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domingo, abril 13, 2008

Foi difícil



Muitos obstáculos mas conseguimos

sábado, maio 05, 2007

"Acabar os estudos" e adistribuição de tachos

Mais um "não dito" que os sindicatos não dizem nem dirão quando têm os sectores todos juntos-básico, secundário e superior- como a Fenprof.
Esta ideia do governo de fazer voltar à escola 1,5 milhão de Portugueses é boa, MAS A DIVISÃO POR CRITÉRIO IDADES PARA DISTRIBUIR OS TACHOS entre o ensino superior e as escolas secundárias, será correcta? O que foi anunciado foi que os cidadãos com com mais de 23 vão para as universidades, os com menos para o secundário. Porquê? Falta competência nas escolas secundárias? Falta espaço? Estamos só a falar dos cursos que implicam oficinas onde, de facto, o politécnico está bem melhor equipado que as secundárias depois da liquidação do ensino industrial pelas mãos do PCP e PS? Então tá bem, pague-se a preço de ouro uma formação que podia ser mais barata. E nos outros cursos, nos de contabilidade e comerciais, de informática... ou gerais como vai ser? Perguntaram às escolas secundárias? Há muitas escolas secundárias com cursos nocturnos. Escolas onde há professores todos os anos contratados com meio horário e sem saber o que lhes acontece no ano a seguir e que abraçariam a ideia com entusiasmo. As escolas secundárias têm e contratam todos os anos professores que têm o estágio pedagógico, estágio que a maioria dos profs da universidade e do politécnico NÃO TÊM. Onde foi isto negociado? Que prometeram os sindicatos aos despedidos do superior? E quem lhes garante que o trabalhinho vai para os despedidos e não para novos contratados amigalhaços do presidente e dos seus acólitos , sabendo-se da rebaldaria que vai no ensino superior politécnico? É que nas secundárias ainda é por concurso nacional, até ver. E é delas que vai sair o grosso dos excedentários do quadro - profissionais perante os quais o Estado tem OBRIGAÇÕES.
Quanto aos milhões que vêm para a formação profissional nem é bom falar, aí estão empresas em geral e empresas de formação em particular, babando-se todas...

terça-feira, abril 24, 2007

Logística em Portugal e violência nas escolas

Todos os dias há um despiste de pesados. Hoje o IP2 encerrado (desde ontem aliás). Passagens aéreas onde também se pode ser atropelado...
Isto é giro, a lembrar -a deslocalização da OPEL Azambuja não para a Rep. Checa mas para ESPANHA, entre outras razões pelo facto de em Portugal a logística funcionar de forma demasiado perfeita e célere...

Melhor que isto é ainda a conclusão do grupo de trabalho da AR sobre violência na escola: os culpados estão definidos, adivinhem quem é o principal culpado??, quem é?


Adivinhou!!!!!!!!!!!!

Os professores, claro!!
Não estão preparados para a violência escolar, dizem os doutos deputados... não sabem seduzir os meninos violentos com palavrinhas meigas, não sabem dar a volta aos coitados dos agressores desprotegidos....

Ai pois não estão preparados, não, que eles não abraçaram a profissão policial ou militar na qual a arma é a estrela principal!

Será também uma questão de logística?

Primeiro a ministra , agora os deputados? Não estão já fartos de insultar ou de ouvir insultar os profs???

Eventuais leitores atentos: não, não há contradição com os posts sobre a Virginia, não não acho que os professores devam andar armados, o que acho e continuo a achar que a escola NÃO É NEM PODE SER TOTALMENTE INCLUSIVA, sob pena de andarmos a excluir as pessoas erradas!!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, abril 19, 2007

Imbecis e tibiezas

E por lá também mimam os meninos mal educados, o "menino" de 23 anos portou-se mal nas aulas de uma das universidades mais prestigiadas dos EUA, a professora fez o que devia fazer, recusando-se a tê-lo na aula e o menino, em vez de ser expulso da universidade, vai ter de castigo.... aulas privadas com a directora de departamento. Isto faz-me lembrar a forma como tratamos os nossos taradinhos que felizmente ainda não estiveram virados para levar à prática nenhum reality show chocante daqueles que nos EUA se promovem, a par dos video games.
O que se passou em Virginia é para além de tudo o mais, um problema educativo grave, e no cantinho todos estão agarrados à chafurdice da independente , o massacre não parece ser tema que preocupe nem professores nem a sociedade em geral... Nos EUA falar-se-á de tudo, psicologia incluída, mas tanto a CNN como a NBC mudam de assunto quando se chega à questão da facilidade da venda de armas. Um tarado daqueles com historial clínico comprou as armas depois de ter estado hospitalizado (em 2005) por problemas psíquicos graves! A expulsão talvez não impedisse esta bomba relógio de tentar fazer isto mesmo, como aconteceu na Alemanha onde o sacanóide (não imigrado, alemão genuíno) matou 17, aí a escola não lhe tinha perdoado as faltas com atestados médicos falsos, e ele voltou para matar. Ora temos que concluir que ficamos todos reféns destes sacanas? Concluímos está-se a ver que tem que haver maior controle à entrada das instituições de ensino, isso de certeza. Estou a falar das aulas e dormitórios, pelo menos. Cá fora, o cabrão tinha pelo menos que ter pontaria para alvos móveis, as pessoas teriam mais hipóteses de escapar. Eu, que não sou psicóloga, acho que quanto mais este tipo de crap tiver a sensação que controla os outros pior. Acho que o erro na Alemanha não foi não lhe ter perdoado as faltas, foi ter-lhas perdoado demais antes disso, como cá fazemos.
Nas nossas escolas não aconteceu ainda ... " Ah não, cá não, uma porrada neste ou naquele aluno ou no professor, às vezes uma facada e ficamos por aí" dizem os especialistas que por todo o lado existem para poderem mudar de assunto rapidamente e falarem no tema da audiência do momento, a Independente, o Sócrates, o futebol.
A infantilização do nosso povo está a atingir níveis preocupantes. Foram os estádios do euro o primeiro sintoma de infantilidade total nas decisões políticas... todos a quererem o recreio, e depois logo se vê, numa pose alvar e eufórica, os decisores calaram tudo quanto se atrevesse a contestar. Este povo do cantinho não é um povo adulto e cada vez será pior tendo em conta o que a escola está a fazer, obrigada a partir de cima ou de bom grado: estamos todos a infantilizar a próxima geração, desculpando-lhe os golpes e aplaudindo as produções medíocres, seja dos nossos filhos seja dos nossos alunos, só para os ter com "juizinho" na classe ou em casa.
Leiam na CNN as 2 peças de 10 páginas do imbecil chamado Cho... talvez para um 8º ano de escolaridade, estaria bem, muitos palavrões, mas enfim, e claro, dizer aos pais que tinham que ir imediatamente ao psicólogo com a criança. Mas não, o menino de 23 anos era English major calculo que isso signifique finalista do curso superior de Inglês!!!! O professor de drama writing aconselhou ida ao psicólogo, conselho não seguido, mas nunca o humilhou, estava já refém! Já havia medo na aula muito antes... E as pessoas aceitam que estes lixos ditem as regras. Acho mal, muitíssimo mal... Este lixo que sai pensando em si próprio como grandioso, Sr Dr Sá e quejandos, vejam atentamente os vídeos que este "caso clínico" deixou... este moron, incapaz de produzir algo de bom nível, incapaz de um bom rap, incapaz de um bom vídeo gótico, incapaz de escrever o que pensa e de estar lá depois para receber as críticas dos outros, sem os agredir a tiro de pistola semi-automática, incapaz de aprender, tem agora o que queria, os EUA a verem-lhe o focinho no vídeo rasca que fez, vezes sem conta...

domingo, abril 15, 2007

Estatuto do aluno-agora é que é...

Se falássemos claro, teríamos que dizer muitas coisas que nunca são ditas (à boa maneira católica portuguesa). Teríamos que admitir que os profs não estão para se maçar com participações, às vezes recobrindo isso com discursos pedagógicos mais ou menos coerentes. Por outro lado e sobretudo, admitir por escrito que se pôs um aluno fora da aula, que ele respondeu mal, é admitir que se falhou, na cabeça de muitos docentes, que querem ter a imagem de excelentes. Ter que ir a conselho disciplinar, onde os outros coleguinhas lhe farão a recepção do costume com as proposições simpáticas-"eu não tenho problemas", "comigo eles portam-se bem" e outras fórmulas semelhantes - representando uma dose de sacanice só igualável pela falsidade da informação e deixando o colega humilhado, com vontade de abandonar tudo, sentindo-se ele o acusado e não a vítima. Não que eu goste desta ideia de ser-se vítima, o professor não é vítima, é agente com autoridade, embora as circunstâncioas sociais e políticas não lhe permitam aplicá-la.
Enfim, isto para dizer que, na minha opinião, o aluno tem sempre que ter uma hipótese de defesa, por isso os prazos e as audições têm sempre que acontecer. O que está mal é o adiamento sucessivo do conselho disciplinar e a tibieza das medidas tomadas, ficando-se o crianço a rir com o feriado ou o serviço cívico que até é giro, para variar. Enfim -perder o ano não, nunca na vida, é mau para o abandono escolar- muitos acham isto, entretanto os alunos sabem disso e tomam conta da situação, do ensino obrigatório e dos CEFs. Uma alegria e viva a revolução cultural! Só falta os putos estabelecerem comités para a reeducação dos profs que se portam mal e os castigam por coisas pequenas como passarem papelinhos ou sms na aula...
Em suma, o mal não está no presente estatuto do aluno, a meu ver, está na tibieza, no mais ou menos, na falta de escolha clara por parte de quem dirige o ministério e as escolas, na falta de hierarquização de objectivos, na falta de uma política educativa consequente... E há muitos mais não ditos que são outros tantos obstáculos à resolução, no terreno, dos problemas de disciplina e não só...

sábado, abril 14, 2007

"Rigor" nas habilitações para a docência ou o "Rigor mortis" da educação

E a equipa do ministério da educação continua, sem qualquer remodelação -por exemplo, se saísse Valter Lemos já seria bom, ganhava (potencialmente) a ministra em credibilidade e ganhava de certeza a qualidade e a transparência de processos no ensino não secundário.
E agora estão ai as novas habilitações para a docência- licenciaturas em ensinar, mestrados em ensinar - os créditos garantem pouco, estou preocupada, a sério, vão chegar ao ensino secundário "mestres" em ensino, com umas cadeirinhas feitas daquilo que vão ensinar. Enfim, a monodocência até ao 2º ciclo já era preocupante, agora termos professores no secundário a ensinar matemática a quem se exige uns 120 créditos em ...ensino da matemática, já é mesmo muito preocupante. Mas vale a pena ler o interminável preâmbulo, sendo o artigo 10º um primor: nele se manda às instituições de ensino superior que garantam como requisito prévio de acesso ao grau de mestre em ensino, o domínio da língua portuguesa...hihi, quer dizer, no acesso aos outros mestrados , deixem lá os meninos atropelarem a gramática e fazerem textos trogloditas, já que chegaram a "licenciados", who cares, mas para o ensino, não não, senhores professores do superior, não sejam marotos, façam o favor de verificar (se souberem como, claro) se a rapaziada "licenciada" fala protoguês ou Português antes de entrarem no curso de "mestrado" em ensino!

quinta-feira, abril 05, 2007

Coisas da língua portuguesa

Diz-se "um advogado de sucesso", "um bem sucedido empresário", um "homem de negócios com sucesso", "um médico bem sucedido" e todos entendem o significado dessas expressões.
Já as expressões "um professor de sucesso", "um professor bem sucedido" representarão um problema quanto a possíveis significados. Eu diria até que essas expressões contêm uma contradição interna insanável, sobretudo quando aplicadas aos professores do ensino básico e secundário.

domingo, março 25, 2007

Momento apocalíptico

-Observadores variados, medíocres na sua profissão, que opinam muito sobre a profissão dos outros

-Invejosos, intriguistas, e sobretudo instigadores da inveja e da mentira no seio do povo para fins políticos de governação

-Especialistas em ver "argueiros no olho dos outros sem ver as traves que têm nos próprios olhos".

-Hipócritas variados, nos quais se incluem especialistas em dizer não para os outros, sim para eles

-Especialistas na arte de repartir e de achar que os outros são os excedentários enquanto se acham a si próprios imprescindíveis .

-Outros tipos de "sepúlcros caiados"


UM DIA CHEGARÁ A VOSSA HORA!
* » " ! CANALHAS ! " » *

quinta-feira, março 15, 2007

Concurso a peru titular

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-Pensavas que estavas à minha frente? Pois a ministra é que sabe quem deve ser titular, bem fiz eu em ser-lhe obediente em tudo e em aplicar tudo o que ela mandou, muito direitinho, na minha escolinha. Fui, aliás, um Conselho executivo de boas práticas!
- Não perdes pela demora, vou já tirar uma pós-graduação em administração escolar, e pró ano candidato-me eu!

Nota: Fica, assim, assegurada a neutralidade de género nos posts de hoje.

Concurso a perua titular

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-Pensavas que estavas à minha frente? Pois a ministra é que sabe quem deve ser titular, bem fiz eu em ser-lhe obediente em tudo e em aplicar tudo o que ela mandou, muito direitinho, na minha escolinha. Fui, aliás, um Conselho executivo de boas práticas!
- Não perdes pela demora, vou já tirar uma pós-graduação em administração escolar, e pró ano candidato-me eu!

domingo, março 11, 2007

Concursos, quadros, graus e feminização da classe

Os sindicatos estão a cair na esparrela quando consideram o concurso para titular como um concurso para vagas do quadro. O que é um quadro de titulares numa escola ou agrupamento já com um quadro definido?? Não será que admitindo a existência deste quadro estão aceitando também à partida o que o ME se prepara para fazer aos professores conforme os anúncios de Teixeira dos Santos? É que dá a ideia que os sindicatos também concordam com novas regras para o concurso de nomeação embora digam que não...
Um professor do QND detém um lugar de nomeação definitiva e chegou ao escalão em que está por duas vias: ou tem o tempo de serviço ou tem graus. Se o professor do 10º não conseguir os pontos para esta fantochada de concurso a comendador, consideram-no o quê, um “apenas professor” que ganha indevidamente e por caridade do ME pelo índice de topo?

Falemos de graus: eles foram equiparados pelo anterior ECD a 4 e 6 anos para mestrado e doutoramento respectivamente, embora o máximo atribuível fosse 6. Acontece que, neste concurso, com os anitos valorizados a sete, teríamos 28 pontos ou 42 pontos e não 15 ou 30 pontos como propõe o ME. Aqui estão acumuláveis mas só sai com 45 pontos quem tem os dois graus, prejudicando quem, por ter nota de 16 na licenciatura, fez logo o doutoramento. Os graus obtidos devem ser valorizados a meu ver e sem sombra de dúvida. Se há muitos professores que não gostam de ver pontos atribuídos aos graus é porque os não tiraram.

Pois é, alguns não gostam que 15 pontinhos sejam atribuídos aos mestrados e outros não gostam de ver 18 pontos atribuídos a 2 anitos de presidente de directivo quando se sabe que alguns se candidataram às eleições para os executivos apenas para fugir aos horários zero que lhes caberiam por estarem no fim da lista de graduação para concurso. Acho que essa prática é legítima e até considero que o trabalho de direcção deve ser valorizado mas não na proporção proposta. É que acontece que os professores dão aulas e que as aulas devem ter qualidade científica e é também facto que alguns mestrados são mesmo mais valias na formação do professor do ponto de vista científico.
Há também os mestrados de pura pedagogia, alguns com teses em pedagogia da treta em desmultiplicação dos mestrados de Boston (conhecidos por outro nome) e que formaram os nossos magníficos dirigentes, cujas aplicações práticas contribuíram e continuam a contribuir para deprimir a inteligência da nossa juventude. Esses mestrados, penso eu e alguns como eu, têm valia discutível, no entanto, são esses mestrados em "educação" que serão provavelmente mais valorizados no final da discussão com os sindicatos. O sindicato reflectirá na negociação os sócios que mais peso tenham nas direcções. Sempre assim foi e continuará a ser.

Pois esta poeirada levantada pelos brilhantes dirigentes do governo que temos é óptima para eles, "tudo divididinho é que é...eu sou muito esperto" -pensará cada um desses cérebros- "sou muito bom nisto de mandar nas professoras... algumas dificuldades mas nada que não se abafe rapidamente com uns processozinhos ou a ameaça deles, o Teixeira dos Santos já vai anunciar a reforma da administração pública, é mesmo oportuno, fala-se lá em processo disciplinar e elas calam-se já com medinho". A maioria da classe é feminina e será talvez por isso que não reage aos insultos de cima, já estará habituada aos da sala de aula, e até quem sabe, aos de casa... é que oferecer resistência quando se está na cuba e alguém accionou a prensa de pisar vinho, requer alguma capacidade atlética...

E mais não digo , sai mais um chazinho de cidreira a ver se funciona, a valeriana faz um pouco de sono e nesta fase, estar alerta é necessário, não vá haver mais um anunciozinho dos nossos brilhantes governantes...

segunda-feira, março 05, 2007

O Demos e o Estado de direito: -estado de quê?

Mascaradas de concursos para colocar amigos? Que tem isso? -dirá ele-sempre se fez e faz, para isso é a autonomia...afirmará ele ainda, eu cá trabalhei tão bem que cheguei a secretário de Estado, não me dei muito mal... tão a ver? Estado de direito? Que é isso ? Estado sei o que é. Direito deve ser de eu mandar, com todo o mérito está bem de ver, por provas dadas lá na minha quintinha de Castelo Branco, melhor que eu nesta festa dos concursos públicos para dar aos amigalhaços só o outro de Leiria e, claro está, o Jardim, mas nenhum chegou ao governo da República, como eu. Profs descontentes? Os profs não percebem nada disto, se soubessem o que custa mandar só queriam obedecer...oops, alguém já disse isto mas nã ma lembra quem... bom, não interessa, já deve ter morrido há muito tempo, o dito já deve ser domínio público, já não terei de dar a referência bibliográfica... mas até que soa bem!

Vale-te Demos e virtudes do primeiro ministro

Por que não cai Vale-te Demos? Porque o primeiro-ministro precisa de mostrar quem manda, digo eu, só pode. Assim, quanto mais inadmissíveis e ofensivos para os professores forem os abortos jurídicos que saiem do cérebro do secretário de Estado melhor: mais Sócrates pode ficar a conhecer a força que tem e confirmará o que já sabia: é do lado da classe docente que pode cortar a direito nas despesas. ELES DEIXAM. Só há que aprofundar o que já existe: a divisão, a inveja e isso consegue-se subvertendo todos critérios que têm estado na base da seriação de profs. Para o concurso a prof titular: faz-se tábua rasa dos currículos, só sete anos interessam: e tem sido nos últimos sete anos que tem chegado às direcções das escolinhas um grupo tíbio e obediente: premeiem-se esses docentes mesmo que não tenham dado uma única aula nos últimos aninhos*. Quanto aos cargos, quem os desempenhou antes dos últimos sete anos e que nem um pontinho leva estará pouco interessado em apoiar ou mesmo atacar o que quer que seja, estará desmotivado para sempre, será candidato a supranumerário de uma penada! Os outros, que normalmente e por feitio, não gostam de mandar, não suportam os gabinetes dos ministérios e execram os clubes e clubinhos mas gostam da sua profissão, não esperam já nada, têm ficado progressivamente mais desmotivados à medida que viram singrar nestes últimos 20 anos os dinâmicos fazedores de "clubes" e "projectos" e outras formas de tirar os meninos das maçadas da aula e da aprendizagem... São mais candidatos a irem para casa com 2/3 e um pouco depois 1/3 do ordenado. Poupança grande está bem de ver para as finanças públicas.

Nota: alterei o texto, é que afinal não é clara a lógica do ministério quanto aos professores destacados nos serviços do ME, é esse serviço equiparado ou não a serviço lectivo?

sábado, março 03, 2007

Se Rómulo de Carvalho concorresse a titular

O ME, ao lançar à discussão este aborto jurídico chamado concurso para professor titular conta com a divisão entre os professores. Claro que quem viu algumas licenciaturas a sair das ESEs e das abertas não gostou muito...Claro que quem não esteve a matar a cabeça com os graus de mestre e doutor acha bem que nada pesem... Mas ele há mestrados e mestrados e cada vez mais o doutoramento tem muitíssimo que se lhe diga, é ler algumas teses...
No entanto, neste concurso,o que é sobrevalorizado é o papel de manga de alpaca e de ter estado recentemente a mandar nos outros, isso sim. Note-se que 4 anos de presidente do executivo dá 36 pontos (desde que seja no período de 1999 a 2006), enquanto o doutoramento (que representava, no passado, 5 a 6 anos de trabalho, feito em muitos casos sem reduções de serviço) é valorizado com 30 pontos apenas.
O que é quase certo é que Rómulo de Carvalho (se, por hipótese, tivesse havido um concursinho assim no tempo dele) muito provavelmente não seria colocado em vaga de titular se, por exemplo e por acaso, nos 6 anos anteriores ao concurso não tivesse estado a orientar estágios, coisa que fez durante muitos anos, como sabemos!

Bolonha ou o fim da Europa enquanto centro de excelência

Não vou aqui discorrer sobre Bolonha, quem quiser que se informe nos sites devidos. Apenas lançar um canivetezinho. Depois de Bolonha, qual a motivação para fazer um doutoramento? Ficar igual a todos os outros diplomados? Isto quer dizer que o doutoramento já não distinguirá quem está ou não capaz de produção científica autónoma. Claro que não devemos culpar Bolonha disso, Bolonha é apenas o resultado do que se tem vindo a passar um pouco por todo o lado nas universidades europeias. A falta de população discente não é problema exclusivo de Portugal, existe em toda a Europa e tem levado a excelência a recuar em favor da mediania e mesmo mediocridade, para que as universidades não tenham que despedir parte do seu pessoal docente. Muitas velhas casas de renome em Portugal, têm visto alguns departamentos ocupados com uma geração de excelência muito duvidosa, como foi, não sei, sei da produção publicada, sei de algumas teses de doutoramentos com distinção e louvor que deveriam ter apenas bolas pretas se estivessem na faculdade ou no júri alguns dos que deram o nome à casa e aos mesmos departamentos e que se reformaram (ou quase) ou já faleceram. Da mediocridade ou mesmo maldade dos politécnicos nem é bom falar, dá mau carma agora de manhã... nem é bom pensar nos doutoramentos à pressão feitos pelo pessoal ou ex-pessoal do politécnico de Leiria, os ditos da Extrumadura, digo, da Extremadura, em três anos (ele há quem tente mesmo encurtar esse prazo, dois é bem melhor) grauzinho a obter indo lá de vez em quando de excursão a expensas do Estado, sendo que os hermanos cá vêm de quando em vez, calculo que a expensas do mesmo ente... Mas não, não é bom falar!
Por outro lado, não há Bolonhas do outro lado do Atlântico, há a excelência indiscutível de algumas casas, como Harvard (pelo menos por enquanto) e mesmo ao lado as casinhas que deram e dão os mestrados e doutoramentos (conhecidos por outro nome parecido com boston)aos nossos brilhantes dirigentes do ministério da educação, que estão mui doutamente apoiando a ministra... Há o MIT que não pode brincar aos cowboys a fingir que faz e aplica ciência, o mercado sabe bem quem é quem...
Quem são os nossos Harvard? Os nossos MIT? Se por todo o lado “a má moeda tem sido bem sucedida a expulsar a boa” ? O centro científico do globo manter-se-á por longos anos do outro lado do Atlântico...

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Quem vai a titular ou o triunfo do desnorte

Senhor A

Licenciatura em 1975 10 valores
1976-1988 aulas
Estágio 1988 (dispensa de aulas assistidas)………….13 valores
1989- efectivação
1989 até 1998 aulas
1999 a 2006 Presidente do CE ( por eleição, em lista única apresentada às eleições)


Senhor B

Licenciatura em 1973 16 valores
1976-1978 aulas
Estágio 1978 (com aulas assistidas………….18 valores)
1979- efectivação
1980-86- acumulou o mestrado com aulas, grau que concluiu
1986 até 1990 acumulou o doutoramento com aulas, grau que concluiu
1991-1997 aulas e coordenação de departamento
1999 a 2006 aulas



Quem é seleccionado para titular, quem é???


Resposta: O Senhor A tem 105 pontinhos facturados na hora em que teve a brilhante ideia de concorrer ao CE quando estava seriamente ameaçado de horário zero, mal sabia ele o bem que a si próprio estava a fazer!
Em 1999 o Senhor B passou a coordenação a alguém mais jovem que ainda usufruísse das horas de redução do trabalho lectivo, mal sabia ele o mal que a si próprio estava a fazer! O Senhor B tem apenas 94 pontos, não consegue os 95 e, portanto, nem pode concorrer

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Concurso para professor titular

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Simples, vão-se somando pontinhos, a valorizar fortemente a experiência recente de gestão da escolinha, criteriozinhos pensados pela iluminada e brilhante equipa ministerial para garantir a adesão dos conselhos executivos e também para assegurar que os primeiros titulares estejam nos orgãos de gestão... a docilidade destes é fundamental para a implementação de tudo o que vem aí. Só, claro, o número mínimo para garantir o primeiro embate, uma vez que, à vista da cenoura, muitos outros haverá dispostos a irem para a gestão e a cumprirem docilmente tudo o lhes for indicado. Depois, se forem demais a qualificar, mudam-se os critérios dos próximos concursos... Fenomenal esta engenharia!

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Motivação para o trabalho

A equipa ministerial da educação conseguiu finalmente reduzir o absentismo dos malandros dos profs. Como? Foi adiantada a explicação num telejornal da RTP, mas não foram apresentadas imagens nem reportagem. Procura-se aqui contribuir para esclarecer melhor a opinião pública, com algumas "imagens reais" do "país real". A imagem foi propositadamente desfocada para que não possa ser identificada a escola.


Sala de profs de uma escola qualquer do ensino secundário, às quartas de manhã



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Expressão mais frequentemente ouvida (quando se pode ouvir aqui e ali qualquer coisinha):
-olha que tu, vê là, não te atrevas a faltar amanhã que estou eu de fascina às substituições!

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Antena1: provas globais

É interessante ver como agora todos falam de rigor, mesmo aqueles que conduziram o sistema educativo ao facilitismo extremo. São os mesmos senhores que estão e sempre estiveram no ministério da Educação. Conseguem fazer piruetas argumentativas para provarem que sem provas globais e sem exames o ensino é mais rigoroso. Mantêm os exames a Português e Matemática porque não têm coragem de acabar também com esses, uma vez que sabem que os mesmos foram bem recebidos por muitos sectores da educação, quando Justino os introduziu. São aqueles senhores e senhoras os que têm mantido o sistema educativo tal como ele está, há 30 anos, sem rigor senão nos papelinhos cheios de cruzinhas e espacinhos que os profs têm que preencher. Para esses senhores , os papelinhos para os docentes preencherem é que são o "rigor". Com o objectivo de obterem na secretaria o que tornaram impossível conseguir na sala de aula, para "aumentarem" o "sucesso escolar" tornaram quase impossível reter alunos. Para os docentes, passá-los é o melhor que têm a fazer, se não quiserem que uma montanha de papéis e de reuniões inúteis se abatam sobre o seu horário já sobrecarregado de muitos papéis e de muitas reuniões inúteis. O professor tornou-se um escrevinhador de papelada, sobretudo no ensino básico. Alguns pais já vão à escola pedir para que retenham o seu filho mal preparado, mas nem sempre conseguem....
Mas tudo isto é conhecido e contestado por muitos há muitos anos, os resultados estão aí, a mostrar quem teria razão...
O ensino obrigatório determina que não é facultativo ir à escola , não significa que é dado a todos o diploma do ensino básico de forma administrativa. Retidos ou não, os alunos na escolaridade obrigatória devem estar na escola, não são delas expulsos quando são retidos. Eles abandonam porque o sistema não dá alternativas, com o ensino profissional e profissionalizante. O apoio, nos últimos anos, das equipas ministeriais à criação de cursos alternativos é dos poucos sinais positivos. Claro que nesse tipo de ensino as verbas vêm em grande parte da Europa....
Provas globais para selecção para o ciclo seguinte são necessárias, a meu ver, e de preferência nacionais. Mas não da forma como têm sido feitas, com peso insignificante, como se fossem mais um teste. Talvez seja de bom senso neste ano realizar só as provas de Português e Matemática num país de incerteza, do mais ou menos também quanto a exames e regimes de avaliação: durante o ano lectivo ninguém sabe como vai ser no final, vai-se vendo, vão-se esperando decisões de cima, vão se tomando decisões quando os de cima mandam que sejam os de baixo a decidir!
Não deveria ser permitido a ninguém inscrever-se num curso do 10º ano regular, na área de humanidades, se chumbado a Português ou na área de Ciências, se chumbado a Matemática. O problema no ensino em Portugal é, entre outros, o da falta de sentido da realidade. Os jovens só muito tarde tomam conhecimento da importância da formação exigente. São entretanto mantidos num "engano de alma", na protecção da escola e das notas fáceis. Stress escolar? Há também, por estranho que pareça . São as pontas extremas que determinam o que se passa na escola. Os filhos de pais com elevada escolarização mantêm os níveis de exigência, não porque estejam muito interessados em ver obstáculos na sua vida escolar (embora saibam que há mínimos necessários, apesar de tudo) mas sobretudo porque os jovens com certo nível de linguagem, habituados muito cedo ao raciocínio lógico-dedutivo, têm depois extrema facilidade em atingir os mínimos. O stress deriva de alguma exigência em casa a respeito das notas. Passando o dia na escola é natural que alguns alunos sintam que lhes falta o tempo para estudarem a extrema diversidade de matérias que lhes passa pelo dia... daí talvez, o stress. Não é a escola nem o sistema de ensino que determinam os padrões. São esses alunos e o apoio que recebem em casa que ainda mantêm a escola com algum rigor. Os profs há muito que têm vindo a depor armas...É que, se nem esses alunos privilegiados conseguissem atingir os objectivos, a escola recuaria ainda mais na exigência. Mas tem vindo a recuar ano após ano... não tanto como alguns gostariam quando vêem os seus filhos, com tudo em casa, mesmo assim "chumbarem". O ambiente entre alunos resulta do que a/s escola/s faz/em aos comportamentos transgressores. Quanto a isso é o que se sabe ou se julga saber pelo que transparece aqui e ali. Qualquer estudo externo ao sistema sobre disciplina ou segurança é atacadíssimo pelos ilustres representantes da pedagogia do facilitismo, como se viu quando a DECO publicou o seu inquérito sobre insegurança na escola. Muito interessante será ler o estudo da unicef "Child poverty in perspective: an overview of child well being in rich countries". Embora seja estranho que a Unicef agora se dedique ao estudo do bem estar nos países ricos, não deixa de ser esclarecedor dar uma olhada ao relatório. Mas ninguém terá tempo para isso: nem para ler, ponto por ponto, o ECD quanto mais estes estudos..É verdade, nem para isso nem para resistir à humilhação: a cabeça na areia, a cabeça baixa, a obediência canil são, de facto, a resposta de muitos....

Nota: sem querer ofender a espécie canina que tem acima de tudo uma qualidade: a lealdade, mesmo quando ataca, fá-lo de frente e olha nos olhos ...