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quarta-feira, maio 02, 2007

Eficiência técnica das escolas secundárias

Estudo de Manuel Coutinho Pereira e Sara Moreira, sobre a "eficiência" das escolinhas secundárias.
Função de produção: notas de exames nacionais. Ficamos a saber o que produzimos, aliás já desconfiávamos, quando apareceram os primeiros rankings. Conclusão do estudo: privatizem-se, apliquem-se "as práticas da gestão privada" às escolinhas todas, despachem-se os professores a mais (em relação à OCDE), invista-se parte da poupança assim obtida em equipamentos. Lá pelo meio, parece que a idade dos profs não é irrelevante...mas há o factor ambiente e então um efeito absorve o outro... e não se sabe qual deles é o determinante. Isso do ambiente também medido de forma discutível, os próprios autores reconhecem. E isso de controlarem para o ambiente e o efeito desaparecer acontece-lhes com outras variáveis. Pois, pois, ocorrem estas coisinhas sobretudo quando se pretende medir o incomensurável.....

E eu que ia ao boletim do Banco de Portugal procurar o tal parecer ou relatório em que se insiste na nota "tem que se baixar salários e flexibilizar o mercado de trabalho e bla, bla, bla..." entretanto encontrei este artigo interessantíssimo e resolvi ler. Acho até que deveria ser distribuído nas reuniões de encarregados de educação (dada a sua competência para avaliar professores, poderão compreender o estudo sem qualquer dificuldade) para garantir uma verdadeira discussão pública antes de se liquidar de vez a escola pública...
Entretanto sabem que mais? Desisti de procurar a prosa do Constâncio...

terça-feira, maio 01, 2007

César das Neves no seu melhor

César das Neves, o tal da designação de gafanhotos aos funcionários públicos, continua numa de eco ao Governo, e escreve coisas e coisas no DN (30 de Abril) sobre... os salários em Portugal, muito altos, diz ele, e dá umas voltas e cambalhotas: são os imigrantes que ficam com os empregos mauzinhos. Na demonstração põe até dois números: 232 mil e 170 mil, os desempregados e os empregos criados. Portanto, concluo eu: os 232 mil são todos Portugueses marotos que por tão pouco não trabalham e os 170 mil empregos criados são todos mal pagos e apanhados pelos imigrantes. Maravilha ou não fosse a Economia uma ciência... Help! Pelo menos há um aspecto positivo, os imigrantes ficaram bem na fotografia, como dando exemplo a todos nós: trabalhar no duro é que é, pagamento à semana, amanhã será o que Deus quiser!
Solução para os países com desemprego, ou seja todos : tornarem-se Indias. Portanto, a India devia tornar-se ela própria porque está bem longe do pleno emprego. Mas há um petit problème: e se todos se tornarem Indias ou Chinas, quem consegue o tal pleno emprego? Quem se tornar Nigéria, Níger, Burkina Faso, países que serão então os focos de atracção das deslocalizações devido aos baixos custos salariais? Diz ainda o brilhante e independente autor que salários altos só com produtividade alta. Pois, por isso os imigrantes deveriam ter salários altos, diz-se que são muito produtivos... pois, claro, mas imigrantes, é bom ter alguns no desemprego a pressionar os salários para baixo que com esta falta de mão de obra portuguesa (que não quer trabalhar por tuta e meia) os salários têm tendência à alta... isto não diz, mas pensa.
Pensam assim as baratas rastejantes que, em tempo de inundações, usam como jangadas as costas de outras baratas no desespero de se não afundarem: salve-se quem puder que eu já me safei! O que é o mesmo que dizer: a baratinha de baixo ia morrer na mesma, ao menos que seja útil à barata de cima. Lógica inabalável como todo o artigo de JCN.
Se fosse só César das Neves estaríamos bem...mas Constâncio não esperava eu que assim pensasse também; claro que o fará com argumentos mais sólidos, imagino, pois não li o relatoriozinho ainda, mas a mensagem é a mesma...