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sábado, maio 24, 2008

Duas confissões

Letra pequena pois digo muito em segredo:

Manda uma espécie de imperativo categórico que confesse que, para além do obrigatório e fundamental kaos eu leio, vejo, ouço e farto-me de rir ao ler, ver e ouvir o blog Braganza mothers (antes vicentinas) agora Arrebenta e os cavalheiros do apocalipse. Estes são mais claros nos posts ( vídeos) que o Arrebenta que às vezes encripta as mensagens, tornando a compreensão mais difícil para quem, como eu, não tem a respectiva "gramática", pois não lê os jornais todos, raramente assiste a um telejornal completo e quase nunca vai a foruns na net.

Apesar de não ser necessário,
nunca me atreveria a criticar esse tipo de blogues. Nem mesmo anónima. Por medo, confesso, e esta é a segunda confissão. Traumas da educação salazarista....

O vídeo dos cavalheiros do apocalipse ("o fim da tortura nas aulas"), que já foi visto por meio milhão de pessoas, está maravilha. Mas melhor ainda é o "gandas oportunidades".

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Educação em debate


Exemplos de redacções para estimular a meritocracia desde o primeiro ciclo do ensino básico:

Quando for grande eu quero ser um vencedor.... e vestir uma camisa rosa e usar uma gravata rosa choque e dizer a todos como tudo deveria ser organizado.

Quando for grande eu quero ser um vencedor e dizer a um qualquer agricultor perdedor que me não quisesse apertar a mão que fosse dar uma curva e chamar-lhe imbecil.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Al-cochette, O'ta e governação 3



Alcochete porque eu agora acho Alcochete porreiro, pá!




Eu defendi a O´ta? Jamais!



sexta-feira, dezembro 14, 2007

Blogoesfera esclarecida

Claro que o post de 08/12/07 sobre a blogoesfera apenas recobria a realidade dos blogs políticos (individuais ou colectivos) não ligados a jornais de imprensa em papel que indicam as fontes. Já se tinha entendido mas prefiro deixar aqui o esclarecimento.

Subentendidos entre membros das cliques ou "eles vivem"


"Eles", as máfias-bases dos caciques têm um forma tácita de se entenderem todos e cooperarem todos na operação limpeza: isolar as pessoas que tenham princípios éticos ou qualidade acima da média, tirar-lhes a voz chamando-as de "radicais", "sonhadores", "críticos de bancada" (isto depois da clique ter ficado com a bola e de as ter impedido de jogar , excluindo-as até da equipa de suplentes), "perturbadores do trabalho", "trouble makers", "maus-feitios" e outros mimos parecidos. "Eles" entendem-se tão bem a verem-se livres de quem lhes possa vir a fazer sombra, de quem lhes causa ou possa vir a causar alguma obstrução aos seus projectos medíocres, ridículos, mesquinhos , provincianos...sejam eles "congressos" designados de "científicos" organizados por referees que são "eles" próprios sob o guarda-chuva de um big shot qualquer doutro país que conseguiram levar à certa (ou que gosta de vir ao sol de Portugal de vez em quando).... "mostras" disto e daquilo, feiras disto e daquilo... artiguinhos que mandam para revistinhas com referees cozinhados da forma acima indicada... E é com este tipo de "provas dadas" que faz carreira chegando depressa ao topo o professor medíocre apaniguado pelo poder no ensino superior politécnico... Por que razão não fará carreira também o professorito do secundário com a organização de eventos e artiguinhos avulsos quejandos, não mais fracos de conteúdo do que muitos dos acima indicados... quem irá avaliar isso?
O mundo é "deles" e "eles vivem"... e "eles" ganham.
Quem ainda seja pessoa, coloque os óculos e reconhecê-los-á... é que eles sabem bem quem é quem, andam alerta e não precisam de óculos.
Resista se ainda tiver forças...


Nota: para quem já se não recorde do filme de Carpenter aqui está um possível link

sexta-feira, novembro 30, 2007

Greve da Função Pública

Antena aberta: difícil suportar os telefonemas de cidadãos indignados com as greves "numa altura destas". Acham que o governo está muito bem. Pois já prevíamos, as sondagens reflectem isso mesmo, mostram que há cidadãos que já escolheram bodes expiatórios e aderiram em pleno ao discurso nazi de culpabilização de grupos sociais específicos. Nem comento o conteúdo mais particular desses telefonemas de gente muito pouco interessada em saber o que se passa realmente, o que está realmente em questão, sedentos do sangue dos outros, mesmo que desse sangue nem beneficiem em nada. A diabolização dos sindicatos parece continuar a ser o leitmotiv do governo da nação que pretende a todo o custo separar os funcionários dos seus representantes para tornar os primeiros completamente dependentes da entidade patronal-a administração e as chefias. Os definidores das linhas da propaganda já desistiram da estratégia de apontar o dedo acusador à classe inteira- que parece ainda não ter esquecido os insultos- agora o executivo parece ter focado a mira nos sindicatos. Vinte por centro de adesão, dizem os detentores do poder (o poder absoluto de decidir do quotidiano e das expectativas de mais de um milhão de pessoas, o que se faz aos funcionários públicos faz-se também às famílias que deles dependem, que com eles planeiam um futuro). Os sindicatos dizem 80%. A média daria 50%. Pelo que é dito nos media , a adesão parece superior a isso.
O governo que impediu por muitos anos (e possivelmente para sempre) a formação de consensos entre Portugueses sobre algumas reformas necessárias, passará sem qualquer responsabilização (das pessoas concretas que alarvemente insultaram cidadãos cumpridores da lei) nem mesmo a História os julgará, já que os historiadores são uma raça em extinção, não economicamente viável, tal como a cultura humanista mais exigente , o SNS universal, a igualdade de oportunidades no ensino através da educação pública de bom nível de exigência. Tudo não economicamente viável, tudo a extinguir, assim mandam os ventos da negociança e da alta finança dominantes nacional e globalmente: na outra margem intelectual, lentamente cresce uma reacção ainda surda ao alarvismo oco e para já muitos repugnante do discurso dito "tecnológico", "empresarial" e "moderno"... Também para muitos excluídos e oprimidos voltam a fazer sentido algumas teorias nas suas versões populares muito simplistas mas eficazes que se pensavam mortas e enterradas por obsolescência e que nasceram no século XIX a resistir ao capitalismo selvagem pré-keynesiano... adivinhem quais são...
Pela(s) boca(s) morre(m) o(s) peixe(s)... tanto o cherne como o chicharro(*).

Nota : o chicharro era o peixe que a minha avó comprava para o gato, era considerado não próprio para a mesa remediada. Nesse sentido o usamos no texto.

terça-feira, setembro 11, 2007

Agressões culinárias

Acontece que a culinária pode conter mais clivagens entre povos do que a religião sobretudo para uma geração mais jovem. Assim, o peixe português atreve-se a apresentar-se à mesa com cabeça, olhos, boca e dentes e esqueleto interno (vulgo espinhas) enquanto o salmão do norte da Europa é muito mais educado apresentando-se em filetes sem espinhas nem olhos nem cabeça. Também a canja de "miúdos" portuguesa é um desafio para certas culturas. Deus fez a galinha com fígado, o que pode arruinar o sucesso do chefe cozinheiro se o comensal descobrir que o fígado foi incluído na canja. Assim, há que decapitar previamente os peixes e desfigadar as galinhas nalgumas recepções diplomaticamente mais complicadas.

quarta-feira, julho 18, 2007

E não se pode dilui-los?


Erros nos exames nacionais? Mas exames, há muitos, erros graves dois. O problema, mais uma vez dilui-se. Responsáveis? Não há. A colocação da questão da responsabilidade é espúria. Há tantos responsáveis que a responsabilidade se encontra também diluída.
Grande fenómeno da física, este da diluição. Está ele na base da homeopatia, mas as proporções são muito diferentes. Deixar passar um erro nos exames nacionais em cada vinte anos, poderá ter maior eficácia do que a ausência total de erros durante uma eternidade se o objectivo for uma salutar aversão ao dito. Pelo contrário, a repetição de erros muito próximos no tempo, sem nenhuma consequência para quem os comete, provoca antes uma banalização e com ela uma auto indulgência ou mesmo uma validação do hábito de cometê-los, naqueles que estejam bem posicionados para escapar às consequências. Quem "corrige" o erro não é quem o comete. Quem sofre as imperfeições do erro e da emenda acaba por se cansar e resigna-se.

As correcções introduzidas são discutíveis. E o tempo que se perdeu durante a prova a tentar entender o impossível?
Assim é noutras situações... perde-se um tempo louco a tentar perceber a lógica de certas altas decisões que se apresentam vestidas com a indumentária da "criação de emprego", do "progresso tecnológico" , da "modernização", das "reformas necessárias" , da "defesa do ambiente" e até da "defesa do Estado social"; quando se descobrir que as decisões nada têm a ver com aqueles conceitos ou objectivos, já se perdeu um tempo doido. Não há factor de correcção que reponha o mal feito. E a responsabilidade também está diluída, ninguém nos mandou ser burros. Há quem tenha visto logo ....

E continuam, na boa, mais responsáveis e menos responsáveis por erros graves de governação, de estilo de gestão e de linguagem, estão todos de pedra e cal. Não há nem uma pequena remodelação. Não se pode dilui-los?

sexta-feira, julho 13, 2007

Avaliação de profs

O coordenador de departamento é eleito. Se houver 3 titulares nada impede que seja escolhido o menos graduado. Sua excelência irá ser avaliado pela inspecção. Depois, avaliará titulares mais graduados*, na boa. Giro. Se houver poucas horas para perfazer horários, mais giro ainda.
Cada cavadela...


*A graduação por pontos é ridícula , pensava no tempo de serviço, nota profissional, graus. Há quem goste dos pontos mas também pode acontecer o mesmo.

sábado, julho 07, 2007

Alguns desafios aos cidadãos e responsáveis da Porcalândia

-Pessoas interessadas na blogoesfera- para quando a criação de meta blogues que optimizem informação e reunam pessoas para a acção política?
-Europeístas convictos- para quando a defesa da donzela (embora já pouco) Europa e o que ela significa ou significou como espaço de democracia e de segurança social enquanto ganho de civilização?
-Bloco de Esquerda (Fernando Rosas e outros)-para quando uma explicação sobre a diferença entre os conceitos de "deriva neo-liberal" e "política de direita"?
-Ministra da educação- para quando a demissão do seu secretário de Estado Vale-te Demos que a arrastará ao declínio político pela mediocridade e ilegalidade de todas as decisões por ele aconselhadas e finalmente ao atoleiro da lama do clientelismo de prepotência de onde ele vem e de onde a senhora ministra quero crer que não vem e onde provavelmente não gostará de se ver incluída quando se fizer a História dos ministros da educação deste país?


Disclaimer-continuamos no domínio da ficção

quinta-feira, julho 05, 2007

A 4 de Julho

Henrique Viana, mais um que se pautava pela exigência, que tudo indica ter sabido fazer compromissos sem nunca ter perdido a espinha dorsal, mais um exemplar de uma espécie em extinção, mais um que parte. Cedo, muito cedo. Ironicamente, ou talvez não, a 4 de Julho, um dia de libertação.

sábado, maio 26, 2007

Titanic 2



Excelent work, perfect hoax!

Nota: Não, não é piada ao governo desta vez!

sexta-feira, maio 25, 2007

Perfil: Mestre Eng. Mário Lino Soares Correia, o gracejador das obras e o Professor Doutor Eng. Nunes Correia, o curador do AMBIENTE

Do perfil de Mário Lino no Portal do Governo:
"Concluiu a parte escolar e foi aprovado no exame para obtenção do grau de Doutoramento em Hidrologia e Recursos Hídricos pela Universidade do Estado do Colorado (USA), em 1972"

O que quererá isto dizer? Que foi admitido na pré-selecção dos que queriam um dia vir a ter o grau de doutoramento na universidade do Colorado, mas nunca o obteve ? Hão-de concordar que é dúbio, muito dúbio. O colega deste senhor, colega de governo, do Colorado, de ISTécnico e de LNEC e sobretudo do cluster ÁGUA (não sei se também das lides sindicais, da Caminho e do Avante, mas cheira-me que não e não consta no portal) o Professor Doutor Francisco Carlos da Graça Nunes Correia, que tem a pasta do ambiente, tem o grau da mesma casa, no Colorado e tem mais.
Mas não estão em causa os curricula, apenas registar coincidências interessantes. E constatar que é pena que nenhum dos curricula (o do professor melhor que o do outro, claro está, apesar do registo na Ordem dos Eng.) é pena, dizia eu, que nenhum tenha produzido grande coisa no governo. O país e o ambiente, o território definido como de reserva ambiental, mesmo o território de domínio absoluto e reservado do Estado, leitos de rios, linhas de água, arribas e costas, tudo a saque, ao sabor dos interesses inconfessos da especulação OTÁRIA, ao sabor do mando e desmando dos caciques do poder local, que passam licenças com o beneplácito do Ministério do ambiente, para destruir matas nacionais históricas, linha costeira de defesa, reservas ambientais, recursos hídricos e tudo o mais que puderem- a mãe, o pai, o avô e a avó, e de caminho, os avós egrégios também, o futuro da prole dos próprios e sobretudo da prole dos outros, enfim, tudo o que lhes estiver à mão e soe ao vil metal.
Não acreditam? Venham ver o que vem acontecendo à linha costeira do centro, por exemplo, a sul de S. Pedro de Muel, venham ver o que tem vindo a acontecer à mata NACIONAL de D.Dinis, à beira da estrada mais ocidental que a atravessa, paralela ao mar (partindo de S.Pedro, direcção Nazaré). Câmaras envolvidas? Marinha Grande e Alcobaça pelo menos, depois haverá outras a sul e a norte que o fenómeno é, infelizmente, contínuo e generalizado. Ministério envolvido? O do ambiente, neste caso , noutros também o das Obras.
Na verdade, a "paisagem" é esta, a Sul e a Norte do Tejo... Quanto à água, não duvido que ambos sejam profundos conhecedores da mesma, sobretudo na arte de "a meter"....
Eng. Lino, vá de passeio
(por exemplo para a Holanda) aprender qualquer coisinha que bem precisa quanto a localizações aeroportuárias e não diga mais disparates. Para isso tínhamos um especialista: o ministro da Economia. Cada macaco no seu galho.


Disclaimer ( não tenho tempo para responder nos tribunais sumários do regime do regime facho- socialista. Tenho medo pois)
Tudo isto que acima escrevi, claro, me quer parecer no meu mundo ficcionado, não quer dizer que se refira a Portugal. Linos há muitos Correias ainda mais. O que está nos links foi o governo que escreveu. Nem mesmo se confirma que o dono do IP se reveja neste conteúdo. Estamos no domínio da literatura, único lugar onde podemos ainda ter liberdade de expressão de opinião quanto a figuras públicas no poder.

quinta-feira, maio 17, 2007

Au, au



"Não digo onde está a minha cadela, não digo, não digo, não digo."

quinta-feira, maio 10, 2007

Lisboa: boas cartadas de antecipação

Roseta e Nogueira Pinto: bem, muitíssimo bem! "Qualificação das candidaturas", como disse muito bem a última.
A ver vamos, qual a reacção dos corvos...
Ainda haverá esperança?

sábado, março 03, 2007

Se Rómulo de Carvalho concorresse a titular

O ME, ao lançar à discussão este aborto jurídico chamado concurso para professor titular conta com a divisão entre os professores. Claro que quem viu algumas licenciaturas a sair das ESEs e das abertas não gostou muito...Claro que quem não esteve a matar a cabeça com os graus de mestre e doutor acha bem que nada pesem... Mas ele há mestrados e mestrados e cada vez mais o doutoramento tem muitíssimo que se lhe diga, é ler algumas teses...
No entanto, neste concurso,o que é sobrevalorizado é o papel de manga de alpaca e de ter estado recentemente a mandar nos outros, isso sim. Note-se que 4 anos de presidente do executivo dá 36 pontos (desde que seja no período de 1999 a 2006), enquanto o doutoramento (que representava, no passado, 5 a 6 anos de trabalho, feito em muitos casos sem reduções de serviço) é valorizado com 30 pontos apenas.
O que é quase certo é que Rómulo de Carvalho (se, por hipótese, tivesse havido um concursinho assim no tempo dele) muito provavelmente não seria colocado em vaga de titular se, por exemplo e por acaso, nos 6 anos anteriores ao concurso não tivesse estado a orientar estágios, coisa que fez durante muitos anos, como sabemos!

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Antena1: provas globais

É interessante ver como agora todos falam de rigor, mesmo aqueles que conduziram o sistema educativo ao facilitismo extremo. São os mesmos senhores que estão e sempre estiveram no ministério da Educação. Conseguem fazer piruetas argumentativas para provarem que sem provas globais e sem exames o ensino é mais rigoroso. Mantêm os exames a Português e Matemática porque não têm coragem de acabar também com esses, uma vez que sabem que os mesmos foram bem recebidos por muitos sectores da educação, quando Justino os introduziu. São aqueles senhores e senhoras os que têm mantido o sistema educativo tal como ele está, há 30 anos, sem rigor senão nos papelinhos cheios de cruzinhas e espacinhos que os profs têm que preencher. Para esses senhores , os papelinhos para os docentes preencherem é que são o "rigor". Com o objectivo de obterem na secretaria o que tornaram impossível conseguir na sala de aula, para "aumentarem" o "sucesso escolar" tornaram quase impossível reter alunos. Para os docentes, passá-los é o melhor que têm a fazer, se não quiserem que uma montanha de papéis e de reuniões inúteis se abatam sobre o seu horário já sobrecarregado de muitos papéis e de muitas reuniões inúteis. O professor tornou-se um escrevinhador de papelada, sobretudo no ensino básico. Alguns pais já vão à escola pedir para que retenham o seu filho mal preparado, mas nem sempre conseguem....
Mas tudo isto é conhecido e contestado por muitos há muitos anos, os resultados estão aí, a mostrar quem teria razão...
O ensino obrigatório determina que não é facultativo ir à escola , não significa que é dado a todos o diploma do ensino básico de forma administrativa. Retidos ou não, os alunos na escolaridade obrigatória devem estar na escola, não são delas expulsos quando são retidos. Eles abandonam porque o sistema não dá alternativas, com o ensino profissional e profissionalizante. O apoio, nos últimos anos, das equipas ministeriais à criação de cursos alternativos é dos poucos sinais positivos. Claro que nesse tipo de ensino as verbas vêm em grande parte da Europa....
Provas globais para selecção para o ciclo seguinte são necessárias, a meu ver, e de preferência nacionais. Mas não da forma como têm sido feitas, com peso insignificante, como se fossem mais um teste. Talvez seja de bom senso neste ano realizar só as provas de Português e Matemática num país de incerteza, do mais ou menos também quanto a exames e regimes de avaliação: durante o ano lectivo ninguém sabe como vai ser no final, vai-se vendo, vão-se esperando decisões de cima, vão se tomando decisões quando os de cima mandam que sejam os de baixo a decidir!
Não deveria ser permitido a ninguém inscrever-se num curso do 10º ano regular, na área de humanidades, se chumbado a Português ou na área de Ciências, se chumbado a Matemática. O problema no ensino em Portugal é, entre outros, o da falta de sentido da realidade. Os jovens só muito tarde tomam conhecimento da importância da formação exigente. São entretanto mantidos num "engano de alma", na protecção da escola e das notas fáceis. Stress escolar? Há também, por estranho que pareça . São as pontas extremas que determinam o que se passa na escola. Os filhos de pais com elevada escolarização mantêm os níveis de exigência, não porque estejam muito interessados em ver obstáculos na sua vida escolar (embora saibam que há mínimos necessários, apesar de tudo) mas sobretudo porque os jovens com certo nível de linguagem, habituados muito cedo ao raciocínio lógico-dedutivo, têm depois extrema facilidade em atingir os mínimos. O stress deriva de alguma exigência em casa a respeito das notas. Passando o dia na escola é natural que alguns alunos sintam que lhes falta o tempo para estudarem a extrema diversidade de matérias que lhes passa pelo dia... daí talvez, o stress. Não é a escola nem o sistema de ensino que determinam os padrões. São esses alunos e o apoio que recebem em casa que ainda mantêm a escola com algum rigor. Os profs há muito que têm vindo a depor armas...É que, se nem esses alunos privilegiados conseguissem atingir os objectivos, a escola recuaria ainda mais na exigência. Mas tem vindo a recuar ano após ano... não tanto como alguns gostariam quando vêem os seus filhos, com tudo em casa, mesmo assim "chumbarem". O ambiente entre alunos resulta do que a/s escola/s faz/em aos comportamentos transgressores. Quanto a isso é o que se sabe ou se julga saber pelo que transparece aqui e ali. Qualquer estudo externo ao sistema sobre disciplina ou segurança é atacadíssimo pelos ilustres representantes da pedagogia do facilitismo, como se viu quando a DECO publicou o seu inquérito sobre insegurança na escola. Muito interessante será ler o estudo da unicef "Child poverty in perspective: an overview of child well being in rich countries". Embora seja estranho que a Unicef agora se dedique ao estudo do bem estar nos países ricos, não deixa de ser esclarecedor dar uma olhada ao relatório. Mas ninguém terá tempo para isso: nem para ler, ponto por ponto, o ECD quanto mais estes estudos..É verdade, nem para isso nem para resistir à humilhação: a cabeça na areia, a cabeça baixa, a obediência canil são, de facto, a resposta de muitos....

Nota: sem querer ofender a espécie canina que tem acima de tudo uma qualidade: a lealdade, mesmo quando ataca, fá-lo de frente e olha nos olhos ...

quinta-feira, janeiro 25, 2007

A beleza e o rigor

A perfeição na execução técnica do espectáculo visto no video postado ontem: que saudade daquela impressão que tínhamos de que cultura europeia significava também cultura de exigência. Infelizmente a Europa vai também progressivamente abortalhando a qualidade. Honrosas excepções existem como a de Jerome Murat.
Como pode ser bela alguma vez uma obra executada às três pancadas? Como pode ser arte?Como pode funcionar um protótipo feito à pressa para chegar ao mercado antes da concorrência? Que beleza terá um space shattle muito aerodinâmico com escamas de peixe a soltarem-se pelo espaço???
Os gatinhos fedorentos fedem, de facto, quando executam como amadores quadros baseados, nalguns casos, em boas ideias. Fracos, muito fracos, na encenação e a RTP nem se preocupa em exigir-lhes qualidade ou pagar a quem sabe para os encenar. É pena e é sintomático da atmosfera geral que resulta do triunfo por todo o lado da mais inconsciente e despudorada mediocridade.
Porque será que este vídeo de Jerome Murat corre o mundo espontaneamente e em cadeia? E não tem "gajas nuas"!

terça-feira, janeiro 23, 2007