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segunda-feira, junho 18, 2007

Mário Nogueira, o Professor e JPP

Mário Nogueira falou bem hoje, na Antena 1, mas nem uma palavra sobre o concurso a comendador. Porque será? Falta de tempo? A Associação dos Professores de Matemática é mais mediática, por isso foi referida? Eu acho que era uma oportunidade óptima para explicar duas ou três coisinhas sobre o aborto jurídico chamado dec-lei 200.
Ontem, o Professor Marcelo que, pelos vistos, tudo titula, e de tudo sabe, acha que nada tem que se objectar (juridicamente) a um concurso que apenas considera os últimos sete anos da vida profissional de um professor. Grave, para ele, só a alteração, a meio do concurso, das regras do mesmo. Esse aspecto é apenas a cereja em cima de um bolo em cuja massa aparentemente fofinha se pode encontrar de tudo: limalha de ferro, pedaços de vidro partido, pregos, parafusos e outros brindes semelhantes...
Tudo para o Professor Rebelo de Sousa é simples e partilha com Pacheco Pereira a clarividência oracular. Inveja, é o que eu tenho, no fundo, eu e não só eu, todos os simples mortais, com capacidades cerebrais vulgares, todos nós gostávamos muito de ser assim. Pessoas desangustiadas e sobre-dotadas, sempre com a análise pronta e as conclusões sistematizadas e com aquele tom de quem realmente está a ver a coisa (enquanto todos os outros pouco ou nada vislumbram) é disso que o país precisa, pois talvez algum dia, se conseguirmos que fiquem quietos durante 3h debruçando-se sobre apenas um assunto, aqueles cérebros produzam algo interessante sobre um ou outro problema concreto cuja resolução dependa apenas de nós (vão sendo cada vez menos) , aqui no cantinho.
Agora digo eu que não tenho poderes oraculares mas gosto também de dar os meus palpites:
Os próximos tempos vão ser interessantíssimos, dois pândegos no governo (em pastas-chave), a presidência da UE e a presidência da Comissão. Ui ui. Este pequeno cantinho estava mesmo guardado para grandes destinos. Promete.

Disclaimer (agora tem que se fazer uma coisa assim parecida, aprendi no portugalprofundo mas a minha é diferente).
Tudo isto que acima escrevi, claro, me quer parecer no meu mundo ficcionado, não quer dizer que se refira a Portugal. Nem mesmo se confirma que o dono do IP se reveja neste conteúdo. Estamos no domínio da literatura, único lugar onde podemos ainda ter liberdade de expressão de opinião quanto a figuras públicas no poder.

quarta-feira, junho 06, 2007

Hino revisto

Novo hino para cantar nas jantaradas de homenagens mútuas organizadas pelos magníficos oportunistas ainda ontem sindicalistas e democratas, hoje tiranetes impondo a ferro e fogo os ditames da sua incompetência:

Porgallândia vila serena
terra da mediocridade
o chico esperto é quem mais ordena
dentro de ti ó medianidade

o resto é trauteado, não interessa nada, uma vez que, de qualquer das formas, sempre souberam apenas a primeira estrofe quando eram "revolucionários".....

quarta-feira, maio 30, 2007

A semana do cidadão

segunda: maldito governo, quem se lixa é o mexilhão: é só bulir, só bulir, pagar e calar.... só à bomba! Ooops 160km/h e a polícia estava ali escondida, já me lixei...
terça: bem feita, ó pra eles, os tais* , a trabalhar no duro, acabou a boa vida, é assim mesmo, este governo à qui é bom, sabe mandar, não são nenhuns bananas.
quarta: faz-se tarde pró jogo... fica aí tu quieu tenho quir buscar a minha patroa ao emprego dela ...que tem quir pra casa tomar conta dos gaiatos...Nã devia ser permitido greve nas escolas...
quinta: e não querem ver que me reavaliaram a casa e toca a pagar. Pro mês que vem é qu'o governo vai ver...vou aderir à greve
sexta feira: telefonaram lá pra casa da euroxpansão ou lá o que era. Disse-lhes que votaria PS, não há alternativa, que é que vamos fazer, alguém tinha que fazer as reformas...
sábado: amanhã vamos a Fátima à missa que o patrão anda a dizer que vai fechar a fábrica...
Domingo: afinal não podemos ir por causa do derby mas prometemos ir a pé pro ano se a fábrica não fechar...



* varia consoante a agenda, este governo elegeu os funcionários públicos como os bodes da expiação - na cartilha do politicamente correcto não constam os f.p como grupo étnico ou grupo com orientação sexual definida, por isso nada impediu os brilhantes conselheiros do presidente Sócrates de os eleger como os bombos da festa...

domingo, abril 29, 2007

Relendo Eça

“— Ando aborrecido! — é o coro geral. Os espí­ritos estão vazios, os sentidos insatisfeitos. Gra­dualmente, com a vontade doente, o corpo enfra­quecido, o homem só procura distrair, matar o tempo. Mas em quê? Na leitura?
Não se compra um livro de ciência um livro de literatura, um livro de história. Lê-se Ponson du Terrail—emprestado!
Ao teatro não se pede uma ideia: querem-se vistas, fatos, mutações. O espírito tem até pre­guiça de compreender um enredo de comédia; prefere-se olhar recostado, fazendo a digestão de um mau jantar, os bastidores pintados do Rabo do Satanás.
O Passeio Público é um prazer lúgubre. É uma secretaria arborizada, onde se vai estar, gravemente, em silêncio, do olhar amortecido, de bra­ços pendentes!
Os cafés são soturnos. Meio deitados para cima das mesas, os homens tomam o café a peque­nos goles ou fumam calados. A conversação extinguiu-se. Ninguém possui ideias originais e próprias. Há quatro ou cinco frases, feitas de há muito que se repetem. Depois boceja-se. Quatro pessoas reúnem-se: passados cinco minutos, murmuradas as trivialidades, o pensamento de cada um dos conversadores é poder-se livrar dos outros três.
Perdeu-se através de tudo isto o sentimento de cidade e de pátria. Em Portugal o cidadão desa­pareceu. E todo o Pais não é mais do que
uma agregação heterogénea de inactividades que se enfastiam.
É uma Nação talhada para a ditadura — ou para a conquista.”

Eça de Queiroz, Uma campanha alegre

quarta-feira, abril 18, 2007

O cantinho no seu normal

Cá estamos no normal do cantinho, tudo agarradinho à telenovela da Independente, e apenas para se rir um pouco, a indignação é sentimento que pode sair caro, mesmo inacessível já aos eunucos, na terra do mais ou menos, de brandos costumes, habituados a achar tudo perdoável a começar por nós, claro, e isto tudo é afinal pecadilho do primeiro ministro, e o resto é a anedota. Habituados a pactuar com os truques baratos deste e daquele? Habituados à pouca vergonha do futebol? Habituados à fuga aos impostos, por saber que só não foge quem não pode? Habituados a termos já vendido ou tentado vender a mãe algures no tempo?
Tudo pequenino, tudo bastante rasca, chamando rasca à geração que ainda se não instalou... Rasca é a geração de cobardes instalados, lambedores de botas, encantadores de serpentes a quem retiraram o veneno à partida, gentalha que por todo o lado singra, grupelhos medíocres que se apoiam mutuamente a esmagar quem possa denunciar os seus crimes ou simplesmente fazer-lhes sombra. Canalhada pequenina, cérebrozinhos encolhidos, mesquinhos em tudo o que fazem, incapazes de pensar a nível macro, incapazes da cooperação com o outro, o diferente , o melhor, incapazes de reconhecer ao outro mérito, vendo no outro a ameaça, o obstáculo a afastar no caminho da gamela...
É este o cantinho, pequenino, mesquinho, vendido até ao âmago, cada vez mais parecido com uma suinicultura auto-gerida, sem massa crítica, nem cultura de qualidade para ter gente de bom nível nos postos de direcção, seja nas empresas, seja nas escolas, seja nos media, seja no governo (salvo excepções poucas, demasiado poucas)... Neste cantinho de ceguinhos, não é rei quem tem um olho mas quem sabe fazer pose de quem vê, ou seja, quem sabe fazer show e manter a pose de quem é especialista de tudo. Usando a metáfora de um dos meus poucos comentadores, mais descargas na ribeira nos esperam. Nauseante...
E o cantinho que já é só rocha, eucaliptos e betão, a ficar feio por fora e feio por dentro, a ficar muito feio, mas... who cares?

domingo, abril 15, 2007

Estatuto do aluno-agora é que é...

Se falássemos claro, teríamos que dizer muitas coisas que nunca são ditas (à boa maneira católica portuguesa). Teríamos que admitir que os profs não estão para se maçar com participações, às vezes recobrindo isso com discursos pedagógicos mais ou menos coerentes. Por outro lado e sobretudo, admitir por escrito que se pôs um aluno fora da aula, que ele respondeu mal, é admitir que se falhou, na cabeça de muitos docentes, que querem ter a imagem de excelentes. Ter que ir a conselho disciplinar, onde os outros coleguinhas lhe farão a recepção do costume com as proposições simpáticas-"eu não tenho problemas", "comigo eles portam-se bem" e outras fórmulas semelhantes - representando uma dose de sacanice só igualável pela falsidade da informação e deixando o colega humilhado, com vontade de abandonar tudo, sentindo-se ele o acusado e não a vítima. Não que eu goste desta ideia de ser-se vítima, o professor não é vítima, é agente com autoridade, embora as circunstâncioas sociais e políticas não lhe permitam aplicá-la.
Enfim, isto para dizer que, na minha opinião, o aluno tem sempre que ter uma hipótese de defesa, por isso os prazos e as audições têm sempre que acontecer. O que está mal é o adiamento sucessivo do conselho disciplinar e a tibieza das medidas tomadas, ficando-se o crianço a rir com o feriado ou o serviço cívico que até é giro, para variar. Enfim -perder o ano não, nunca na vida, é mau para o abandono escolar- muitos acham isto, entretanto os alunos sabem disso e tomam conta da situação, do ensino obrigatório e dos CEFs. Uma alegria e viva a revolução cultural! Só falta os putos estabelecerem comités para a reeducação dos profs que se portam mal e os castigam por coisas pequenas como passarem papelinhos ou sms na aula...
Em suma, o mal não está no presente estatuto do aluno, a meu ver, está na tibieza, no mais ou menos, na falta de escolha clara por parte de quem dirige o ministério e as escolas, na falta de hierarquização de objectivos, na falta de uma política educativa consequente... E há muitos mais não ditos que são outros tantos obstáculos à resolução, no terreno, dos problemas de disciplina e não só...

sábado, abril 14, 2007

"Rigor" nas habilitações para a docência ou o "Rigor mortis" da educação

E a equipa do ministério da educação continua, sem qualquer remodelação -por exemplo, se saísse Valter Lemos já seria bom, ganhava (potencialmente) a ministra em credibilidade e ganhava de certeza a qualidade e a transparência de processos no ensino não secundário.
E agora estão ai as novas habilitações para a docência- licenciaturas em ensinar, mestrados em ensinar - os créditos garantem pouco, estou preocupada, a sério, vão chegar ao ensino secundário "mestres" em ensino, com umas cadeirinhas feitas daquilo que vão ensinar. Enfim, a monodocência até ao 2º ciclo já era preocupante, agora termos professores no secundário a ensinar matemática a quem se exige uns 120 créditos em ...ensino da matemática, já é mesmo muito preocupante. Mas vale a pena ler o interminável preâmbulo, sendo o artigo 10º um primor: nele se manda às instituições de ensino superior que garantam como requisito prévio de acesso ao grau de mestre em ensino, o domínio da língua portuguesa...hihi, quer dizer, no acesso aos outros mestrados , deixem lá os meninos atropelarem a gramática e fazerem textos trogloditas, já que chegaram a "licenciados", who cares, mas para o ensino, não não, senhores professores do superior, não sejam marotos, façam o favor de verificar (se souberem como, claro) se a rapaziada "licenciada" fala protoguês ou Português antes de entrarem no curso de "mestrado" em ensino!

quinta-feira, abril 12, 2007

Antena 1: isso agora não interessa nada

O pobinho aproveita para se desforrar dos verdadeiros diplomados que sempre invejou e diz que " deixem trabalhar o homem" e que "não tem importância nenhuma ele ter ou não ter sido favorecido, toca a andar e não humilhem o homem".
O olhar do senhor José Sócrates parece estar muito bem treinado para o polígrafo, resultou mesmo, as meninas convenceram-se com o olhar do primeiro ministro...
Coisinhas secundárias diz ela, a apaixonada pelo olhar do Sr Engenheiro pela Universidade Independente José Sócrates de Sousa.
Pois eu não gosto daquele sorriso falso que precisamente não é acompanhado pela limpidez do olhar, que é semelhante ao de Portas aliás. A única coisa que tenho em comum com o primeiro ministro é a idade mais coisa menos coisa.
Pois eu sei de processos de equivalências, no meu caso, do ISCTE para o ISEG, foi bem mais complicado conseguir equivalências ao 4º ano do curso de Economia que tinha quase completo, tive ainda que fazer duas cadeiras do 3º ano para conseguir a equivalência, não ao 4º mas ao 3º (que diabo, tratava-se do ISCTE , mas compreendi, que remédio não tinha eu, e o 4º ano no ISCTE foi igual a zero ...), pelo que tive que fazer todas as cadeiras dos dois últimos anos da licenciatura e sei bem como é difícil concluir uma licenciatura quando se interrompe o curso e se procura posteriormente concluí-lo em situação de trabalhador estudante. Custa muito, custa bem mais do que me pareceu ter custado ao nosso primeiro. Mas, claro, a minha licenciatura é do ISEG,Universidade Técnica de Lisboa, 1986, nunca pensei ter agora esta sensação, do valor que tem de facto e finalmente, a casa que passa o diploma (a data não é irrelevante também, não tenho uma licenciatura PREC e se não tivesse interrompido, teria terminado em 1977). Quando concluí o curso já a trabalhar, a média baixou de 14 para 13 e tenho andado toda a vida a pagar por isso, mesmo apesar de ter agora mais um grau, o de mestrado, também em Economia pela Universidade de Coimbra. Digo tudo isto porque ele insultou todos bloggers como se não fossem cidadãos de bem, como treinadores de bancada e especialistas de nada. Pois senhor engenheiro não é bem assim ... claro que se referia aos seus perseguidores dos "grandes" blogs, e eu até admito que sou "mirim" como diz Pacheco Pereira, mas enfim , sei umas coisinhas aprendidas nos mesmos bancos onde estudou Aníbal Cavaco Silva...
Tudo isto é bom para exorcisar fantasmas e frustrações... e é bom não ter aqueles esqueletos no armário embora sua excelência o pobinho ache que "isso agora não interessa nada".

terça-feira, abril 10, 2007

Então nem uma aspiradela em casa própria pela Páscoa?

Conviria ter feito a limpeza da Páscoa em casa, antes de a fazer na casa alheia, mas calculo que não tenha tido vagar. Senhor ministro da Ciência, era bom dar uma aspiradela (pelo menos) em casa própria, a começar pelos politécnicos, ficava-lhe muitíssimo bem. E era bom para o ensino superior e para a tão propalada cultura de exigência e de prestação de contas pela gestão da coisa pública, se fossem uns tantos presidentes devidamente demitidos e responsabilizados pelo que têm andado a fazer (na maior das tranquilidades, diga-se de passagem) com concursos de contratações e promoções de pessoal docente e não docente... para não falar nos concursinhos das obras para construção de edifícios e das concomitantes vivendas e enriquecimentos estranhos...
Promete e promete e diz que vai adquirir melhor equipamento de limpeza, acho muito bem, que as auditorias deixam muito a desejar: parecem os aspiradores quando estão de saco cheio, não aspiram quase nada. Mas não precisa de esperar pelos novos equipamentos, há que esvaziar os saquinhos, fechar a entrada de ar e vai ver o que um aspirador antigo pode ainda fazer...

sábado, março 03, 2007

Se Rómulo de Carvalho concorresse a titular

O ME, ao lançar à discussão este aborto jurídico chamado concurso para professor titular conta com a divisão entre os professores. Claro que quem viu algumas licenciaturas a sair das ESEs e das abertas não gostou muito...Claro que quem não esteve a matar a cabeça com os graus de mestre e doutor acha bem que nada pesem... Mas ele há mestrados e mestrados e cada vez mais o doutoramento tem muitíssimo que se lhe diga, é ler algumas teses...
No entanto, neste concurso,o que é sobrevalorizado é o papel de manga de alpaca e de ter estado recentemente a mandar nos outros, isso sim. Note-se que 4 anos de presidente do executivo dá 36 pontos (desde que seja no período de 1999 a 2006), enquanto o doutoramento (que representava, no passado, 5 a 6 anos de trabalho, feito em muitos casos sem reduções de serviço) é valorizado com 30 pontos apenas.
O que é quase certo é que Rómulo de Carvalho (se, por hipótese, tivesse havido um concursinho assim no tempo dele) muito provavelmente não seria colocado em vaga de titular se, por exemplo e por acaso, nos 6 anos anteriores ao concurso não tivesse estado a orientar estágios, coisa que fez durante muitos anos, como sabemos!

Bolonha ou o fim da Europa enquanto centro de excelência

Não vou aqui discorrer sobre Bolonha, quem quiser que se informe nos sites devidos. Apenas lançar um canivetezinho. Depois de Bolonha, qual a motivação para fazer um doutoramento? Ficar igual a todos os outros diplomados? Isto quer dizer que o doutoramento já não distinguirá quem está ou não capaz de produção científica autónoma. Claro que não devemos culpar Bolonha disso, Bolonha é apenas o resultado do que se tem vindo a passar um pouco por todo o lado nas universidades europeias. A falta de população discente não é problema exclusivo de Portugal, existe em toda a Europa e tem levado a excelência a recuar em favor da mediania e mesmo mediocridade, para que as universidades não tenham que despedir parte do seu pessoal docente. Muitas velhas casas de renome em Portugal, têm visto alguns departamentos ocupados com uma geração de excelência muito duvidosa, como foi, não sei, sei da produção publicada, sei de algumas teses de doutoramentos com distinção e louvor que deveriam ter apenas bolas pretas se estivessem na faculdade ou no júri alguns dos que deram o nome à casa e aos mesmos departamentos e que se reformaram (ou quase) ou já faleceram. Da mediocridade ou mesmo maldade dos politécnicos nem é bom falar, dá mau carma agora de manhã... nem é bom pensar nos doutoramentos à pressão feitos pelo pessoal ou ex-pessoal do politécnico de Leiria, os ditos da Extrumadura, digo, da Extremadura, em três anos (ele há quem tente mesmo encurtar esse prazo, dois é bem melhor) grauzinho a obter indo lá de vez em quando de excursão a expensas do Estado, sendo que os hermanos cá vêm de quando em vez, calculo que a expensas do mesmo ente... Mas não, não é bom falar!
Por outro lado, não há Bolonhas do outro lado do Atlântico, há a excelência indiscutível de algumas casas, como Harvard (pelo menos por enquanto) e mesmo ao lado as casinhas que deram e dão os mestrados e doutoramentos (conhecidos por outro nome parecido com boston)aos nossos brilhantes dirigentes do ministério da educação, que estão mui doutamente apoiando a ministra... Há o MIT que não pode brincar aos cowboys a fingir que faz e aplica ciência, o mercado sabe bem quem é quem...
Quem são os nossos Harvard? Os nossos MIT? Se por todo o lado “a má moeda tem sido bem sucedida a expulsar a boa” ? O centro científico do globo manter-se-á por longos anos do outro lado do Atlântico...

quinta-feira, março 01, 2007

O modelo da China e por cá está-se bem


O modelo chinês* não é muito original, capitalismo selvagem e ditadura sempre foram compatíveis. Por cá a parte da ditadura policial (pelo menos todos nos habituámos a pensar que é ela que permite escravizar as pessoas) tem sido dispensada através do espectáculo do circo dos media, onde os debates são o que são, com convites apenas às pessoas consideradas "moderadas". Aplica-se a censura um pouco por todo o lado, mas ninguém sabe, promovem-se alguns medíocres que vão dizendo umas coisas no cravo e outras na ferradura, deprimindo a capacidade crítica do público através da análise fácil e primária.
Faz-se o elogio do privado , elegem-se os funcionários públicos como os bodes expiatórios e procede-se à liquidação massiva do Estado, sob os aplausos dos trabalhadores do sector não estatal . Quanto aos 700 000 funcionários estatais, é facilímo! Primeiro anuncia-se algo devastador, fazendo tábua rasa da lei constitucional e de muitas outras, depois assegura-se que não há despedimentos e ninguém acredita. O funcionário Santos, precariamente politizado, encheu-se de medinho e faz como sempre, pensa com os seus botões: "pode ser que eu escape, que saia o Silva, a Clara e o Martins, mas preciso ainda de dois pontinhos para estar à frente deles definitivamente. Injusto, já que a Clara está sempre grávida, o Martins anda a estudar à noite e vem pr'aqui dormir e o Silva já deu o que tinha a dar". Claro que o Martins acha que o Santos e o Silva são uns incapazes e que a Clara é um perigo, ainda chega a chefe e não vale a pena dizer o que pensa a Clara dos colegas... Posto isto, por aqui, a polícia e as prisões políticas quase não são precisas. Até nos passa pela cabeça que Salazar não foi um Pinochet* não por ser um ditador mais democrata, mas porque cá havia muitos mais eunucos...
De explorar divisões sabe o governo e temos que admitir que o fizeram e o fazem com uma tal mestria... uma tal habilidade que o Mefisto se rói todo de inveja! Os nossos gloriosos anti-fascistas (dizem eles e, espantemo-nos, alguns pensam mesmo que são) os nossos ditos socialistas são os campeões da manipulação da inveja e do medo... Falta o "nacional" antes da palavra "socialismo"? Vistas bem as coisas, para quê o nacional, se internacionalmente os ventos correm a favor do neoliberalismo mais radical, mais descarado e desumano sob o beneplácito dos governos sociais democratas, socialistas e até comunistas? Está tudo a favor, para quê mudar nomes e trazer assuntos à baila que podem dividir os senhores empresários? Estes últimos são os venerados sacerdotes do deus que domina o mundo e acontece que nunca, com tanta facilidade, dominaram o globo como actualmente e alguns, percebendo a direcção dos ventos com o dedinho molhado, tornaram-se europeístas. Os semi-deuses senhores empresários ou senhores gestores, algumas vezes também chamados "capitães de indústria" para torná-los mais românticos, concordam numa coisa: está-se bem por cá, com este governozinho e a sua política "corajosa"...


* Nota: Embora à primeira vista possa parecer que pouco tem a ver com o que aqui acabou de ser dito, será interessante ler este artigo sobre a China
http://www.prospect.org/web/page.ww?section=root&name=ViewWeb&articleId=12329

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Zeca Afonso e os eunucos


Posted by Picasa

Muitas canções à solta de Zeca , por altura da efeméride, mas algumas incomodam ainda muito, são mesmo esquecidas... como "Os eunucos", tão infelizmente actual e tão intemporal... é que eunucos há-de haver sempre, tudo parece indicar! Há uma preferência pel"Os vampiros" talvez por se achar que são os outros sempre que comem tudo... Com "Os eunucos" é mais difícil escapar ao espelho da consciência... Os eunucos que estão sempre "de bem com tudo", os que dizem "eu cá dou-me bem com todos", "eu cá não gosto de tomar partidos", "eu cá não sou conflituoso", esses que afirmam que estão de bem com todos, para nunca terem de tomar posição que os possa vir a prejudicar, estão bem sobretudo com os tiranos enquanto "os mais são cortados às fatias", enquanto "os mais ardem em torresmos", ...hoje e agora é assim! Muitos desses eunucos prestam homenagem ao Zeca, na certeza de que a sua voz se calou...
Acham mesmo que se calou?
Para ouvir, procurar aqui

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Antena1: provas globais

É interessante ver como agora todos falam de rigor, mesmo aqueles que conduziram o sistema educativo ao facilitismo extremo. São os mesmos senhores que estão e sempre estiveram no ministério da Educação. Conseguem fazer piruetas argumentativas para provarem que sem provas globais e sem exames o ensino é mais rigoroso. Mantêm os exames a Português e Matemática porque não têm coragem de acabar também com esses, uma vez que sabem que os mesmos foram bem recebidos por muitos sectores da educação, quando Justino os introduziu. São aqueles senhores e senhoras os que têm mantido o sistema educativo tal como ele está, há 30 anos, sem rigor senão nos papelinhos cheios de cruzinhas e espacinhos que os profs têm que preencher. Para esses senhores , os papelinhos para os docentes preencherem é que são o "rigor". Com o objectivo de obterem na secretaria o que tornaram impossível conseguir na sala de aula, para "aumentarem" o "sucesso escolar" tornaram quase impossível reter alunos. Para os docentes, passá-los é o melhor que têm a fazer, se não quiserem que uma montanha de papéis e de reuniões inúteis se abatam sobre o seu horário já sobrecarregado de muitos papéis e de muitas reuniões inúteis. O professor tornou-se um escrevinhador de papelada, sobretudo no ensino básico. Alguns pais já vão à escola pedir para que retenham o seu filho mal preparado, mas nem sempre conseguem....
Mas tudo isto é conhecido e contestado por muitos há muitos anos, os resultados estão aí, a mostrar quem teria razão...
O ensino obrigatório determina que não é facultativo ir à escola , não significa que é dado a todos o diploma do ensino básico de forma administrativa. Retidos ou não, os alunos na escolaridade obrigatória devem estar na escola, não são delas expulsos quando são retidos. Eles abandonam porque o sistema não dá alternativas, com o ensino profissional e profissionalizante. O apoio, nos últimos anos, das equipas ministeriais à criação de cursos alternativos é dos poucos sinais positivos. Claro que nesse tipo de ensino as verbas vêm em grande parte da Europa....
Provas globais para selecção para o ciclo seguinte são necessárias, a meu ver, e de preferência nacionais. Mas não da forma como têm sido feitas, com peso insignificante, como se fossem mais um teste. Talvez seja de bom senso neste ano realizar só as provas de Português e Matemática num país de incerteza, do mais ou menos também quanto a exames e regimes de avaliação: durante o ano lectivo ninguém sabe como vai ser no final, vai-se vendo, vão-se esperando decisões de cima, vão se tomando decisões quando os de cima mandam que sejam os de baixo a decidir!
Não deveria ser permitido a ninguém inscrever-se num curso do 10º ano regular, na área de humanidades, se chumbado a Português ou na área de Ciências, se chumbado a Matemática. O problema no ensino em Portugal é, entre outros, o da falta de sentido da realidade. Os jovens só muito tarde tomam conhecimento da importância da formação exigente. São entretanto mantidos num "engano de alma", na protecção da escola e das notas fáceis. Stress escolar? Há também, por estranho que pareça . São as pontas extremas que determinam o que se passa na escola. Os filhos de pais com elevada escolarização mantêm os níveis de exigência, não porque estejam muito interessados em ver obstáculos na sua vida escolar (embora saibam que há mínimos necessários, apesar de tudo) mas sobretudo porque os jovens com certo nível de linguagem, habituados muito cedo ao raciocínio lógico-dedutivo, têm depois extrema facilidade em atingir os mínimos. O stress deriva de alguma exigência em casa a respeito das notas. Passando o dia na escola é natural que alguns alunos sintam que lhes falta o tempo para estudarem a extrema diversidade de matérias que lhes passa pelo dia... daí talvez, o stress. Não é a escola nem o sistema de ensino que determinam os padrões. São esses alunos e o apoio que recebem em casa que ainda mantêm a escola com algum rigor. Os profs há muito que têm vindo a depor armas...É que, se nem esses alunos privilegiados conseguissem atingir os objectivos, a escola recuaria ainda mais na exigência. Mas tem vindo a recuar ano após ano... não tanto como alguns gostariam quando vêem os seus filhos, com tudo em casa, mesmo assim "chumbarem". O ambiente entre alunos resulta do que a/s escola/s faz/em aos comportamentos transgressores. Quanto a isso é o que se sabe ou se julga saber pelo que transparece aqui e ali. Qualquer estudo externo ao sistema sobre disciplina ou segurança é atacadíssimo pelos ilustres representantes da pedagogia do facilitismo, como se viu quando a DECO publicou o seu inquérito sobre insegurança na escola. Muito interessante será ler o estudo da unicef "Child poverty in perspective: an overview of child well being in rich countries". Embora seja estranho que a Unicef agora se dedique ao estudo do bem estar nos países ricos, não deixa de ser esclarecedor dar uma olhada ao relatório. Mas ninguém terá tempo para isso: nem para ler, ponto por ponto, o ECD quanto mais estes estudos..É verdade, nem para isso nem para resistir à humilhação: a cabeça na areia, a cabeça baixa, a obediência canil são, de facto, a resposta de muitos....

Nota: sem querer ofender a espécie canina que tem acima de tudo uma qualidade: a lealdade, mesmo quando ataca, fá-lo de frente e olha nos olhos ...

sábado, fevereiro 03, 2007

Contas, cartazes e penas

Seria bom que o tribunal de Contas fosse isso mesmo para que foi criado, que a sua lupa se aplicasse um pouco por todo o lado onde haja situações duvidosas. O reizinho lá da ilha sempre fez o que lhe apeteceu e parece determinado a continuar. Claro que para a indulgência concorre o facto de ser um pândego... a ideia que faz da independência dos orgãos de soberania é interessantíssima, algo parecido com "que cada um roube quanto puder e deixe os outros roubar em paz" * ... tudo o que seja indagar é inaceitável interferência nos negócios alheios. Tudo isto dito daquela maneira de opereta é cartaz eficientíssimo para pôr o Pinho no esquecimento...
Embora divertidíssimas, as palhaçadas do Jardim não chegam para nos esquecermos da melhor da semana, que os militantes do Não afinal são, para além de santos e puros, magnânimos também, perdoando às "assassinas" desde que confessem e reconheçam que o são... embora alguns não dispensem as confessas criminosas de um servicinho cívico... talvez com um emblema na barriga, para exemplo, que tal a ideia caridosa, Dr Bagão Felicíssimo?
Que tal, dr Jardim, se as verbas que vão para o jornaleco fossem utilizadas para reduzir a pobreza numa das regiões portuguesas com indicadores mais altos de exclusão social ?
Que tal se o dinheirinho dos cartazes e do marketing profissional do Não fosse usado para apoio às futuras mães em dificuldades? Já agora, o do Sim fazia também muito jeito. Este gasto no referendo é inútil, dinheiro ao charco! Os senhores deputados quando há que legislar em questões difíceis devolvem ao mítico POVO a bola. Para se não sentirem obrigados a nada. E aí entendem-se todos muito bem...
Senhores deputados, que tal aprovarem uma lei decente de redução de impostos/atribuição de subsídios , uma lei de protecção DE FACTO à maternidade/paternidade à semelhança da França? Será que nesta matéria se entendem todos e vão dizer que Não?
O cantinho e seus apêndices no seu melhor... mais ou menos sim, mais ou menos não...

*Nota: Claro que Jardim não disse isso , mas a indignação com que falou aos jornalistas sobre a inaceitável ingerência do Tribunal de Contas na forma como são atribuídas verbas públicas do "seu" governo regional tinha toda a sonoridade de quem acha que a lei se não lhe aplica e de quem considera que pode fazer do dinheiro dos contribuintes o que lhe apetece...Mas atribuir verbas do governo a um jornal privado que contribui para o eternizar num cargo ao qual se acede por eleições é roubar descaradamente, Sr. Dr!!!!!!!

quinta-feira, janeiro 25, 2007

O debate da nação

O referendo à legalização do aborto? Não. A questão dos pais biológicos versus adoptivos, isso sim.
Na quadratura, Pacheco Pereira defendendo o prole-tariado e a sua visão do Direito e da Justiça à boa maneira do MRPP por redução ao absurdo e Jorge Coelho vertendo lágrimas, com o coração nas mãos. Assisti a cerca de 15min e chegou.
Nascida sob o signo da desgraça na terra do mais ou menos, desejo também o melhor à criança enquanto espera por Salomão...
A minha previsão para o referendo: mais ou menos sim, mais ou menos não.

A beleza e o rigor

A perfeição na execução técnica do espectáculo visto no video postado ontem: que saudade daquela impressão que tínhamos de que cultura europeia significava também cultura de exigência. Infelizmente a Europa vai também progressivamente abortalhando a qualidade. Honrosas excepções existem como a de Jerome Murat.
Como pode ser bela alguma vez uma obra executada às três pancadas? Como pode ser arte?Como pode funcionar um protótipo feito à pressa para chegar ao mercado antes da concorrência? Que beleza terá um space shattle muito aerodinâmico com escamas de peixe a soltarem-se pelo espaço???
Os gatinhos fedorentos fedem, de facto, quando executam como amadores quadros baseados, nalguns casos, em boas ideias. Fracos, muito fracos, na encenação e a RTP nem se preocupa em exigir-lhes qualidade ou pagar a quem sabe para os encenar. É pena e é sintomático da atmosfera geral que resulta do triunfo por todo o lado da mais inconsciente e despudorada mediocridade.
Porque será que este vídeo de Jerome Murat corre o mundo espontaneamente e em cadeia? E não tem "gajas nuas"!