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segunda-feira, maio 12, 2008

Causa justa ou justa causa?



Encontrei por acaso este vídeo, não assisti ao programa em causa.


Se foi despedido não sei, nem quais os motivos para o processo. Por inadaptação não será uma vez que o novo código de trabalho não está ainda em vigor. Talvez inaptidão...para a exploração resignada, humilde e silenciosa. Pensa e fala demais.

domingo, fevereiro 03, 2008

Ai não vão de feição?

"Capitalismo financeiro

A crise financeira mundial e os problemas financeiros em alguns países (crédito subprime nos Estados Unidos, Banco Northern Rock no Reino Unido, BCP em Portugal, Société Générale em França) dão razão aos que denunciam os défices e falhas graves nos sistemas nacionais e internacional de regulação financeira e que reclamam a intensificação regulatória que a gravidade dos factos justifica e que a crescente complexidade dos sistemas financeiros (titularização, produtos estruturados, etc.) exige.

Decididamente, os tempos não vão de feição para o neoliberalismo...


segunda-feira, janeiro 21, 2008

Ameaça terrorista? Nem pensar


Não há ameaça porque eu acho que não há ameaça. Já disse e torno a dizer: Portugal é um país seguro!!!!Não vejo razão para desviar os meus mui solícitos funcionários dos seus afazeres actuais como a supervisão dos blogs profundos , limianos e muitos outros que apostaram em denegrir-me, para tarefas ligadas a uma hipotética ameaça terrorista. Cada macaco no seu galho e o Zapatero que se preocupe com a casa dele, que aqui sou eu que digo quando há ameaça ou não!!! Não querem lá ver... Todos sabemos que desde que cedi o forte ao ex-terrorista civilizado e bom pagador não há possibilidade de ameaça, os terroristas sabem que nós somos porreiros, pá...tenho mais que fazer, tenho muito que fazer hoje como corrigir as contas do deficit e da inflação, mas posso agora ir tomar o meu pequeno almoço?

sexta-feira, outubro 12, 2007

Finanças : e os tais 75 000?

Então e os 75000 que prometeu exterminar? Quando é que o senhor os tenciona enfiar no desemprego ou nos comboios ou na incineradora? -pergunta o solícito jornalista, tentando assim garantir o apoio dos aparelhos partidários- futuros detentores do aparelho de Estado- e quem sabe lá ,arranjar um tacho como assessor de imagem de um desses que vêm veementemente defendendo o emagrecimento do monstro ao mesmo tempo que vêm exigindo justiça, educação e saúde céleres, eficazes e de qualidade providas pelo mesmo aparelhinho....Ou, o que é ainda mais cínico, exigindo a redução da despesa pelo lado puro e duro do não provimento, contando com a degradação do Estado social para os grupos privados poderem ter o seu mercado assegurado através da venda daqueles servicinhos, mantendo o pessoal menor (e menos menor) a contrato precário (sendo que o maior tem sociedade e arrecada os lucros) e pressionando o Estado para garantir o apoio dos subsistemas de financiamento de parte dos antigos utentes do SNS ou da educação pública para poderem alargar um pouco a freguesia e portanto os lucrozinhos....
Uuff-pensa o mesmo jornalisteco- ainda bem que consegui ser eu a perguntar primeiro, ó pra mim a desempenhar a minha função de bajulador...viram bem? ....repararam que fui eu, hem?

segunda-feira, outubro 01, 2007

Medidas pro natalidade, orçamento e função pública

Hoje, na antena 1, o tema era subsídios à grávida e abonos de família. Antes de mais nada, tenho que dizer que como medida anti-aborto, o subsídio é boa ideia. Claro que vão aparecer grávidas falsas mas são riscos a correr; também se sabe que o subsídio pode ser bebido, injectado ou fumado pelo pai da criança ou pela própria mãe, mas será também um risco a correr inevitável. Quanto ao abono de família, claro que é melhor assim do que como estava, desde que não tenha efeitos perversos nos escalões do IRS. Não se entende muito bem o aumento do abono para rendimentos acima dos 5000 euros. Parece-me que nesses casos, um reforço dos abatimentos à colecta seria bem mais inteligente.
Mas como já nos habituámos, o governo toma medidas aqui e ali, sem coesão interna que não seja a das necessidades propagandísticas a activar os (ou reagir aos) resultados nas sondagens...

Na antena 1 , como sempre, são os homens a falar: que nada disso vai chegar para convencer alguém a ter mais um filho, sem dúvida. De registar o cinismo de Vieira da Silva: parafraseando, disse ele que os abonos são fracos mas em muitas famílias o aumento é considerável face ao pouco que ganham. Pois, o governo a que pertence Vieira da Silva e até ele próprio se calhar (embora nunca o tenha ouvido dizer tal barbaridade, mas posso ter estado distraída) acham (sobretudo pela voz do brilhante ministro Pinho) que isso dos baixos salários é uma grande vantagem comparativa. Então em que ficamos?
Este esforço para pagar subsídios ( a propósito, quando é que esta propaganda é aplicada? As grávidas de 3 meses já podem ir buscar o dinheirito ou vai ser como os computadores para os putos do 10º ano?) esse esforço orçamental, dizia, de onde vai ser retirado? Do aumento dos funcionários públicos? Já calculávamos todos isso mesmo... Alguns funcionários já verificaram que ganham agora muito mais do que ganharão no futuro os colegas que chegarem aos escalões de topo. E os profs titulares até assinaram um papel de aceitação de um determinado índice. Alguns acham que a assinatura de aceitação foi para ratificarem o congelamento até à eternidade. Por isso, já estarão à espera dos presentes de Natal. Não faz mal, os profs estão tão bem pagos, sobretudo se os compararmos com os profs da Ucrânia...que não se importarão de fazer esse sacrifício patriótico por mais um ano...
Greves estarão já a ser marcadas. Mas a classe, sobretudo a dos docentes já não tem pachorra. Greve só se calhar num dia com muitas horas de escola dizem alguns profs. Há professores que se sentem então autênticos fura-greves -uma coisa é não fazer greve e ir dar a sua aulinha, outra é ir substituir um colega que aderiu à greve. Há uma diferença colossal para alguns docentes com estruturas éticas sólidas. Os sindicatos deveriam pensar bem neste fenómeno novo, antes era só marcar a grevezinha à sexta-feira e estava no papo, agora, com aulas de substituição, é diferente. Por outro lado, há quem ainda ache que as greves contam como faltas...Não terá sido também a necessidade de destruir eficácia da luta sindical e com ela a capacidade negocial dos profs que esteve na base da casmurrice do governo em generalizar as aulas de substituição ao secundário? É que as substituições podem mesmo "lixar" uma greve.

Mas greve para quê? Sindicatos que nunca pensaram em fazer um fundo de greve, sindicatos que conseguiram à última hora privilégios para os dirigentes ( veja-se a regulamentação criada em 31 de Agosto permitindo aos dirigentes sindicais tomarem posse de titulares, continuando sem dar aulas, possibilidade recusada aos profs em requisição nos ministérios) sindicatos que desistiram da luta contra o novo ECD ao convocarem em 2006 apenas 2 diazinhos de greve em dois meses estão à espera agora de grandes adesões?

PS( às 19:52): para além de corrigir o nome do ministro dos baixos salários, esclareço que nada tenho contra os dirigentes sindicais terem o direito de progredirem na carreira, mas fica "feio" em terreno de negociação que deveria ser de princípios, apanharem uns "trocados". Os colegas deles, destacados ou requisitados no ministério, tiveram que optar entre a requisição e o lugar de titular. Alguns desistiram de ser titulares, desistindo, assim, de progredir na carreira de professor e mergulhando, sem rede, no vazio legal de vagas promessas sobre carreiras técnicas. E haverá muitas outras situações não acauteladas em sede de negociação.

quarta-feira, setembro 26, 2007

População relativamente bonita?

Portugal chega ao século XXI com alguns indicadores positivos. Mortalidade infantil, natal e perinatal das melhores da Europa, por exemplo. População a crescer em altura, indicando também uma alimentação razoavelmente boa. Dentes bonitos a revelar assistência médica dentária, apesar de tudo, mais ou menos generalizada. O que faz com que a população jovem seja bonita. Apenas relativamente, pois o "tá-se bem" dos jovens é só bluff, uma espécie de "keep cool" adaptado aos nativos mas com muito fel à mistura, carregando-lhes os semblantes ; também as crescentes desordens alimentares vão fazendo alguns estragos na estética geral.
Daqui por uns anos e vendo as prioridades da maioria e até da oposição governamentalizável, como estarão as mortalidades? Como estarão os dentes dos Portugueses? Estaremos todos relativamente feios? Mais uma vez?
Porcos e maus também?...

PS: Por coincidência, depois de ter elaborado este post um dos telejornais revelou que menos de metade da população trata os dentes actualmente.

terça-feira, junho 26, 2007

Flexi-segurança ou flexi-money?

Cá estou, na minha hora de almoço aproveitando para descomprimir com a literatura:
Parece afinal que a flexi-segurança tem uma contrapartida para o trabalhador que sairá muito cara ao Estado- qual o problema?- o governo aplicará a parte da flexi esquecendo a segurança que soa até mal pois segurança só do Estado é que devia haver e depois matraqueará os media a dizer que temos flexi-segurança- e quem diz mal é porque não está informado. Temos e temos e temos um bom sistema, já disse que temos um bom sistema, temos reformas em curso, reformas essenciais, para termos um país avançado e muito tecnológico e a atrair muitos investimentos estrangeiros e muitos e muitos investimentos estrangeiros e nós engenheiros tudo faremos para que a Nokia não vá prá India ou outro lado assim, e tudo faremos para que a Autoeuropa fique e - viel Gluck- lido à inglesa que eu cá só sei inglês- e em finlandês nem com cábula sei dizer, por isso ficamos assim... -venham venham, pra quê ir prá Roménia, cá temos tudo, tudinho... temos know how e muita tecnologia e muita excelência, temos imensa tecnologia e bué, perdão, montes de excelência, temos tanta como os melhores dos melhores, nas nossas universidades e politécnicos, sobretudo nestes últimos e muita obediência por todo o lado e muito medinho e muito respeitinho que eu cá me encarrego dessa parte com o meu amigo Zé Camelo e também temos condições tributárias especiais só para transnacionais e auxílios específicos e até temos off-shores e allgarves e campos de polo e muitos resorts. Venham venham venham venham!

Flexi, flexi flexi flexi-money flexi-money flexi-money flexi flexi flexi flexi-money flexi-money money money money money-money money-money flexi flexi flexi money-money money-flexi ..........
(A música é conhecida).


Flexi-money, a via portuguesa!

domingo, junho 24, 2007

Qual a agenda do PSD? OU do PS? Ou de Cavaco? Ou do bloco central?

Lógica do PSD: Deixar Sócrates liquidar o Estado e disciplinar a contestação dos imediatos visados; impôr o código do Trabalho de Bagão Félix; impôr o RDM para calar os militares e o Regulamento Disciplinar dos Trabalhadores da Administração para calar os funcionários públicos.
Flexibilizar um pouco mais o despedimento.
Deixá-lo fingir que se moraliza a sociedade inteira com uma ou outra medida drástica que há muito poderia ter sido tomada para combater a fuga fiscal e um ou outro apito dourado para entreter a opinião pública.
Deixá-lo papaguear a retórica do ataque aos privilégios dos grupos profissionais seleccionados e dos "políticos". Deixá-lo fazer na prática o ataque cerrado aos primeiros deixando os segundos fora dos holofotes, numa boa.
Evitar qualquer crise de liderança no PSD pelo menos até às eleições, para que o PS possa ganhá-las de novo e acabar a obra.
Cimentar o bloco central.
Talvez por volta de 2012 após mudança de liderança em 2009 por desaire eleitoral, provocar eleições antecipadas e assaltar o poder ganhando eleições no pico de impopularidade e desgaste do PS.
Lógica do PS: eternizar-se no poder através do regime de terror, da propaganda nos media e do apoio do PR.

Disclaimer (agora tem que se fazer uma coisa assim parecida, aprendi no portugalprofundo mas a minha é diferente).
Tudo isto que acima escrevi, claro, me quer parecer no meu mundo ficcionado, não quer dizer que se refira a Portugal. Nem mesmo se confirma que o dono do IP se reveja neste conteúdo. Estamos no domínio da literatura, único lugar onde podemos ainda ter liberdade de expressão de opinião quanto a figuras públicas no poder.

quinta-feira, maio 03, 2007

Paulo Macedo, a nomenclatura e a tecnoestrutura

Claro que o Macedo é bom: resultados provados, mas ele e os executivos de bancos serão só 50 vezes melhores funcionários que os simples atendedores de chamadas pagos ao salário mínimo?
E todos os da nomenclatura e da tecnoestrutura privada e pública, em coro, dizem: os salários estão altos demais. Pois com pre-distribuição de lucros à nomenclatura ou tecnoestrutura através dos salários principescos, a entrarem como despesas, e portanto, a descontar nos lucros que serão encaixados pelos mesmos pelas mais variadas maneiras a evitar o fisco, a tecnoestrutura vai dizendo que é preciso flexibilidade do mercado de trabalho e salários baixos: é que os lucros dos bancos estão pelas ruas da amargura, as dificuldades são muitas, pobrezitos... E, claro, somando tudo tudinho eles são 1000 vezes melhores que os tais contratados à semana, sobretudo a arranjar maneira de encaixar para eles o esforço de muitos. Os míseros contratados têm que agradecer a esmola do emprego e rezar de joelhos perante o CRIADOR de empregos... o mesmo que preferia contratar ao dia mas é impedido pelo raio da rigidez do mercado de trabalho.
Paulo Macedo é bom a cobrar, sabe de fisco e de esquecimentos, sabe bem, por experiência própria, como é preciso lembrar os contribuintes das suas obrigações...

quarta-feira, maio 02, 2007

Eficiência técnica das escolas secundárias

Estudo de Manuel Coutinho Pereira e Sara Moreira, sobre a "eficiência" das escolinhas secundárias.
Função de produção: notas de exames nacionais. Ficamos a saber o que produzimos, aliás já desconfiávamos, quando apareceram os primeiros rankings. Conclusão do estudo: privatizem-se, apliquem-se "as práticas da gestão privada" às escolinhas todas, despachem-se os professores a mais (em relação à OCDE), invista-se parte da poupança assim obtida em equipamentos. Lá pelo meio, parece que a idade dos profs não é irrelevante...mas há o factor ambiente e então um efeito absorve o outro... e não se sabe qual deles é o determinante. Isso do ambiente também medido de forma discutível, os próprios autores reconhecem. E isso de controlarem para o ambiente e o efeito desaparecer acontece-lhes com outras variáveis. Pois, pois, ocorrem estas coisinhas sobretudo quando se pretende medir o incomensurável.....

E eu que ia ao boletim do Banco de Portugal procurar o tal parecer ou relatório em que se insiste na nota "tem que se baixar salários e flexibilizar o mercado de trabalho e bla, bla, bla..." entretanto encontrei este artigo interessantíssimo e resolvi ler. Acho até que deveria ser distribuído nas reuniões de encarregados de educação (dada a sua competência para avaliar professores, poderão compreender o estudo sem qualquer dificuldade) para garantir uma verdadeira discussão pública antes de se liquidar de vez a escola pública...
Entretanto sabem que mais? Desisti de procurar a prosa do Constâncio...

terça-feira, maio 01, 2007

César das Neves no seu melhor

César das Neves, o tal da designação de gafanhotos aos funcionários públicos, continua numa de eco ao Governo, e escreve coisas e coisas no DN (30 de Abril) sobre... os salários em Portugal, muito altos, diz ele, e dá umas voltas e cambalhotas: são os imigrantes que ficam com os empregos mauzinhos. Na demonstração põe até dois números: 232 mil e 170 mil, os desempregados e os empregos criados. Portanto, concluo eu: os 232 mil são todos Portugueses marotos que por tão pouco não trabalham e os 170 mil empregos criados são todos mal pagos e apanhados pelos imigrantes. Maravilha ou não fosse a Economia uma ciência... Help! Pelo menos há um aspecto positivo, os imigrantes ficaram bem na fotografia, como dando exemplo a todos nós: trabalhar no duro é que é, pagamento à semana, amanhã será o que Deus quiser!
Solução para os países com desemprego, ou seja todos : tornarem-se Indias. Portanto, a India devia tornar-se ela própria porque está bem longe do pleno emprego. Mas há um petit problème: e se todos se tornarem Indias ou Chinas, quem consegue o tal pleno emprego? Quem se tornar Nigéria, Níger, Burkina Faso, países que serão então os focos de atracção das deslocalizações devido aos baixos custos salariais? Diz ainda o brilhante e independente autor que salários altos só com produtividade alta. Pois, por isso os imigrantes deveriam ter salários altos, diz-se que são muito produtivos... pois, claro, mas imigrantes, é bom ter alguns no desemprego a pressionar os salários para baixo que com esta falta de mão de obra portuguesa (que não quer trabalhar por tuta e meia) os salários têm tendência à alta... isto não diz, mas pensa.
Pensam assim as baratas rastejantes que, em tempo de inundações, usam como jangadas as costas de outras baratas no desespero de se não afundarem: salve-se quem puder que eu já me safei! O que é o mesmo que dizer: a baratinha de baixo ia morrer na mesma, ao menos que seja útil à barata de cima. Lógica inabalável como todo o artigo de JCN.
Se fosse só César das Neves estaríamos bem...mas Constâncio não esperava eu que assim pensasse também; claro que o fará com argumentos mais sólidos, imagino, pois não li o relatoriozinho ainda, mas a mensagem é a mesma...

quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril na AR

A missa correu bem, fora o doidinho cujo discurso gritado ninguém compreendeu.

Maria de Belém esteve bem, num discurso denso de referências, deu uma boa aula que também ninguém compreendeu. Disse "correcto/a", umas seis vezes, pelo menos: seria mensagem ao chefe do executivo? Talvez, mas muito subliminar.

A oposição à esquerda marcou os temas mais gravosos, zurziu, nada de novo a leste do paraíso, mas é importante que sobretudo nestes dias "sagrados" se afirmem as verdades e não apenas se dêem umas voltas na sopa morna dos consensos de um regime já consolidado.

Paulo Rangel esteve muitíssimo bem. Gostei do discurso mas sabemos que nada daquelas palavras se traduz em oposição às medidas de fundo do governo. Na realidade, para o essencial do mais gravoso que há a fazer para impor o capitalismo selvagem em Portugal, os senhores do PSD estão de acordo e pensam: deixa-os fazer a eles o mais odioso, nós ganhamos a dois carrinhos: quando lá chegarmos está já tudo feito e entretanto encaixamos dividendos eleitorais com o descontentamento, sem termos que fazer nada...

O PR fez perguntas, boas perguntas, acho bem, mas que comece por si próprio, não lhe fica bem (nem pode) pairar sobre os meninos grisalhos, levianos e egoístas da geração contemporânea da revolução do 25 de Abril: ele sabe disso e por isso usou o "nós", mas o tom e a pose não corresponderam a um acto de contrição.

sexta-feira, abril 13, 2007

Governo, PS, democracia e o modelo de crescimento

Com que então pressõezinhas sobre os media?! São estes os socialistas portugueses? Manter o poder a todo o custo e sobretudo à custa da máquina de propaganda, e para quê? O que me vem à ideia, não sei bem porquê, é que é para manter os privilégios deles, há muita gentinha a comer dos tachos governamentais e privados relacionados e muita outra gentinha que para tal se prepara. E todas as irregularidades, ilegalidades, crimes de corrupção, ganharam agora, também não sei porquê, uma relativização que quase os legitima... nojo, é o que sinto, um nojo imenso.
No sector da educação o silêncio dos sindicatos da FENPROF dá vómitos.
É assim, há dias cinzentos, de náusea matinal, deve ser por ser sexta-feira, 13, pois grávida não estou. Grávido está o país mas de um incubo - uma ditadura de engravatados medíocres cheios de retórica propagandística, usando amiúde termos como "sinergias", "mais/valias", "modernidade", "reformas" "tecnologias", "mérito", "qualidade","excelência", "certificação", "exigência", "inovação", "saltos/tecnológicos", "interface empresa/universidade" e outras palavras-chave de originalidade e conteúdo semelhantes, a sustentar a aplicação real e cega de um modelo de crescimento com base nas exportações, cujos pressupostos teóricos mal conhecem, marimbando-se literalmente para a busca de consensos na sociedade civil que os elegeu, modelo (seria melhor dizer conjunto de práticas e medidas avulsas) que se está a consubstanciar, na prática, num dos mais descarados, desumanos e prostituídos neoliberalismos semi-periféricos do mundo...


Talvez seja bom pensar numa IVG... com aconselhamento prévio, claro.

quinta-feira, abril 12, 2007

Resumo da Entrevista

"Não discutimos o Equilíbrio Orçamental nem o PEC e a sua virtude"
"Não discutimos o FMI, a OCDE, a Comissão Europeia, a Ota e a sua história"
"Não discutimos A Família Socialista (ou maçónica) e a sua moral"
"Não discutimos a Autoridade (do primeiro ministro) e o seu prestígio"
"Não discutimos a glória do trabalho precário e barato e o seu dever."

domingo, março 11, 2007

Concursos, quadros, graus e feminização da classe

Os sindicatos estão a cair na esparrela quando consideram o concurso para titular como um concurso para vagas do quadro. O que é um quadro de titulares numa escola ou agrupamento já com um quadro definido?? Não será que admitindo a existência deste quadro estão aceitando também à partida o que o ME se prepara para fazer aos professores conforme os anúncios de Teixeira dos Santos? É que dá a ideia que os sindicatos também concordam com novas regras para o concurso de nomeação embora digam que não...
Um professor do QND detém um lugar de nomeação definitiva e chegou ao escalão em que está por duas vias: ou tem o tempo de serviço ou tem graus. Se o professor do 10º não conseguir os pontos para esta fantochada de concurso a comendador, consideram-no o quê, um “apenas professor” que ganha indevidamente e por caridade do ME pelo índice de topo?

Falemos de graus: eles foram equiparados pelo anterior ECD a 4 e 6 anos para mestrado e doutoramento respectivamente, embora o máximo atribuível fosse 6. Acontece que, neste concurso, com os anitos valorizados a sete, teríamos 28 pontos ou 42 pontos e não 15 ou 30 pontos como propõe o ME. Aqui estão acumuláveis mas só sai com 45 pontos quem tem os dois graus, prejudicando quem, por ter nota de 16 na licenciatura, fez logo o doutoramento. Os graus obtidos devem ser valorizados a meu ver e sem sombra de dúvida. Se há muitos professores que não gostam de ver pontos atribuídos aos graus é porque os não tiraram.

Pois é, alguns não gostam que 15 pontinhos sejam atribuídos aos mestrados e outros não gostam de ver 18 pontos atribuídos a 2 anitos de presidente de directivo quando se sabe que alguns se candidataram às eleições para os executivos apenas para fugir aos horários zero que lhes caberiam por estarem no fim da lista de graduação para concurso. Acho que essa prática é legítima e até considero que o trabalho de direcção deve ser valorizado mas não na proporção proposta. É que acontece que os professores dão aulas e que as aulas devem ter qualidade científica e é também facto que alguns mestrados são mesmo mais valias na formação do professor do ponto de vista científico.
Há também os mestrados de pura pedagogia, alguns com teses em pedagogia da treta em desmultiplicação dos mestrados de Boston (conhecidos por outro nome) e que formaram os nossos magníficos dirigentes, cujas aplicações práticas contribuíram e continuam a contribuir para deprimir a inteligência da nossa juventude. Esses mestrados, penso eu e alguns como eu, têm valia discutível, no entanto, são esses mestrados em "educação" que serão provavelmente mais valorizados no final da discussão com os sindicatos. O sindicato reflectirá na negociação os sócios que mais peso tenham nas direcções. Sempre assim foi e continuará a ser.

Pois esta poeirada levantada pelos brilhantes dirigentes do governo que temos é óptima para eles, "tudo divididinho é que é...eu sou muito esperto" -pensará cada um desses cérebros- "sou muito bom nisto de mandar nas professoras... algumas dificuldades mas nada que não se abafe rapidamente com uns processozinhos ou a ameaça deles, o Teixeira dos Santos já vai anunciar a reforma da administração pública, é mesmo oportuno, fala-se lá em processo disciplinar e elas calam-se já com medinho". A maioria da classe é feminina e será talvez por isso que não reage aos insultos de cima, já estará habituada aos da sala de aula, e até quem sabe, aos de casa... é que oferecer resistência quando se está na cuba e alguém accionou a prensa de pisar vinho, requer alguma capacidade atlética...

E mais não digo , sai mais um chazinho de cidreira a ver se funciona, a valeriana faz um pouco de sono e nesta fase, estar alerta é necessário, não vá haver mais um anunciozinho dos nossos brilhantes governantes...

sábado, março 10, 2007

História e imbecis

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Dos imbecis não reza a História a não ser que tenham sido reis por herança. Nos meandros da democracia, que infelizmente não tem mecanismos de controle que impeçam este fenómeno, chegam muitos imbecis ao poder, através do mais puro oportunismo, da politiquice mais asquerosa, do nepotismo mais descarado. Eles podem fazer muitos estragos, mas a História nunca os nomeará, nem para o bem nem para o mal . Serão, no melhor dos casos, referidos de passagem nos talk shows, concursinhos e afins na tv e talvez nalgumas revistinhas similares. Serão ridicularizados pelos humoristas se não se mantiverem em low profile... e acham que isso é boa publicidade. Claro que é preferível uns imbecis aqui e ali que um não imbecil ditador; esse parece ser um dos preços a pagar deste sistema que temos, o menos mau deles todos. Mas não haverá uma forma de auto-controle da democracia para evitar este fenómeno dos medíocres no poder?

sexta-feira, março 09, 2007

Direitos adquiridos?

"Mudar a constituição ? Eu cá não preciso, vocês (referindo-se ao Estado) é que têm esse problema, eu não" - estou a parafrasear Belmiro de Azevedo num programa de televisão, aqui há alguns meses.
Esta frase diz tudo sobre o que se está a passar neste país. O problema dos direitos adquiridos era esse o problema de que falava o empresário, aliás muito na mesma onda com o responsável do governo que já não sei quem era nem interessa, pois se calhar era mesmo Teixeira dos Santos ou alguém a seu mando.
Agora acham que descobriram finalmente como fazer para se livrarem de 75000 funcionários públicos, os tais parias ou "gafanhotos" (como lhes chamou o doutíssimo César das Neves) sem ser preciso tocar na constituição.
Também é interessante notar como a constituição não incomoda nada os empresários portugueses, pode ser até muito positivo, mas que dá que pensar, dá!
E mais não digo, vou ali fazer um chá de valeriana que a erva cidreira já dá pouco efeito...

quinta-feira, março 08, 2007

Women's day

Women's day is not Valentine's day, it actually is a memorial for the women that died fighting for their rights. It is a feast day in countries where justice is assured, rights and opportunities are equal. It is a day of fight against regimes where women are still considered inferior, have fewer rights or none at all.
A history page made by women: http://www.un.org/events/women/iwd/2005/history.html

Portugal
Where have women been taking by full right some relatively well paid positions ? In public education and health care, because selection of staff for those services has been made by national contest, rules have been tighter and contest results more transparent, and is a well known fact that very often women have better school results than men. However, high management in government organization is mainly occupied by men: they have the referees, they have the visibility, they are involved in politics, and they make the laws. Portuguese state decided to dismiss 75000 state employees. Government has the plan to withdraw from education and health care, delivering progressively hospitals and schools or assigning their management to the private sector, putting an end to the national and open contest as selection procedure. Who will be selected in the future is an important issue but now the question of knowing who will be dismissed is much more dramatic. The bad professionals will be dismissed, not the good ones, government says, meanwhile teachers unions had to fight last week to make the decision makers of this country (socialists) not to consider pregnancy leave as a negative point in the evaluation of professional performance . This is just a drop from the top of the iceberg , this is just one symptom of the wide recovering of wild capitalism in Europe, a process that aims to destroy the welfare state and eventually the very sense of human rights, forcing most women and men to accept the role they had in early stages of industrial revolution !!!!!!!!!!!!

quinta-feira, março 01, 2007

O modelo da China e por cá está-se bem


O modelo chinês* não é muito original, capitalismo selvagem e ditadura sempre foram compatíveis. Por cá a parte da ditadura policial (pelo menos todos nos habituámos a pensar que é ela que permite escravizar as pessoas) tem sido dispensada através do espectáculo do circo dos media, onde os debates são o que são, com convites apenas às pessoas consideradas "moderadas". Aplica-se a censura um pouco por todo o lado, mas ninguém sabe, promovem-se alguns medíocres que vão dizendo umas coisas no cravo e outras na ferradura, deprimindo a capacidade crítica do público através da análise fácil e primária.
Faz-se o elogio do privado , elegem-se os funcionários públicos como os bodes expiatórios e procede-se à liquidação massiva do Estado, sob os aplausos dos trabalhadores do sector não estatal . Quanto aos 700 000 funcionários estatais, é facilímo! Primeiro anuncia-se algo devastador, fazendo tábua rasa da lei constitucional e de muitas outras, depois assegura-se que não há despedimentos e ninguém acredita. O funcionário Santos, precariamente politizado, encheu-se de medinho e faz como sempre, pensa com os seus botões: "pode ser que eu escape, que saia o Silva, a Clara e o Martins, mas preciso ainda de dois pontinhos para estar à frente deles definitivamente. Injusto, já que a Clara está sempre grávida, o Martins anda a estudar à noite e vem pr'aqui dormir e o Silva já deu o que tinha a dar". Claro que o Martins acha que o Santos e o Silva são uns incapazes e que a Clara é um perigo, ainda chega a chefe e não vale a pena dizer o que pensa a Clara dos colegas... Posto isto, por aqui, a polícia e as prisões políticas quase não são precisas. Até nos passa pela cabeça que Salazar não foi um Pinochet* não por ser um ditador mais democrata, mas porque cá havia muitos mais eunucos...
De explorar divisões sabe o governo e temos que admitir que o fizeram e o fazem com uma tal mestria... uma tal habilidade que o Mefisto se rói todo de inveja! Os nossos gloriosos anti-fascistas (dizem eles e, espantemo-nos, alguns pensam mesmo que são) os nossos ditos socialistas são os campeões da manipulação da inveja e do medo... Falta o "nacional" antes da palavra "socialismo"? Vistas bem as coisas, para quê o nacional, se internacionalmente os ventos correm a favor do neoliberalismo mais radical, mais descarado e desumano sob o beneplácito dos governos sociais democratas, socialistas e até comunistas? Está tudo a favor, para quê mudar nomes e trazer assuntos à baila que podem dividir os senhores empresários? Estes últimos são os venerados sacerdotes do deus que domina o mundo e acontece que nunca, com tanta facilidade, dominaram o globo como actualmente e alguns, percebendo a direcção dos ventos com o dedinho molhado, tornaram-se europeístas. Os semi-deuses senhores empresários ou senhores gestores, algumas vezes também chamados "capitães de indústria" para torná-los mais românticos, concordam numa coisa: está-se bem por cá, com este governozinho e a sua política "corajosa"...


* Nota: Embora à primeira vista possa parecer que pouco tem a ver com o que aqui acabou de ser dito, será interessante ler este artigo sobre a China
http://www.prospect.org/web/page.ww?section=root&name=ViewWeb&articleId=12329

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Sic notícias: EDP, governo e experts: todos de acordo

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Escrever na blogoesfera tem a grande vantagem de poder também ser uma espécie de pensar com os nossos botões sem grandes preocupações de documentação e de termos razão - as minhas interrogações e hipóteses acerca do financiamento do deficit tarifário na energia não se confirmam: não é o endividamento do Estado que o vai financiar, as próprias empresas vão pagar essa diferença com a renda das barragens que afinal era mais do que se pensava...Pois, serão mesmo as empresas que vão pagar essa diferença? Estamos a falar dA empresa ou há mais? Se ela vai pagar e não os consumidores que acontecerá aos lucros ? Ninguém, à excepção do jornalista, mencionou o tema lucros... então quem vai pagar, digam lá?
Interessantíssima a conversa entre os experts, tudo claríssimo, os raciocínios torpedeantes de Mira Amaral (a ter que explicar duas vezes mas talvez mais pela sua dicção do que pela falta de inteligência dos outros experts) explicando as descobertas brilhantes do ministro da economia, o outro expert (de que já não sei o nome) lançando referências vagas aos "outros custos" com cheiro a missão social e ambiental a justificar os preços altos que pagamos. Altos? Não tanto, pois abaixo do custo. Tudo limpidíssimo como água. Mas por falar em água, por que carga dela é que estes senhores passam a vida a falar de transparência, concorrência, flexibilidade de mercado e estão alegremente conversando acerca de como continuar tranquilamente a consumir energia abaixo do custo de produção, ao mesmo tempo dizendo que não, que aqui é tudo clarinho, que lá em Espanha é que é tudo escurinho e confuso. E como é que esta "taxa" que nos chega a casa que afinal serve para subsidiar tudo e todos não é definida em lei? Se pagamos mais que os outros, significa que todos na Europa subsidiam a energia. Estamos na época pós-Quioto, meus senhores...Mas pagamos mais 30% que os outros europeus... por causa dos custos disto e daquilo , eólicas e mais não sei o quê a cheirar a amizade ao ambiente...e eu a querer pôr as contas da luz na lei do mecenato em sede de IRS...
Sabem que mais? Eu, que não tenho acções da EDP nem a craveira de Mira Amaral, tenho sérias dificuldades em compreender a lógica de tudo isto. Então, não sei porquê, tenho esta impressão de que é desejável que venha o Mibel ou lá o que é: é que me dá a ideia de que serão melhores para o cidadão consumidor as soluções encontradas em Espanha mesmo na tal confusão entre entidade reguladora, blá blá, empresas, entidade legisladora, blá blá blá, mas onde as eventuais dificuldades são também repercutidas nas margens de lucros das empresas exploradoras da energia... mas pode ser uma impressão enganosa.