canalhada pequenina, cérebrozinhos encolhidos, mesquinhos em tudo o que fazem, incapazes de pensar a nível macro, incapazes da cooperação com o outro, o diferente , o melhor, incapazes de reconhecer ao outro mérito, vendo no outro a ameaça, o obstáculo a afastar no caminho da gamela...
É este o cantinho, pequenino, mesquinho, vendido até ao âmago, cada vez mais parecido com uma suinicultura auto-gerida, sem massa crítica, nem cultura de qualidade para ter gente de bom nível nos postos de direcção, seja nas empresas, seja nas escolas, seja nos media, seja no governo (salvo excepções poucas, demasiado poucas)... Neste cantinho de ceguinhos, não é rei quem tem um olho mas quem sabe fazer pose de quem vê, ou seja, quem sabe fazer show e manter a pose de quem é especialista de tudo. Usando a metáfora de um dos meus poucos comentadores, mais descargas na ribeira nos esperam. Nauseante...
E o cantinho que já é só rocha, eucaliptos e betão, a ficar feio por fora e feio por dentro, a ficar muito feio, mas... who cares?

quinta-feira, abril 12, 2007

Antena 1: isso agora não interessa nada

O pobinho aproveita para se desforrar dos verdadeiros diplomados que sempre invejou e diz que " deixem trabalhar o homem" e que "não tem importância nenhuma ele ter ou não ter sido favorecido, toca a andar e não humilhem o homem".
O olhar do senhor José Sócrates parece estar muito bem treinado para o polígrafo, resultou mesmo, as meninas convenceram-se com o olhar do primeiro ministro...
Coisinhas secundárias diz ela, a apaixonada pelo olhar do Sr Engenheiro pela Universidade Independente José Sócrates de Sousa.
Pois eu não gosto daquele sorriso falso que precisamente não é acompanhado pela limpidez do olhar, que é semelhante ao de Portas aliás. A única coisa que tenho em comum com o primeiro ministro é a idade mais coisa menos coisa.
Pois eu sei de processos de equivalências, no meu caso, do ISCTE para o ISEG, foi bem mais complicado conseguir equivalências ao 4º ano do curso de Economia que tinha quase completo, tive ainda que fazer duas cadeiras do 3º ano para conseguir a equivalência, não ao 4º mas ao 3º (que diabo, tratava-se do ISCTE , mas compreendi, que remédio não tinha eu, e o 4º ano no ISCTE foi igual a zero ...), pelo que tive que fazer todas as cadeiras dos dois últimos anos da licenciatura e sei bem como é difícil concluir uma licenciatura quando se interrompe o curso e se procura posteriormente concluí-lo em situação de trabalhador estudante. Custa muito, custa bem mais do que me pareceu ter custado ao nosso primeiro. Mas, claro, a minha licenciatura é do ISEG,Universidade Técnica de Lisboa, 1986, nunca pensei ter agora esta sensação, do valor que tem de facto e finalmente, a casa que passa o diploma (a data não é irrelevante também, não tenho uma licenciatura PREC e se não tivesse interrompido, teria terminado em 1977). Quando concluí o curso já a trabalhar, a média baixou de 14 para 13 e tenho andado toda a vida a pagar por isso, mesmo apesar de ter agora mais um grau, o de mestrado, também em Economia pela Universidade de Coimbra. Digo tudo isto porque ele insultou todos bloggers como se não fossem cidadãos de bem, como treinadores de bancada e especialistas de nada. Pois senhor engenheiro não é bem assim ... claro que se referia aos seus perseguidores dos "grandes" blogs, e eu até admito que sou "mirim" como diz Pacheco Pereira, mas enfim , sei umas coisinhas aprendidas nos mesmos bancos onde estudou Aníbal Cavaco Silva...
Tudo isto é bom para exorcisar fantasmas e frustrações... e é bom não ter aqueles esqueletos no armário embora sua excelência o pobinho ache que "isso agora não interessa nada".

segunda-feira, março 12, 2007

A verdadeira dimensão das coisas


Conseguem-se ver distintamente os mui zelosos responsáveis pela reposição da ordem nas finanças públicas em Portugal, se olharmos com a devida atenção, ou seja, com rigor e zelo... a foto que, embora muito recente, nos traz a imagem de um passado muito remoto, como sabemos...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Zeca Afonso e os eunucos


Posted by Picasa

Muitas canções à solta de Zeca , por altura da efeméride, mas algumas incomodam ainda muito, são mesmo esquecidas... como "Os eunucos", tão infelizmente actual e tão intemporal... é que eunucos há-de haver sempre, tudo parece indicar! Há uma preferência pel"Os vampiros" talvez por se achar que são os outros sempre que comem tudo... Com "Os eunucos" é mais difícil escapar ao espelho da consciência... Os eunucos que estão sempre "de bem com tudo", os que dizem "eu cá dou-me bem com todos", "eu cá não gosto de tomar partidos", "eu cá não sou conflituoso", esses que afirmam que estão de bem com todos, para nunca terem de tomar posição que os possa vir a prejudicar, estão bem sobretudo com os tiranos enquanto "os mais são cortados às fatias", enquanto "os mais ardem em torresmos", ...hoje e agora é assim! Muitos desses eunucos prestam homenagem ao Zeca, na certeza de que a sua voz se calou...
Acham mesmo que se calou?
Para ouvir, procurar aqui

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Ainda a ribeira dos Milagres

ver posts do ano passado
Abril

Maio

Nada mudou, só o povo que ali vive não tem telemóveis de última geração ou ipods para filmar a operação épica das descargas e denunciar quem as faz. O medinho, a tibieza, a má consciência de quem não faz descargas mas pratica outras trangressões semelhantes, mais que a posse ou não posse dos telemóveis explica que tudo continue na mesma. E como é nos cafés? Nas lojas? Será que é assim, todos amiguinhos e cinicamente sorridentes, não há, ao menos, a censura popular?
Eu cá continuo com o meu boicote à carne de porco. Eles, os porcos dos suinicultores*, ainda não notaram.

* Claro que a ambiguidade continua a não ser coincidência.
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Só há dois psicólogos em Portugal?

Porque será que só temos que ouvir as opiniões do Sampaio e do Sá ? Não há mais ninguém? Os media não conhecem mais ninguém?
O Sá é de facto demais! Hoje na antena 1, a propósito dos jovens sicilianos, disse algo muito parecido com isto: coitadinhos dos meninos adolescentes , coitadinhos estão doentes e é natural que coitadinhos se queiram exibir. Claro, pois, o Sá no seu melhor. Um desses jovens tem 18 anos mas, coitadinho, teve possivelmente infância difícil. O exibicionismo é natural nos jovens,diz ele. Pois, claro, é natural que tendo um telemóvel à mão (dos que fazem filmes, coitadinhos, só têm um desses) a ideia surja de enviar aos amiguinhos o filme épico produzido. Os amiguinhos , coitadinhos (que também, coitadinhos, têm desses telemóveis de última geração) é natural também que achem graça(será que estão doentes também?) é tudo muito natural.
Como é possível esta pessoa ter ganhado tal projecção? Modismo? A esquerda pateta, responsabilizando sempre tudo e todos e nunca o indivíduo?
Entretanto, o pobre coitadinho do país tem de aturar os comentários deste coitadinho, o que estará, de certo, a ter repercussões na conta bancária menos coitadinha do dito coitadinho. Para finalizar, devo dizer,pedindo desculpa se me enganar, que não acredito que ele acredite em tudo o que diz.

quinta-feira, novembro 23, 2006

O mundo como soma de umbigos e de birras

... E tudo o que fazem é na melhor das intenções...a leviandade na tomada de decisão e o total desprezo pelas consequências na vida alheia da decisão tomada. Tudo isto a esmagar-se sobre quem estiver por ali. Ao mesmo tempo os mesmos umbigos desenvolvem profundas ideias de ética, de justiça e de solidariedade... o ser humano no seu melhor... há quem nunca tenha sentido remorso nem saiba o que isso é. Claro que isso se deve aos elevadíssimos QI. desses umbigos: defendem-se tão bem que têm sempre à mão um objectivo "superior" que os justifique mesmo perante si próprios... Quem alguma vez poderá dizer que tem a razão por si , se todos fizerem isto mesmo?~O mundo é apenas o somatório de guerras surdas ou abertas entre umbigos, tudo envolto em discursos belos ... causando a miséria alheia com ar de quem quer o melhor para o próximo... tudo embrulhadinho em belíssimo papel de Natal e até de transcendência...
É isto o governo sobre os cidadãos mas não só, somos assim todos também, capazes de coisas belas, capazes de sujidades... porque não fez Deus os elefantes os herdeiros da terra? Porquê um macaco maníaco à Sua imagem e semelhança?

Porque escrevo isto, se os visados nunca aqui se reconhecerão? Apenas porque ainda me deixam existir também no mundo deles, são ainda tão tolerantes esses umbigos que ainda me deixam teclar. Muito obrigado por me deixarem teclar para o vazio do espaço digital,mas muito mais humildemente agradecida se aqui vierem ler as patetices que escrevo, nada que se compare à profundidade dos V. textos, está bem de ver, eternamente agradecida se aqui deixarem um clickezinho para o bloguezinho subir no ranking.
Recriemos Deus à nossa imagem, façamos subir Deus nos rankings. Vendamos Deus uns e usemo-l'O outros. Tudo de acordo com o princípio geral da satisfação imediata e permanente, até ao infinito!!!!!!!!!!
Aqui me incluo também, claro, não serei melhor que os outros macacos maníacos, cá tenho o umbiguinho também. No fundo, no fundo,como por aí se diz, o que faz falar muitos de nós é a INVEJA!!!!!!!!!!!!!!!!!! Concordo e é isso que faz mover esses umbiguinhos, uns armados em carrascos e outros em vítimas. Mas há quem ache que não tem umbigo e considere que está muito longe do macaco.
Resultado da soma: é triste também*



* ver post Multatuli

sexta-feira, novembro 10, 2006

E o Estado parou?

Somos assim, a tibieza, o medo e a pequenez está-nos no sangue... Hoje, agora, a oportunidade de mostrar a todos que o Estado é necessário... e, no entanto, muitos, diligentemente, comparecem ao servicinho. Alguns, na educação sobretudo, esperando que os blocos estejam fechados com a greve dos funcionários, assim não se trabalha na mesma e não se desconta no salário. Somos assim também. Os mesmos que estão indignados (e com razão) são capazes de assim fazer. E quem manda sabe disto por experiência própria, porque assim também já fez, porque já torneou obstáculos oportunisticamente, podendo agora fazer discursos demagógicos, sem problema, estão também a arranjar maneira de se manterem no poder, não interessa como, não interessa o seu currículo anterior, que interessa isso? A ética já foi... já não é necessária, até porque a ética não é rentável portanto esmaga-se já. A ética há muito foi considerada excedentária por quem dirige o Estado e obviamente o sector privado não está disposto a absorvê-la já que dela não precisa. Honra seja feita, no entanto, aos muitos funcionários que apesar de tudo e muitas vezes prejudicando-se na sua carreira sempre a honraram e aos empresários que ainda a honram, poucos, como imagino, e pouco rentáveis, calculo também, já que têm de competir num ambiente de sacanice e oportunismo desenfreados!

quinta-feira, novembro 09, 2006

Plágio: who cares?

Mereceria um blog este assunto. É edificante assistir ao espectáculo da banalização do plágio em Portugal, primeiro a notícia ribombante, depois a pena leve, afastamento da revistinha, depois nada, e agora um livrinho de novo e qualquer dia está no público ou no sol, navegando de vento em popa. Convidada pela TV, já depois do tal episódio, teve a lata de falar de elites, das cópias da Internet no superior e no secundário e da não valorização da Ciência em Portugal.
Et pour cause

Porque me lembrei agora daquele plágio é simples: é que já anda na ribalta outra vez e isto só vem acrescentar à inutilidade de qualquer cruzada no sentido de preservar a qualidade científica em Portugal. O necessário é fazer currículo com lixo publicado, copiado ou parafraseado sem referência ao autor. Uma pessoa pode distrair-se e não cortar as partes ipsis verbis...as outras parafraseadas podem ficar sem referência ao pensador original, isso agora não interessa nada, coisa sem importância nenhuma...*
Palavras para quê, é uma catedrática portuguesa...

Na época da cultura light, zipped & zapped, WHO CARES?
Garbish to garbish, shit to shit...
farewell old Science... hello junk "science"!
*Estou a parafrasear Clara Pinto Correia, ou aquilo que a imprensa disse que ela disse, à excepção da expressão "isso agora não interessa nada" que, como sabemos, é de Teresa Guilherme

quarta-feira, novembro 08, 2006

Défice, cortes orçamentais, invejas e ódios- who cares?

Folgo em saber que há mais gente que compara este estilo de governar ao do governo nazi. De facto, senhores do governo, vocês deram o tom, infestaram a atmosfera com a filosofia nauseabunda de que o não rentável deve desaparecer, de que não deve sobrecarregar os que "produzem", os "rentáveis". Inquinaram as relações inter profissionais deste país, tornaram mais pequena a gente pequena deste país, fizeram da inveja e do ódio a principal motivação para os apoios de que precisavam e precisam para continuarem a agenda neoliberal agora em voga por toda a Europa!
Os mais velhos , os deficientes, os funcionários de serviços públicos-que não são produtivos pela simples razão de que pertencem aos sectores até agora considerados dos bens não comercializáveis, como são a educação e a saúde - todos eles apontados como os párias, os culpados da situação. Foram vocês, não foi a última coligação governamental PSD/CDS de Santana Lopes, que tentou também, mas não teve tempo. Não, não foram eles, foram vocês! Vocês tentaram convencer o povo empregado no sector privado de que ele "à que era/é produtivo"(1), e que os trabalhadores do sector público eram/são "uns párias, uns chulos", nem mesmo deveriam considerar-se "povo português". Foi isso que disseram, é isso que dizem, foi isso que fizeram/fazem pensar, usando a repetição à la Goebbels: senhores do PS foi isso que fizeram, é isso que fazem!!!!!!!!!!!!!!Entretanto alegremente, os maus gestores da coisa pública, de " institutos" vários por aí, politécnicos sobretudo mas não só, continuam gestores das chafaricas que dirigem, distribuindo cargos aos amigos medíocres -estes agora estão todos de fileiras cerradas, à volta do seu benfeitor, seriam muito bem capazes de suportar os Pol Pot deste mundo, falta-lhes apenas o contexto nacional, que lhes não é ainda favorável, para fazerem desaparecer fisicamente pessoas que os incomodam, tentam no entanto matá-los civilmente, tornando-os redundantes, perseguindo-os até ao despedimento(2). A esses "gestores" chamam-lhes "presidentes" e nada lhes acontece sobretudo se forem do PS ou se fizerem constar que o são, ou se conseguirem convencer o ministro da tutela da excelência da sua gestão e das instituições que dirigem, excelência que não têm nem nunca terão, precisamente porque são incompetentes e abusadores dos cargos que ocupam, promovendo alegremente os piores e desprezando os melhores ou perseguindo-os na mira de deles se livrarem!!!!!!!!!!!!! Que lhes interessa se ao fim de cinco ou dez anos o Estado tiver de pagar indemnizações a essas pessoas cuja vida profissional foi destruída? Não são nunca esses senhores gestores a pagá-las pessoalmente, do seu bolso. As indemnizações saem do mesmo saco : os impostos, e como ninguém sabe, essas coisas ninguém denuncia, os jornalistas só vão farejar coisas picantes, who cares????????


Notas
(1) Quem serão esses "produtivos", o que será rentável , e o que de novo se produz em Portugal é outra história que me não ocupa aqui e nem pensem que aqui vão encontrar algo sobre isso alguma vez , há quem viva e singre copiando as ideias dos outros sem ao menos fazer referência ao plagiado como mera fonte de inspiração!

(2) Estão aqui ausentes siglas de partidos, não significando que considere inocentes os não mencionados. A escola de alguns desses gestores, a cartilha que os formou é muitas vezes a cartilha estalinista, do PCP e de outros, cartilha e prática cuja eficácia e tenacidade na perseguição de quem não "convém" é também conhecida! Ai é? Está a pensar que defendo que acabem os partidinhos e a política? Desengane-se! O que eu acho é que os partidos são apenas mais uma arena mas nunca a única onde as pessoas de bem, com uma coluna vertebral, coerentes com uma ética intrinsecamente humanista podem e devem marcar a sua posição mesmo que tenham que sofrer a claustrofobia do "quadrado" de que falava Alegre quando o deixaram só. A coerência total é o nazismo, não é possível ao ser humano mas não exageremos na cobardia e no chafurdar na lama como estratégia de sobrevivência, não é fácil ser-se santo mas marcar posição encoraja-nos e permite-nos não fugir do espelho de nós e incentiva outros a não esmorecer, a continuar a defender alguns valores universais como única base de sustento possível para a forma de organização social a que chamamos democracia!