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segunda-feira, janeiro 21, 2008

Ameaça terrorista? Nem pensar


Não há ameaça porque eu acho que não há ameaça. Já disse e torno a dizer: Portugal é um país seguro!!!!Não vejo razão para desviar os meus mui solícitos funcionários dos seus afazeres actuais como a supervisão dos blogs profundos , limianos e muitos outros que apostaram em denegrir-me, para tarefas ligadas a uma hipotética ameaça terrorista. Cada macaco no seu galho e o Zapatero que se preocupe com a casa dele, que aqui sou eu que digo quando há ameaça ou não!!! Não querem lá ver... Todos sabemos que desde que cedi o forte ao ex-terrorista civilizado e bom pagador não há possibilidade de ameaça, os terroristas sabem que nós somos porreiros, pá...tenho mais que fazer, tenho muito que fazer hoje como corrigir as contas do deficit e da inflação, mas posso agora ir tomar o meu pequeno almoço?

segunda-feira, outubro 01, 2007

Medidas pro natalidade, orçamento e função pública

Hoje, na antena 1, o tema era subsídios à grávida e abonos de família. Antes de mais nada, tenho que dizer que como medida anti-aborto, o subsídio é boa ideia. Claro que vão aparecer grávidas falsas mas são riscos a correr; também se sabe que o subsídio pode ser bebido, injectado ou fumado pelo pai da criança ou pela própria mãe, mas será também um risco a correr inevitável. Quanto ao abono de família, claro que é melhor assim do que como estava, desde que não tenha efeitos perversos nos escalões do IRS. Não se entende muito bem o aumento do abono para rendimentos acima dos 5000 euros. Parece-me que nesses casos, um reforço dos abatimentos à colecta seria bem mais inteligente.
Mas como já nos habituámos, o governo toma medidas aqui e ali, sem coesão interna que não seja a das necessidades propagandísticas a activar os (ou reagir aos) resultados nas sondagens...

Na antena 1 , como sempre, são os homens a falar: que nada disso vai chegar para convencer alguém a ter mais um filho, sem dúvida. De registar o cinismo de Vieira da Silva: parafraseando, disse ele que os abonos são fracos mas em muitas famílias o aumento é considerável face ao pouco que ganham. Pois, o governo a que pertence Vieira da Silva e até ele próprio se calhar (embora nunca o tenha ouvido dizer tal barbaridade, mas posso ter estado distraída) acham (sobretudo pela voz do brilhante ministro Pinho) que isso dos baixos salários é uma grande vantagem comparativa. Então em que ficamos?
Este esforço para pagar subsídios ( a propósito, quando é que esta propaganda é aplicada? As grávidas de 3 meses já podem ir buscar o dinheirito ou vai ser como os computadores para os putos do 10º ano?) esse esforço orçamental, dizia, de onde vai ser retirado? Do aumento dos funcionários públicos? Já calculávamos todos isso mesmo... Alguns funcionários já verificaram que ganham agora muito mais do que ganharão no futuro os colegas que chegarem aos escalões de topo. E os profs titulares até assinaram um papel de aceitação de um determinado índice. Alguns acham que a assinatura de aceitação foi para ratificarem o congelamento até à eternidade. Por isso, já estarão à espera dos presentes de Natal. Não faz mal, os profs estão tão bem pagos, sobretudo se os compararmos com os profs da Ucrânia...que não se importarão de fazer esse sacrifício patriótico por mais um ano...
Greves estarão já a ser marcadas. Mas a classe, sobretudo a dos docentes já não tem pachorra. Greve só se calhar num dia com muitas horas de escola dizem alguns profs. Há professores que se sentem então autênticos fura-greves -uma coisa é não fazer greve e ir dar a sua aulinha, outra é ir substituir um colega que aderiu à greve. Há uma diferença colossal para alguns docentes com estruturas éticas sólidas. Os sindicatos deveriam pensar bem neste fenómeno novo, antes era só marcar a grevezinha à sexta-feira e estava no papo, agora, com aulas de substituição, é diferente. Por outro lado, há quem ainda ache que as greves contam como faltas...Não terá sido também a necessidade de destruir eficácia da luta sindical e com ela a capacidade negocial dos profs que esteve na base da casmurrice do governo em generalizar as aulas de substituição ao secundário? É que as substituições podem mesmo "lixar" uma greve.

Mas greve para quê? Sindicatos que nunca pensaram em fazer um fundo de greve, sindicatos que conseguiram à última hora privilégios para os dirigentes ( veja-se a regulamentação criada em 31 de Agosto permitindo aos dirigentes sindicais tomarem posse de titulares, continuando sem dar aulas, possibilidade recusada aos profs em requisição nos ministérios) sindicatos que desistiram da luta contra o novo ECD ao convocarem em 2006 apenas 2 diazinhos de greve em dois meses estão à espera agora de grandes adesões?

PS( às 19:52): para além de corrigir o nome do ministro dos baixos salários, esclareço que nada tenho contra os dirigentes sindicais terem o direito de progredirem na carreira, mas fica "feio" em terreno de negociação que deveria ser de princípios, apanharem uns "trocados". Os colegas deles, destacados ou requisitados no ministério, tiveram que optar entre a requisição e o lugar de titular. Alguns desistiram de ser titulares, desistindo, assim, de progredir na carreira de professor e mergulhando, sem rede, no vazio legal de vagas promessas sobre carreiras técnicas. E haverá muitas outras situações não acauteladas em sede de negociação.

sexta-feira, março 09, 2007

Direitos adquiridos?

"Mudar a constituição ? Eu cá não preciso, vocês (referindo-se ao Estado) é que têm esse problema, eu não" - estou a parafrasear Belmiro de Azevedo num programa de televisão, aqui há alguns meses.
Esta frase diz tudo sobre o que se está a passar neste país. O problema dos direitos adquiridos era esse o problema de que falava o empresário, aliás muito na mesma onda com o responsável do governo que já não sei quem era nem interessa, pois se calhar era mesmo Teixeira dos Santos ou alguém a seu mando.
Agora acham que descobriram finalmente como fazer para se livrarem de 75000 funcionários públicos, os tais parias ou "gafanhotos" (como lhes chamou o doutíssimo César das Neves) sem ser preciso tocar na constituição.
Também é interessante notar como a constituição não incomoda nada os empresários portugueses, pode ser até muito positivo, mas que dá que pensar, dá!
E mais não digo, vou ali fazer um chá de valeriana que a erva cidreira já dá pouco efeito...

sexta-feira, novembro 17, 2006

Política económica contraccionista

Inspirada na entrevista de Cavaco e vendo o estilo já consolidado de governação de Sócrates concluo:
Estas políticas procíclicas quando aplicadas sem um modelo subjacente sólido e claro de crescimento são apenas depressivas e deprimentes.
Quando os senhores que as promovem apenas esmagam o mais fraco dando-se a pose de grandes reformistas, apenas conseguem desmotivar, baixar o astral, irritar e revoltar todos os potenciais visados.
Quando aplicadas sob o lema "dividir para reinar" são apenas anti sociais, próprias de pessoas de má índole e apenas aumentam o nível de conflitualidade nas relações sociais, na empresa, na repartição e na rua.
Quando são aplicadas a eito e de forma obscura, sem pacto de regime com os cidadãos - o único pacto que se vislumbra existirá sob a batuta do PR entre os dois partidos que conduziram o país ao ponto em que está, não sendo portanto um pacto social - então a questão da legitimidade prefigura-se.
Quando são aplicadas sem critérios transparentes, apenas suportadas pela maioria parlamentar acrítica (aliás constituída na base de um discurso de campanha muito diferente daquele que fundamenta essas políticas actualmente) a questão da legitimidade pode configurar-se mesmo e portanto a eficácia da propaganda irá progressivamente diminuir.
Nunca passará pela cabeça desses senhores que os modelos bem sucedidos de crescimento passaram por acordos alargados, por pactos sociais?

(enviado ao Público para publicação)

terça-feira, novembro 14, 2006

Orçamento: tesouras, rosas e motoserras

Esta dá, apesar de ser muito delicada


Fonte: celebrate.com.br

Uma tesoura de peixe também serviria mas esta invenção tripla é melhor...


Fonte: raven


No entanto, para o efeito desejado pelo diligente governo do país no abate do monstro, é de escolher esta, sem margens para dúvidas até porque é bem mais "tecnológica":


Fonte : cantinho dos bixitus

sexta-feira, novembro 10, 2006

E o Estado parou?

Somos assim, a tibieza, o medo e a pequenez está-nos no sangue... Hoje, agora, a oportunidade de mostrar a todos que o Estado é necessário... e, no entanto, muitos, diligentemente, comparecem ao servicinho. Alguns, na educação sobretudo, esperando que os blocos estejam fechados com a greve dos funcionários, assim não se trabalha na mesma e não se desconta no salário. Somos assim também. Os mesmos que estão indignados (e com razão) são capazes de assim fazer. E quem manda sabe disto por experiência própria, porque assim também já fez, porque já torneou obstáculos oportunisticamente, podendo agora fazer discursos demagógicos, sem problema, estão também a arranjar maneira de se manterem no poder, não interessa como, não interessa o seu currículo anterior, que interessa isso? A ética já foi... já não é necessária, até porque a ética não é rentável portanto esmaga-se já. A ética há muito foi considerada excedentária por quem dirige o Estado e obviamente o sector privado não está disposto a absorvê-la já que dela não precisa. Honra seja feita, no entanto, aos muitos funcionários que apesar de tudo e muitas vezes prejudicando-se na sua carreira sempre a honraram e aos empresários que ainda a honram, poucos, como imagino, e pouco rentáveis, calculo também, já que têm de competir num ambiente de sacanice e oportunismo desenfreados!

quarta-feira, novembro 08, 2006

Défice, cortes orçamentais, invejas e ódios- who cares?

Folgo em saber que há mais gente que compara este estilo de governar ao do governo nazi. De facto, senhores do governo, vocês deram o tom, infestaram a atmosfera com a filosofia nauseabunda de que o não rentável deve desaparecer, de que não deve sobrecarregar os que "produzem", os "rentáveis". Inquinaram as relações inter profissionais deste país, tornaram mais pequena a gente pequena deste país, fizeram da inveja e do ódio a principal motivação para os apoios de que precisavam e precisam para continuarem a agenda neoliberal agora em voga por toda a Europa!
Os mais velhos , os deficientes, os funcionários de serviços públicos-que não são produtivos pela simples razão de que pertencem aos sectores até agora considerados dos bens não comercializáveis, como são a educação e a saúde - todos eles apontados como os párias, os culpados da situação. Foram vocês, não foi a última coligação governamental PSD/CDS de Santana Lopes, que tentou também, mas não teve tempo. Não, não foram eles, foram vocês! Vocês tentaram convencer o povo empregado no sector privado de que ele "à que era/é produtivo"(1), e que os trabalhadores do sector público eram/são "uns párias, uns chulos", nem mesmo deveriam considerar-se "povo português". Foi isso que disseram, é isso que dizem, foi isso que fizeram/fazem pensar, usando a repetição à la Goebbels: senhores do PS foi isso que fizeram, é isso que fazem!!!!!!!!!!!!!!Entretanto alegremente, os maus gestores da coisa pública, de " institutos" vários por aí, politécnicos sobretudo mas não só, continuam gestores das chafaricas que dirigem, distribuindo cargos aos amigos medíocres -estes agora estão todos de fileiras cerradas, à volta do seu benfeitor, seriam muito bem capazes de suportar os Pol Pot deste mundo, falta-lhes apenas o contexto nacional, que lhes não é ainda favorável, para fazerem desaparecer fisicamente pessoas que os incomodam, tentam no entanto matá-los civilmente, tornando-os redundantes, perseguindo-os até ao despedimento(2). A esses "gestores" chamam-lhes "presidentes" e nada lhes acontece sobretudo se forem do PS ou se fizerem constar que o são, ou se conseguirem convencer o ministro da tutela da excelência da sua gestão e das instituições que dirigem, excelência que não têm nem nunca terão, precisamente porque são incompetentes e abusadores dos cargos que ocupam, promovendo alegremente os piores e desprezando os melhores ou perseguindo-os na mira de deles se livrarem!!!!!!!!!!!!! Que lhes interessa se ao fim de cinco ou dez anos o Estado tiver de pagar indemnizações a essas pessoas cuja vida profissional foi destruída? Não são nunca esses senhores gestores a pagá-las pessoalmente, do seu bolso. As indemnizações saem do mesmo saco : os impostos, e como ninguém sabe, essas coisas ninguém denuncia, os jornalistas só vão farejar coisas picantes, who cares????????


Notas
(1) Quem serão esses "produtivos", o que será rentável , e o que de novo se produz em Portugal é outra história que me não ocupa aqui e nem pensem que aqui vão encontrar algo sobre isso alguma vez , há quem viva e singre copiando as ideias dos outros sem ao menos fazer referência ao plagiado como mera fonte de inspiração!

(2) Estão aqui ausentes siglas de partidos, não significando que considere inocentes os não mencionados. A escola de alguns desses gestores, a cartilha que os formou é muitas vezes a cartilha estalinista, do PCP e de outros, cartilha e prática cuja eficácia e tenacidade na perseguição de quem não "convém" é também conhecida! Ai é? Está a pensar que defendo que acabem os partidinhos e a política? Desengane-se! O que eu acho é que os partidos são apenas mais uma arena mas nunca a única onde as pessoas de bem, com uma coluna vertebral, coerentes com uma ética intrinsecamente humanista podem e devem marcar a sua posição mesmo que tenham que sofrer a claustrofobia do "quadrado" de que falava Alegre quando o deixaram só. A coerência total é o nazismo, não é possível ao ser humano mas não exageremos na cobardia e no chafurdar na lama como estratégia de sobrevivência, não é fácil ser-se santo mas marcar posição encoraja-nos e permite-nos não fugir do espelho de nós e incentiva outros a não esmorecer, a continuar a defender alguns valores universais como única base de sustento possível para a forma de organização social a que chamamos democracia!

sexta-feira, outubro 27, 2006

Corporações e subsídios para a guerra civil fomentada pelo Governo da República

Embora difícil de acreditar, há muita gente por aí defensora da redução drástica dos funcionários públicos e que toda a vida o foi ou mamou das empresas públicas ou foi e é delas "consultor". Essa gente aplaude o governo no seu frenesi de cortes nas despesas com o funcionalismo. Então são sempre os outros que estão a mais? Vossa Ex.a não? Será V. Ex.a excelente? Foi V. Ex.a também avaliado/a criteriosamente pelos resultados obtidos?
O Reino Unido e muitos outros consideraram há muito o funcionalismo da educação, por exemplo, como fora do Estado, os profissionais da educação não são considerados funcionários públicos. É que, de facto, trata-se de um serviço que pode ser prestado a nível privado: gostaria até de ver o que aconteceria se tudo fosse privatizado, ou seja, todos esses hominídeos que chamam corporações aos grupos profissionais que têm um discurso próprio, devem agora muito dinheiro ao Estado pela utilização dos serviços públicos, uma vez que há muitos colégios que apenas sobrevivem por terem bons professores que acumulam umas horas com a escola pública e que, de outra maneira, não aceitariam o negócio. Se os tivessem que contratar em pleno talvez tivessem que pagar ainda mais do que o Estado, dado o risco do desemprego passar a ser internalizado pelos professores. Paguem, meus senhores, paguem e vejam os colegiozinhos a contratar professorzinhos ignorantes mas baratinhos. O mesmo na saúde, as clínicas privadas têm do melhor porque esses senhores doutores que dão o nome à clínica trabalham ou trabalharam no hospital público onde estava o equipamento e onde estavam e estão as equipas completas que permitiram a esses barões terem o nome que hoje têm. Façam isso, mas avisem os funcionários, dêem-lhes o tempo a que têm direito para corrigirem trajectórias de vida, é que essas pessoas estão na faixa etária dos 45-50 e mais. Anuncia-se ameaça-se o funcionário anónimo para depois surgir a lista de chofre e sem pre-aviso. Trata-se de cidadãos não de delinquentes!!!!!!!!!!!!!!!! Meus senhores, estão a criar uma situação social explosiva e falta-vos ainda montar as S.S. e a Gestapo, que já existe, mas está ainda muito desorganizada.
A Odete esteve bem num debate com um qualquer desses, de que não retive o nome, nem estou interessada por ora em saber. Vai sair-vos bem mais caro o negócio da privatização do risco social, paguem depois também às polícias privadas para esmagar o exército de esfomeados ao qual se juntarão os humilhados e ofendidos.
E quanto aos que defendem a privatização parcial do risco social na segurança social, como pensam obrigar as pessoas a fazerem poupanças com o dinheirinho que não entra nos cofres do Estado? E se as não fizerem? É o Estado uma vez mais que os irá salvar da "miséria" na ponta final da vida? Com que dinheiro? O meu? O dos meus filhos? Não tenho aqui à mão um desenho adequado para ilustrar a resposta. Um só comentário final: Heil!

N.B. : Tenho que explicar em língua universal o meu uso frequente deste “heil”

When neoliberalism needs a socialist party to carry on its agenda, when a government is leading frustration and anger of the people and foccusing that anger on a social group- the civil employee- then I feel the right to compare those “socialists” with the “national-socialists” of Germany in the late thirties and early forties. Sorry if I offend some genuine socialists, but I can't hear your voice anywhere, the media are already controlled but the parliament is still functioning, as far as I know there was not a big fire there !!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, outubro 26, 2006

Défice e "excedentes" ou como é fácil governar em Portugal

Como é possível que tenham que ser os deputados a fazer as contas dos cortes para chegar a uma aproximação daquilo que poderá vir a ser uma grande opção de "pre-despedimentos" em massa na função pública! Agora é assim? Não se tem que explicar tudo, rubrica a rubrica, no Parlamento, para fazer aprovar o orçamento? Basta ter maioria e já está, é assim agora? É espantoso como eles são medíocres e pensam ser grandes reformistas! Como é fácil cortar muitos milhões na massa salarial, logo se vê, dizemos que os mandamos para a pré -reforma, eles ficam esperançados, afinal não é ainda a câmara de gás, e deixam-se ir docilmente para o matadouro, dizemos que é só um duche!!!!!!!!!
Heil!

terça-feira, outubro 17, 2006

Se concordarem comigo, temos acordo, se não, farei o que entender

Disse o governo, antes da negociação final com os professores. Boa! O V. ídolo de bigode não diria melhor, claro que em Alemão soará bem melhor (vou saber como se diz, mas agora não tenho vagar). É, de facto, um bom começo para "negociar", a ver se percebem de vez quem manda. Mas não, não vinha falar dos professores e do coro de asneiradas que por aí se tem dito e escrito sobre uma profissão de alta complexidade que todos pensam conhecer só porque todos passaram pela escola ou porque todos têm um filhinho que já há muito não controlam e que despejam nas escolinhas para que os professores o aturem durante o dia . Isto de ser só o dia de semana está mal, não se percebe porque se não inventou ainda uma maneira de obrigar essa raça de malandros a tomarem conta da criançada nos fins de semana, nas férias e também à noite para que os meninos não vão para os bares e discotecas gastarem-nos o taco! Nós, os papás encontrámos uns bons idiotas que têm espírito de missão, infelizmente esses idiotas, convencidos de que a missão é complexa e dura, também ganharam a mania de que deviam ter regalias. Senhores do governo, estão a trabalhar muito bem, que esses gajos já se andavam a recusar a dar nota para passar à nossa mui polida prole e a negar-se a aturar as suas naturais “infantilidades” que até agora chamam de “violência”, quando se está mesmo a ver que são apenas agressões verbais infantis, sem importância nenhuma, os meninos cá em casa também nos chamam nomes, são crianças, mesmo com 16 e mais anos não deixam de ser criancinhas, coitadas, precisam de ajuda, como diz o Sá! Onde é que já se viu, recusarem a razão de existirem, eles servem para isso, os profs, qual transmissão de conhecimentos qual nada, o meu filhinho aprende muito bem na Internet, escreve lindamente quando copia da net, e o raio da prof a embirrar com ele! Ponha-se na ordem essa corja que só mama o Estado! Estudem-se formas de os obrigar a organizar e vigiar meninos em colónias de férias qu’a gente temos um emprego a sério e precisamos de gozar as férias descansados sem a pequenada atrás com as suas normais birrinhas!
Mas eu vinha falar de estilos de governação e acabei a falar dos profs. Voltemos ao essencial, a coisas mais sérias. Muitíssimo bem, está-se no bom caminho, ensaie-se esta forma de gerir no Estado, deixem-se os ditadorezinhos mostrarem quem manda, estabeleça-se esta filosofia de gestão também nas escolinhas básicas e secundárias, deixe-se grassar o clientelismo mais mediocrizante e mesquinho, fomente-se o comadrio (não é erro ortográfico, é mesmo isso, comadrio, diz mais esta palavra sobre o ambiente geral entre colegas, homens ou mulheres, que decorre deste estilo, do que “compadrio” ) estimule-se a bajulice e esmaguem-se as vozes discordantes dos "conflituosos que não deixam o governo e os senhores gestores trabalhar", calem-se de vez aqueles que têm o terrível defeito de usar o cérebro que o criador lhes deu e, pior ainda, de expressar em alta voz, em reuniões de decisão, as conclusões resultantes desse uso...
A seguir, também no sector privado, vingará este magnífico estilo de gestão, que embora muito antigo, se auto-apelidou de "moderno": só falta a prisão política e a polícia nas empresas! A modernice vem daí, a polícia não é precisa, o medo à polícia está dentro da cabecinha das pessoas, é herança de Salazar e, como muito bem se leu recentemente no Abrupto, o terror do conflito é a herança que deixou o ditador… a prisão política não é precisa, o medo do desemprego e de não singrar na carreira chega por agora, funciona lindamente!
Este "contexto social" é, aliás, um dos critérios do Banco Mundial para estabelecer o ranking da "competitividade", a "autoridade"- a facilidade de despedir quem incomoda com as “manias” de que a lei deve ser cumprida é um dos aspectos básicos da "flexibilidade do mercado de trabalho". Aliás, esta forma de gerir é, de facto, o estilo de muita gente bem colocada e que, claro, faz constar das suas ligações à esquerda e ao partido do governo. Há um caso paradigmático, bem colocado na gestão dos politécnicos, que nem um mestrado tinha quando acedeu ao lugar de gestão, e que, sem qualquer curso de economia ou gestão e nem mesmo de engenharia, disse coisas avulsas a respigueito –não é erro, é a contracção de “respiga” com “eito”- do contexto empresarial nacional, tecendo glosas aos critérios do BM que mal conhece, para poder escrevinhar umas “palavras com liberdade". A liberdade que ele usa para sanear os que o não bajulam. E disto há infelizmente muito por aí! Tal como havia na Alemanha nazi, é sabido como muitos medíocres se libertaram dos obstáculos à sua carreirinha que alguns (de facto, muitos) professores judeus brilhantes constituíam e cujo único crime foi precisamente o facto imperdoável de não serem medíocres como os que os denunciaram e que deles alegremente se libertaram! Claro que estes nada disto conseguiriam sem as suas ligações ao poder nacional-socialista que por sua vez nada era sem os seus apoiantes difusos interessados em usar atalhos para singrar à custa do esmagamento de colegas melhores que eles…
Sobre o tal (que aqui fica como exemplo apenas) veio a constar recentemente, que saiu doutorado há pouco tempo por artes mágicas, talvez tenha apresentado o seu livreco, colecção do que tem escrevinhado em jornalecos locais a respeito de como se devem dirigir politécnicos públicos. Talvez tenha acrescentado em anexo os seus mui doutos e imparciais actos administrativos, cuja isenção já vem sendo conhecida na praça, a ilustrar como tem vindo a garantir a liberdade de expressão e os direitos humanos em geral, sobretudo o da não discriminação na instituição que dirige.
Esperemos que o Sócrates faça o mesmo, aproveite o tempo em que está primeiro ministro e peça equivalência ao doutoramento, submetendo uma colectânea de discursos a uma chafarica universitária qualquer que lhe branqueie eventuais balelas demagógicas de senso comum barato, que lhe dê o grau , não honoris causa, isso não vale, um a sério, coitado do homem, também merece, até não escreve mal: embora não seja científico o seu discurso, vamos lá, até soa bem e mete tecnologias em cada frase! Ele que junte os decretos-lei que aprova em conselho de ministros, em anexo, claro. Vamos lá, senhores professores das Universidades, sejam bonzinhos que nunca se sabe se não haverá frutos a colher dessa bondade, dêem-lhe também um grau em gestão ou mesmo engenharia, sempre é a sua área, e é pessoa convicta do que diz e frequentemente brilhante a falar, sempre merece mais que o tal!

quinta-feira, outubro 12, 2006

Párias, sanguessugas e tiros no pé

Abusem, espezinhem, chamem-lhes párias, chulos, sanguessugas, depois de uma vida inteira de trabalho, tantas vezes com horas e horas extraordinárias nunca pagas nem mesmo reivindicadas, no local de trabalho ou em casa e de tanta "carolice"...Mandem-nos tomar conta de velhinhos, obriguem-nos a dar aulas nas prisões, forcem-nos a transformar as escolas em prisões soft, infantilizando e desresponsabilizando ainda mais os nossos jovens, enviem-nos depois a limpar ruas e latrinas, façam isso tudo, a nossa dita opinião pública pode sempre tornar-se tão douta como era douta a opinião pública da Alemanha dos anos trinta: há que castigar os culpados e eles foram já identificados - os funcionários públicos, a maior parte deles, professores e médicos, colocados por concurso nacional nas escolas e instituições de saúde públicas*. É isso que lhe dói, à opinião pública, é que eles entraram com um diplomazinho que a maioria do mui douto público não tem, e sabendo que a nossa muitíssimo esclarecida opinião média, sobretudo a que fala nos fóruns das rádios e nos cafés deste país, já vai sendo de uma geração que não tirou o diploma mais porque não conseguiu do que porque não podia economicamente, percebe-se bem o mecanismo psicológico de tanta fúria contra os professores, os técnicos superiores dos ministérios e os médicos, que são de facto factura pesada no orçamento de Estado. Se os podemos pôr a trabalhar de graça, para quê pagar-lhes? Façam a seguir campos de trabalhos forçados como os da vossa saudosa Alemanha nazi, senhores deste governo, achais então que descobristes a pólvora, elegendo um bode expiatório! Meus senhores, pagai direitos de autor aos sobreviventes e herdeiros da boa tradição nazi e juntai nacional com tracinho antes do nome do vosso partidinho e ficará tudo coerente!
Belíssimo trabalho! No entanto, a eleição do empresário médio português como o novo tipo de herói e modelo a seguir não foi ideia assim tão brilhante, correu um pouco mal, dados os resultados de um estudo recentemente publicado a respeito da excelência da gestão do nosso sector privado! Claro que eles, os gestores do privado, não são excelentes por culpa de quem, de quem,..vejam lá se adivinham... do Estado, claro, desse Estado do qual o nosso dito "sector privado" tem sido ao longo destas décadas, uma verdadeira sanguessuga, dependente da corrupção deste e daquele, contando com o subsídio para isto e para aquilo, pressionando câmaras, governos e parlamento para legislar ou decidir a seu favor, mendigando apoios para cobrir riscos que deveriam correr por conta própria e o mais que sabemos, ou deveríamos saber, a respeito da apropriação privada da coisa que deveria ser pública por definição.
Senhores e senhoras decisores/as, ignorantes e medíocres, estudem História recente deste país (o século XX, para começar,talvez só o pós-guerra para não cansar muito): perceberão que tem havido e se mantém uma promiscuidade enorme entre o sector chamado "público" e o sector dito "privado" e que não convirá muito a este último abusar da ideia de que o Estado é o papão ou o monstro a abater! Cuidado com o pé ao carregar a arma!

*Claro está que me refiro aos concursos públicos nacionais, de médicos e de professores, com regras transparentes, com editais claros e gerais e não incluo portanto as paródias de concursos públicos que grassam por esses politécnicos fora!