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quinta-feira, julho 19, 2007

Texto de Nogueira

O email de cadeia tinha a informação de que os jornais têm o texto, esperemos que publiquem.
Foi difícil reduzir e mudar o tipo de letra e lembrei-me do tempo em que havia umas folhinhas pequenas,deixadas nas casas de banho por mão incógnita, com tipo pequeníssimo, algumas feitas em stencil, e as líamos à socapa...
É pena que grande parte desse medo tenha sido instigado pelos próprios sindicatos, a adesão ao concurso a titular resulta disso em parte.

Um texto de Mário Nogueira a circular por email

CHEIRA AO MEDO DO “ANTIGAMENTE”…
O actual governo, presidido por Sócrates, é violento. Não como outros que o foram antes. Quem não recorda, por exemplo, a violência cavaquista patente, pelo menos, em dois momentos inesquecíveis em que colocou na rua a polícia para reprimir manifestantes: uma vez, no tão célebre quanto triste episódio dos “secos” e “molhados” em que a polícia carregou sobre a polícia; outra vez foi a repressão na Ponte 25 de Abril contra quem contestava o aumento das portagens.
Era a violência física usada para que não restassem dúvidas sobre o poder de quem o detinha. Uma violência que, dada a visibilidade, chamava outros ao protesto nem que fosse para contestarem a própria violência. Contestar, na altura, custaria, quanto muito, o susto de ter de fugir à polícia, mas, para isso, bastava um pouco de argúcia e alguma preparação física.
Hoje é diferente. A polícia não actua da mesma forma. Mostra-se ao longe, identifica (de preferência sem dar muito nas vistas), anda à paisana e usa câmaras de filmar. Porém, embora a polícia se mostre menos, a violência existe talvez mais perversa, pois não deixa nódoas negras na pele. É a outra violência, a que sem deixar marcas exteriores ainda dói mais, aquela que semeia o medo e, dessa forma, contribui para que atinja os seus objectivos quem dela se serve.
Casos com o da DREN/Charrua, o da ex-delegada de saúde de Vieira do Minho, o do autor do blogue Portugal Profundo, as ameaças aos potenciais aderentes à Greve Geral ou o fortíssimo ataque que está a ser movido ao movimento sindical e aos seus dirigentes são sintomáticos do tipo de violência que procura instalar-se e que contribui para a generalização do sentimento de medo.
É o medo de falar, de dar a cara, de denunciar publicamente, de dizer as verdades, de protestar, até de comentar criticamente nem que seja à mesa do café. Sim, porque agora há, de novo, os bufos. E os bufos podem estar na mesa do lado, na secretária em frente, na esquina da rua… bufam para se prestigiarem diante do poder e, talvez assim, garantirem um bom futuro, apesar da sua mediocridade. E é neste caldo de cultura que vai crescendo o medo. O medo do processo disciplinar, do sinal vermelho no registo biográfico, do traço azul no texto, do esfumar da progressão na carreira, de perder o emprego e, assim, a casa, o carro, o futuro dos filhos…
Sócrates há dias, com o seu ar presunçoso, sorria junto de quem o contestava e, para as câmaras da televisão, informava o país de que era um “político democrático”, não fosse o país ter disso dúvidas. Mas será democrático o líder de um governo que fez regressar ao país a intolerância política, o delito de opinião, a violência que semeia o medo?!
Evitar que o medo se instale de vez é exigência que se coloca a todos os que acreditam nos valores democráticos. Nestas circunstâncias, lutar contra o medo não é só um direito que nos assiste, é um dever que se impõe a todos nós. É necessário que, sem medo, enxotemos os ditadorzecos que certas conjunturas promovem. Políticos que, ilegitimamente, abusam do poder que legitimamente conquistaram. São os salazarentos deste início de século XXI, sapato de verniz em vez de botas, que nem marcelentos merecem ser considerados.
Desconheço se um dia cairão de alguma cadeira, mas do poder tombarão sem glória, pois apenas os heróis são glorificados pelo povo. Quem ataca e fere os que menos têm e menos podem, jamais merecerá glória. Desses, o povo costuma dizer que “Deus nos livre deles!”, mas depois é o próprio povo que perde a paciência de esperar a intervenção divina e deles se livra. Estou convencido que será assim de novo…
Mário Nogueira, Professor, Coordenador do SPRC e Secretário-Geral da FENPROF

terça-feira, julho 17, 2007

Mário Nogueira- Antena 1

Levam certo tempo a chegar aos media os comentários de Mário Nogueira, já que não quero crer que a demora seja da responsabilidade da Fenprof. Hoje, a antena 1, finalmente, fez saber a opinião de Nogueira.
Responsabilização dos responsáveis no caso reformas negadas- punição dos mesmos, esclareceu.
Ilegalidades do concurso a professor titular. Fica a denúncia. Mais, duvido que aconteça.

quinta-feira, junho 14, 2007

Pessoas "relativamente feias"?

Margarida Moreira parece estar a ser influenciada pelo estilo Pinto da Costa: dá entrevistas aos jornais quando sente que a opinião pública está a virar . Só falta a TV. E eu pergunto: quem é esta senhora? Pinto da Costa, ao menos, sei quem é.
Serve tudo isto para reforçar os anticorpos que estou a ganhar em relação à FENPROF, que me parece agora relativamente muito feia, pois a dita pessoa foi, alguns anos, membro da direcção, a fazer fé no que dizem. Nem me parece haver incoerência, provavelmente a pessoa sempre foi autoritária revendo-se portanto, muito bem no estalinismo e tendo a democracia impedido o uso da menina dos 5 olhos, teria tido, agora e finalmente, a oportunidade de aplicar a arte. Possivelmente pretenderia calar em definitivo as pessoas . Mas parece ter metido água com esta última vítima que está bem ancorada. Espero que esta não se cale, já que das outras vítimas ninguém ouviu a voz.
Durante a semana manda fechar escolas e suspende profs. Porque não vai no fim de semana às manifestações contra o fecho de escolas e pela liberdade de expressão onde antes ia ou mobilizava para ir?
Pessoas assim , de coerência aparentemente nula e de carácter talvez relativamente duvidoso o que torna essas pessoas, a meu ver, relativamente feias, dá-me ideia de que haverá várias nas estruturas do ME e até nas escolinhas. Pessoas provavelmente cheias de frustrações derivadas do facto de, quiçá, sentirem que os profs dos ciclos mais adiantados não reconhecem o mesmo estatuto aos do 1º ciclo, pelo facto de talvez não serem amadas ou bem vindas nas escolas onde estão, por onde passaram em lide sindical ou de onde saíram, pelo facto de que talvez estivessem nos últimos lugares na lista do concurso nacional das colocações, cujos critérios parecem odiar e que finalmente desintegraram com esta talvez trafulhice chamada concurso para professor titular. Calculo que tenham tirado um dia para concorrerem, já que ninguém sabe o dia de amanhã.

Os termos em itálico estão a mostrar que ando a treinar o discurso adequado em democracia de maioria absoluta, com "dirigentes" que parecem muito azedos com muita coisa do passado pelo qual aparentam não querer responder e que tudo parece indicar, embora me possa enganar, estarem a projectar e transferir (na nomenclatura freudiana) nos e para os seus subordinados, esmagando-os e humilhando-os, sempre que podem, matando-lhes as perspectivas, a motivação e até, nalguns casos, matando-os civilmente, retirando-lhes o emprego e com ele todos os meios de recorrerem à justiça que, como sabemos não é gratuita.

Assim, nada de ofender , só colocar hipóteses, mera literatura, ninguém se pode ofender. Aconselhável a todos os funcionários públicos. Comecem a treinar, é relativamente fácil. Treinem com exemplos simples, como:- posso estar enganado(a) , mas parece-me que (a)o senhor(a) é uma pessoa que não diz a verdade ou -Posso não estar a ver bem mas quer-me parecer que não se pode confiar em nada do que diz.-Talvez seja erro grosseiro meu mas parece-me haver fortes indícios de que o(a) senhor(a) é incompetente. - Talvez haja erro de visão e muito mau gosto da minha parte mas o (a) senhor(a) afigura-se-me relativamente feio de carácter.
Mas nada de ofender a família, que normalmente não teve culpa nenhuma, se queremos referir-nos ao ADN, devemos dizer qualquer coisa como -tem a certeza que a senhora sua mãe é sua mãe natural ? Com o pai já não podemos dizer o mesmo pois estaremos a chamar nomes à mãe. Assim é, pois num país dominado por preconceitos árabes, temos sensibilidades extra a respeitar. Cuidado com as expressões do Norte e outros regionalismos, nem todos são Pintos das Costas, Valentins, Jardins ou outros (e outras) a dizer e fazer o que bem entendem quando e onde querem, como por exemplo mandar padres vereadores voltarem à sacristia...

E o país está a ficar cada vez mais relativamente feio.

sábado, maio 05, 2007

"Acabar os estudos" e adistribuição de tachos

Mais um "não dito" que os sindicatos não dizem nem dirão quando têm os sectores todos juntos-básico, secundário e superior- como a Fenprof.
Esta ideia do governo de fazer voltar à escola 1,5 milhão de Portugueses é boa, MAS A DIVISÃO POR CRITÉRIO IDADES PARA DISTRIBUIR OS TACHOS entre o ensino superior e as escolas secundárias, será correcta? O que foi anunciado foi que os cidadãos com com mais de 23 vão para as universidades, os com menos para o secundário. Porquê? Falta competência nas escolas secundárias? Falta espaço? Estamos só a falar dos cursos que implicam oficinas onde, de facto, o politécnico está bem melhor equipado que as secundárias depois da liquidação do ensino industrial pelas mãos do PCP e PS? Então tá bem, pague-se a preço de ouro uma formação que podia ser mais barata. E nos outros cursos, nos de contabilidade e comerciais, de informática... ou gerais como vai ser? Perguntaram às escolas secundárias? Há muitas escolas secundárias com cursos nocturnos. Escolas onde há professores todos os anos contratados com meio horário e sem saber o que lhes acontece no ano a seguir e que abraçariam a ideia com entusiasmo. As escolas secundárias têm e contratam todos os anos professores que têm o estágio pedagógico, estágio que a maioria dos profs da universidade e do politécnico NÃO TÊM. Onde foi isto negociado? Que prometeram os sindicatos aos despedidos do superior? E quem lhes garante que o trabalhinho vai para os despedidos e não para novos contratados amigalhaços do presidente e dos seus acólitos , sabendo-se da rebaldaria que vai no ensino superior politécnico? É que nas secundárias ainda é por concurso nacional, até ver. E é delas que vai sair o grosso dos excedentários do quadro - profissionais perante os quais o Estado tem OBRIGAÇÕES.
Quanto aos milhões que vêm para a formação profissional nem é bom falar, aí estão empresas em geral e empresas de formação em particular, babando-se todas...

sexta-feira, abril 13, 2007

Governo, PS, democracia e o modelo de crescimento

Com que então pressõezinhas sobre os media?! São estes os socialistas portugueses? Manter o poder a todo o custo e sobretudo à custa da máquina de propaganda, e para quê? O que me vem à ideia, não sei bem porquê, é que é para manter os privilégios deles, há muita gentinha a comer dos tachos governamentais e privados relacionados e muita outra gentinha que para tal se prepara. E todas as irregularidades, ilegalidades, crimes de corrupção, ganharam agora, também não sei porquê, uma relativização que quase os legitima... nojo, é o que sinto, um nojo imenso.
No sector da educação o silêncio dos sindicatos da FENPROF dá vómitos.
É assim, há dias cinzentos, de náusea matinal, deve ser por ser sexta-feira, 13, pois grávida não estou. Grávido está o país mas de um incubo - uma ditadura de engravatados medíocres cheios de retórica propagandística, usando amiúde termos como "sinergias", "mais/valias", "modernidade", "reformas" "tecnologias", "mérito", "qualidade","excelência", "certificação", "exigência", "inovação", "saltos/tecnológicos", "interface empresa/universidade" e outras palavras-chave de originalidade e conteúdo semelhantes, a sustentar a aplicação real e cega de um modelo de crescimento com base nas exportações, cujos pressupostos teóricos mal conhecem, marimbando-se literalmente para a busca de consensos na sociedade civil que os elegeu, modelo (seria melhor dizer conjunto de práticas e medidas avulsas) que se está a consubstanciar, na prática, num dos mais descarados, desumanos e prostituídos neoliberalismos semi-periféricos do mundo...


Talvez seja bom pensar numa IVG... com aconselhamento prévio, claro.

terça-feira, março 27, 2007

Maria de Lurdes: passeio no passeio da avenida

Um ano relativamente tranquilo para o Ministério da Educação. Dois dias ou três de uma greve inconsequente no 1º período e nem uma no segundo. Parece estar tudo a favor, sindicatos, ministra, secretários de Estado, eles entendem-se todos muito bem. Há mais uma greve marcada para Maio, com a função pública, de um dia, para picar o ponto, já que um sindicato deve fazer pelo menos 1 dia de greve por ano, quanto mais não seja para isso mesmo, mostrar que é sindicato e não governo, evitar a confusão que pode surgir dada a grande promiscuidade entre os dois. A classe, por outro lado, até lhe convém, um diazinho para marcar posição e nem se nota muito no fim do mês.
Uma classe com brio teria encetado uma greve contínua até o ME recuar no seu repugnante estatuto da carreira, no ignóbil concurso a comendadores, no concurso de professores que parece não ser, também, pacífico.
Algumas escaramuças aqui e ali, mas na generalidade, um passeio no passeio da avenida por onde se passeia o presidente do conselho, José Sócrates Sousa.