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sexta-feira, março 09, 2007

Direitos adquiridos?

"Mudar a constituição ? Eu cá não preciso, vocês (referindo-se ao Estado) é que têm esse problema, eu não" - estou a parafrasear Belmiro de Azevedo num programa de televisão, aqui há alguns meses.
Esta frase diz tudo sobre o que se está a passar neste país. O problema dos direitos adquiridos era esse o problema de que falava o empresário, aliás muito na mesma onda com o responsável do governo que já não sei quem era nem interessa, pois se calhar era mesmo Teixeira dos Santos ou alguém a seu mando.
Agora acham que descobriram finalmente como fazer para se livrarem de 75000 funcionários públicos, os tais parias ou "gafanhotos" (como lhes chamou o doutíssimo César das Neves) sem ser preciso tocar na constituição.
Também é interessante notar como a constituição não incomoda nada os empresários portugueses, pode ser até muito positivo, mas que dá que pensar, dá!
E mais não digo, vou ali fazer um chá de valeriana que a erva cidreira já dá pouco efeito...

quinta-feira, março 01, 2007

O modelo da China e por cá está-se bem


O modelo chinês* não é muito original, capitalismo selvagem e ditadura sempre foram compatíveis. Por cá a parte da ditadura policial (pelo menos todos nos habituámos a pensar que é ela que permite escravizar as pessoas) tem sido dispensada através do espectáculo do circo dos media, onde os debates são o que são, com convites apenas às pessoas consideradas "moderadas". Aplica-se a censura um pouco por todo o lado, mas ninguém sabe, promovem-se alguns medíocres que vão dizendo umas coisas no cravo e outras na ferradura, deprimindo a capacidade crítica do público através da análise fácil e primária.
Faz-se o elogio do privado , elegem-se os funcionários públicos como os bodes expiatórios e procede-se à liquidação massiva do Estado, sob os aplausos dos trabalhadores do sector não estatal . Quanto aos 700 000 funcionários estatais, é facilímo! Primeiro anuncia-se algo devastador, fazendo tábua rasa da lei constitucional e de muitas outras, depois assegura-se que não há despedimentos e ninguém acredita. O funcionário Santos, precariamente politizado, encheu-se de medinho e faz como sempre, pensa com os seus botões: "pode ser que eu escape, que saia o Silva, a Clara e o Martins, mas preciso ainda de dois pontinhos para estar à frente deles definitivamente. Injusto, já que a Clara está sempre grávida, o Martins anda a estudar à noite e vem pr'aqui dormir e o Silva já deu o que tinha a dar". Claro que o Martins acha que o Santos e o Silva são uns incapazes e que a Clara é um perigo, ainda chega a chefe e não vale a pena dizer o que pensa a Clara dos colegas... Posto isto, por aqui, a polícia e as prisões políticas quase não são precisas. Até nos passa pela cabeça que Salazar não foi um Pinochet* não por ser um ditador mais democrata, mas porque cá havia muitos mais eunucos...
De explorar divisões sabe o governo e temos que admitir que o fizeram e o fazem com uma tal mestria... uma tal habilidade que o Mefisto se rói todo de inveja! Os nossos gloriosos anti-fascistas (dizem eles e, espantemo-nos, alguns pensam mesmo que são) os nossos ditos socialistas são os campeões da manipulação da inveja e do medo... Falta o "nacional" antes da palavra "socialismo"? Vistas bem as coisas, para quê o nacional, se internacionalmente os ventos correm a favor do neoliberalismo mais radical, mais descarado e desumano sob o beneplácito dos governos sociais democratas, socialistas e até comunistas? Está tudo a favor, para quê mudar nomes e trazer assuntos à baila que podem dividir os senhores empresários? Estes últimos são os venerados sacerdotes do deus que domina o mundo e acontece que nunca, com tanta facilidade, dominaram o globo como actualmente e alguns, percebendo a direcção dos ventos com o dedinho molhado, tornaram-se europeístas. Os semi-deuses senhores empresários ou senhores gestores, algumas vezes também chamados "capitães de indústria" para torná-los mais românticos, concordam numa coisa: está-se bem por cá, com este governozinho e a sua política "corajosa"...


* Nota: Embora à primeira vista possa parecer que pouco tem a ver com o que aqui acabou de ser dito, será interessante ler este artigo sobre a China
http://www.prospect.org/web/page.ww?section=root&name=ViewWeb&articleId=12329

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Teixeira dos Santos, a China e a calçadeira

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fonte: www.bigcatrescue.org/.../tigerChinaDollLake.jpg

Posted by Picasa
Cada qual vende o que pode. Já que o calçado também já foi, é melhor pensar agora na venda dos acessórios... O pior é que o entusiasmo do cliente não parece grande, dá ideia até que já fabricam o produto há muito tempo ... será?

segunda-feira, novembro 20, 2006

Animais de estimação III : a banca

Pros e contras: a banca






Nós somos muitos peixinhos, não há só um no mercado, há concorrência entre nós, até há peixões estrangeiros maiores do que nós a operar no nosso rio, a culpa não é nossa se alguém sai sem um pé ou dois; são incautos , não leram os avisos, quem lhes manda ter a mania de que podem chapinhar alegremente no rio? Há mesmo quem mergulhe até ao pescoço!!! É culpa nossa se engordarmos? É a nossa natureza e temos uma função ambiental importante, limpamos o rio fazemos muita agitação na água, oxigenamo-la. Legislem, a gente depois vê o que faz! E isso de trabalharmos com as moreias é falso, é uma falácia, nós nunca saímos daqui, as moreias estão lá no mar, nós nunca nos aventuramos a lá ir! Nem sabem como sofremos todos os três meses com os biológos a estudarem-nos ao pormenor e já viram como há piranhas noutros rios que se enchem muito mais que nós? Já temos algumas piranhas a dizer que vão emigrar. Uma coisa é certa: não há piranhas sem dentes, não sobrevivem! Os banhistas que escolham, vejam por aí , deve haver alguns rios com piranhas de dentes menos pontiagudos. Informem-se!

sexta-feira, novembro 17, 2006

Política económica contraccionista

Inspirada na entrevista de Cavaco e vendo o estilo já consolidado de governação de Sócrates concluo:
Estas políticas procíclicas quando aplicadas sem um modelo subjacente sólido e claro de crescimento são apenas depressivas e deprimentes.
Quando os senhores que as promovem apenas esmagam o mais fraco dando-se a pose de grandes reformistas, apenas conseguem desmotivar, baixar o astral, irritar e revoltar todos os potenciais visados.
Quando aplicadas sob o lema "dividir para reinar" são apenas anti sociais, próprias de pessoas de má índole e apenas aumentam o nível de conflitualidade nas relações sociais, na empresa, na repartição e na rua.
Quando são aplicadas a eito e de forma obscura, sem pacto de regime com os cidadãos - o único pacto que se vislumbra existirá sob a batuta do PR entre os dois partidos que conduziram o país ao ponto em que está, não sendo portanto um pacto social - então a questão da legitimidade prefigura-se.
Quando são aplicadas sem critérios transparentes, apenas suportadas pela maioria parlamentar acrítica (aliás constituída na base de um discurso de campanha muito diferente daquele que fundamenta essas políticas actualmente) a questão da legitimidade pode configurar-se mesmo e portanto a eficácia da propaganda irá progressivamente diminuir.
Nunca passará pela cabeça desses senhores que os modelos bem sucedidos de crescimento passaram por acordos alargados, por pactos sociais?

(enviado ao Público para publicação)

sexta-feira, novembro 10, 2006

E o Estado parou?

Somos assim, a tibieza, o medo e a pequenez está-nos no sangue... Hoje, agora, a oportunidade de mostrar a todos que o Estado é necessário... e, no entanto, muitos, diligentemente, comparecem ao servicinho. Alguns, na educação sobretudo, esperando que os blocos estejam fechados com a greve dos funcionários, assim não se trabalha na mesma e não se desconta no salário. Somos assim também. Os mesmos que estão indignados (e com razão) são capazes de assim fazer. E quem manda sabe disto por experiência própria, porque assim também já fez, porque já torneou obstáculos oportunisticamente, podendo agora fazer discursos demagógicos, sem problema, estão também a arranjar maneira de se manterem no poder, não interessa como, não interessa o seu currículo anterior, que interessa isso? A ética já foi... já não é necessária, até porque a ética não é rentável portanto esmaga-se já. A ética há muito foi considerada excedentária por quem dirige o Estado e obviamente o sector privado não está disposto a absorvê-la já que dela não precisa. Honra seja feita, no entanto, aos muitos funcionários que apesar de tudo e muitas vezes prejudicando-se na sua carreira sempre a honraram e aos empresários que ainda a honram, poucos, como imagino, e pouco rentáveis, calculo também, já que têm de competir num ambiente de sacanice e oportunismo desenfreados!

quarta-feira, novembro 08, 2006

Défice, cortes orçamentais, invejas e ódios- who cares?

Folgo em saber que há mais gente que compara este estilo de governar ao do governo nazi. De facto, senhores do governo, vocês deram o tom, infestaram a atmosfera com a filosofia nauseabunda de que o não rentável deve desaparecer, de que não deve sobrecarregar os que "produzem", os "rentáveis". Inquinaram as relações inter profissionais deste país, tornaram mais pequena a gente pequena deste país, fizeram da inveja e do ódio a principal motivação para os apoios de que precisavam e precisam para continuarem a agenda neoliberal agora em voga por toda a Europa!
Os mais velhos , os deficientes, os funcionários de serviços públicos-que não são produtivos pela simples razão de que pertencem aos sectores até agora considerados dos bens não comercializáveis, como são a educação e a saúde - todos eles apontados como os párias, os culpados da situação. Foram vocês, não foi a última coligação governamental PSD/CDS de Santana Lopes, que tentou também, mas não teve tempo. Não, não foram eles, foram vocês! Vocês tentaram convencer o povo empregado no sector privado de que ele "à que era/é produtivo"(1), e que os trabalhadores do sector público eram/são "uns párias, uns chulos", nem mesmo deveriam considerar-se "povo português". Foi isso que disseram, é isso que dizem, foi isso que fizeram/fazem pensar, usando a repetição à la Goebbels: senhores do PS foi isso que fizeram, é isso que fazem!!!!!!!!!!!!!!Entretanto alegremente, os maus gestores da coisa pública, de " institutos" vários por aí, politécnicos sobretudo mas não só, continuam gestores das chafaricas que dirigem, distribuindo cargos aos amigos medíocres -estes agora estão todos de fileiras cerradas, à volta do seu benfeitor, seriam muito bem capazes de suportar os Pol Pot deste mundo, falta-lhes apenas o contexto nacional, que lhes não é ainda favorável, para fazerem desaparecer fisicamente pessoas que os incomodam, tentam no entanto matá-los civilmente, tornando-os redundantes, perseguindo-os até ao despedimento(2). A esses "gestores" chamam-lhes "presidentes" e nada lhes acontece sobretudo se forem do PS ou se fizerem constar que o são, ou se conseguirem convencer o ministro da tutela da excelência da sua gestão e das instituições que dirigem, excelência que não têm nem nunca terão, precisamente porque são incompetentes e abusadores dos cargos que ocupam, promovendo alegremente os piores e desprezando os melhores ou perseguindo-os na mira de deles se livrarem!!!!!!!!!!!!! Que lhes interessa se ao fim de cinco ou dez anos o Estado tiver de pagar indemnizações a essas pessoas cuja vida profissional foi destruída? Não são nunca esses senhores gestores a pagá-las pessoalmente, do seu bolso. As indemnizações saem do mesmo saco : os impostos, e como ninguém sabe, essas coisas ninguém denuncia, os jornalistas só vão farejar coisas picantes, who cares????????


Notas
(1) Quem serão esses "produtivos", o que será rentável , e o que de novo se produz em Portugal é outra história que me não ocupa aqui e nem pensem que aqui vão encontrar algo sobre isso alguma vez , há quem viva e singre copiando as ideias dos outros sem ao menos fazer referência ao plagiado como mera fonte de inspiração!

(2) Estão aqui ausentes siglas de partidos, não significando que considere inocentes os não mencionados. A escola de alguns desses gestores, a cartilha que os formou é muitas vezes a cartilha estalinista, do PCP e de outros, cartilha e prática cuja eficácia e tenacidade na perseguição de quem não "convém" é também conhecida! Ai é? Está a pensar que defendo que acabem os partidinhos e a política? Desengane-se! O que eu acho é que os partidos são apenas mais uma arena mas nunca a única onde as pessoas de bem, com uma coluna vertebral, coerentes com uma ética intrinsecamente humanista podem e devem marcar a sua posição mesmo que tenham que sofrer a claustrofobia do "quadrado" de que falava Alegre quando o deixaram só. A coerência total é o nazismo, não é possível ao ser humano mas não exageremos na cobardia e no chafurdar na lama como estratégia de sobrevivência, não é fácil ser-se santo mas marcar posição encoraja-nos e permite-nos não fugir do espelho de nós e incentiva outros a não esmorecer, a continuar a defender alguns valores universais como única base de sustento possível para a forma de organização social a que chamamos democracia!

sexta-feira, outubro 27, 2006

Corporações e subsídios para a guerra civil fomentada pelo Governo da República

Embora difícil de acreditar, há muita gente por aí defensora da redução drástica dos funcionários públicos e que toda a vida o foi ou mamou das empresas públicas ou foi e é delas "consultor". Essa gente aplaude o governo no seu frenesi de cortes nas despesas com o funcionalismo. Então são sempre os outros que estão a mais? Vossa Ex.a não? Será V. Ex.a excelente? Foi V. Ex.a também avaliado/a criteriosamente pelos resultados obtidos?
O Reino Unido e muitos outros consideraram há muito o funcionalismo da educação, por exemplo, como fora do Estado, os profissionais da educação não são considerados funcionários públicos. É que, de facto, trata-se de um serviço que pode ser prestado a nível privado: gostaria até de ver o que aconteceria se tudo fosse privatizado, ou seja, todos esses hominídeos que chamam corporações aos grupos profissionais que têm um discurso próprio, devem agora muito dinheiro ao Estado pela utilização dos serviços públicos, uma vez que há muitos colégios que apenas sobrevivem por terem bons professores que acumulam umas horas com a escola pública e que, de outra maneira, não aceitariam o negócio. Se os tivessem que contratar em pleno talvez tivessem que pagar ainda mais do que o Estado, dado o risco do desemprego passar a ser internalizado pelos professores. Paguem, meus senhores, paguem e vejam os colegiozinhos a contratar professorzinhos ignorantes mas baratinhos. O mesmo na saúde, as clínicas privadas têm do melhor porque esses senhores doutores que dão o nome à clínica trabalham ou trabalharam no hospital público onde estava o equipamento e onde estavam e estão as equipas completas que permitiram a esses barões terem o nome que hoje têm. Façam isso, mas avisem os funcionários, dêem-lhes o tempo a que têm direito para corrigirem trajectórias de vida, é que essas pessoas estão na faixa etária dos 45-50 e mais. Anuncia-se ameaça-se o funcionário anónimo para depois surgir a lista de chofre e sem pre-aviso. Trata-se de cidadãos não de delinquentes!!!!!!!!!!!!!!!! Meus senhores, estão a criar uma situação social explosiva e falta-vos ainda montar as S.S. e a Gestapo, que já existe, mas está ainda muito desorganizada.
A Odete esteve bem num debate com um qualquer desses, de que não retive o nome, nem estou interessada por ora em saber. Vai sair-vos bem mais caro o negócio da privatização do risco social, paguem depois também às polícias privadas para esmagar o exército de esfomeados ao qual se juntarão os humilhados e ofendidos.
E quanto aos que defendem a privatização parcial do risco social na segurança social, como pensam obrigar as pessoas a fazerem poupanças com o dinheirinho que não entra nos cofres do Estado? E se as não fizerem? É o Estado uma vez mais que os irá salvar da "miséria" na ponta final da vida? Com que dinheiro? O meu? O dos meus filhos? Não tenho aqui à mão um desenho adequado para ilustrar a resposta. Um só comentário final: Heil!

N.B. : Tenho que explicar em língua universal o meu uso frequente deste “heil”

When neoliberalism needs a socialist party to carry on its agenda, when a government is leading frustration and anger of the people and foccusing that anger on a social group- the civil employee- then I feel the right to compare those “socialists” with the “national-socialists” of Germany in the late thirties and early forties. Sorry if I offend some genuine socialists, but I can't hear your voice anywhere, the media are already controlled but the parliament is still functioning, as far as I know there was not a big fire there !!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, outubro 26, 2006

Défice e "excedentes" ou como é fácil governar em Portugal

Como é possível que tenham que ser os deputados a fazer as contas dos cortes para chegar a uma aproximação daquilo que poderá vir a ser uma grande opção de "pre-despedimentos" em massa na função pública! Agora é assim? Não se tem que explicar tudo, rubrica a rubrica, no Parlamento, para fazer aprovar o orçamento? Basta ter maioria e já está, é assim agora? É espantoso como eles são medíocres e pensam ser grandes reformistas! Como é fácil cortar muitos milhões na massa salarial, logo se vê, dizemos que os mandamos para a pré -reforma, eles ficam esperançados, afinal não é ainda a câmara de gás, e deixam-se ir docilmente para o matadouro, dizemos que é só um duche!!!!!!!!!
Heil!

quinta-feira, outubro 19, 2006

Cumprimos: não aumentámos impostos

He, he, he! Claro que tudo isto não são impostos, pois só paga quem usa, é verdade, mas os impostos só paga quem respira e se move, os mortos não pagam para existir, para circular!!!!!!!!!!!
Já entregou a sua declaração do IRS à EDP? As empresas já o fizeram, coitadas, elas não podem pagar a energia que usaram, vamos ser bonzinhos, coitadinhas, como irão manter os tachinhos dos acessores? Estes, por sua vez, coitadinhos têm despesas elevadas com a troca da limousine, a limpeza da piscina e outros gastos inadiáveis. Vamos lá, sejam solidários!
E à Brisa, já entregou a declaração, a ver se não paga as SCUTs agora SCCUs (não sejam maléficos, isto significa apenas Serviço Com Custos para o Utilizador)
Não se esqueça de levar a declaração quando muito imoderadamente se deslocar ao Serviço Nacional de Saúde e utilizar o STG (Serviço Tendencialmente Gratuito) e considere alternativas à sua ideia de passar uma semanita no hospital: há parques de campismo com ares bem mais saudáveis e baratinhos onde pode dormir e comer bem por pouco mais de cinco euros, seu malandro, não abuse do Estado!
Já que estamos com siglas, quanto ao TGV, como aliás foi para a construção das auto-estradas, paga na mesma quer use quer não, não vale a pena entregar a nenhuma empresa a declaração.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Párias, sanguessugas e tiros no pé

Abusem, espezinhem, chamem-lhes párias, chulos, sanguessugas, depois de uma vida inteira de trabalho, tantas vezes com horas e horas extraordinárias nunca pagas nem mesmo reivindicadas, no local de trabalho ou em casa e de tanta "carolice"...Mandem-nos tomar conta de velhinhos, obriguem-nos a dar aulas nas prisões, forcem-nos a transformar as escolas em prisões soft, infantilizando e desresponsabilizando ainda mais os nossos jovens, enviem-nos depois a limpar ruas e latrinas, façam isso tudo, a nossa dita opinião pública pode sempre tornar-se tão douta como era douta a opinião pública da Alemanha dos anos trinta: há que castigar os culpados e eles foram já identificados - os funcionários públicos, a maior parte deles, professores e médicos, colocados por concurso nacional nas escolas e instituições de saúde públicas*. É isso que lhe dói, à opinião pública, é que eles entraram com um diplomazinho que a maioria do mui douto público não tem, e sabendo que a nossa muitíssimo esclarecida opinião média, sobretudo a que fala nos fóruns das rádios e nos cafés deste país, já vai sendo de uma geração que não tirou o diploma mais porque não conseguiu do que porque não podia economicamente, percebe-se bem o mecanismo psicológico de tanta fúria contra os professores, os técnicos superiores dos ministérios e os médicos, que são de facto factura pesada no orçamento de Estado. Se os podemos pôr a trabalhar de graça, para quê pagar-lhes? Façam a seguir campos de trabalhos forçados como os da vossa saudosa Alemanha nazi, senhores deste governo, achais então que descobristes a pólvora, elegendo um bode expiatório! Meus senhores, pagai direitos de autor aos sobreviventes e herdeiros da boa tradição nazi e juntai nacional com tracinho antes do nome do vosso partidinho e ficará tudo coerente!
Belíssimo trabalho! No entanto, a eleição do empresário médio português como o novo tipo de herói e modelo a seguir não foi ideia assim tão brilhante, correu um pouco mal, dados os resultados de um estudo recentemente publicado a respeito da excelência da gestão do nosso sector privado! Claro que eles, os gestores do privado, não são excelentes por culpa de quem, de quem,..vejam lá se adivinham... do Estado, claro, desse Estado do qual o nosso dito "sector privado" tem sido ao longo destas décadas, uma verdadeira sanguessuga, dependente da corrupção deste e daquele, contando com o subsídio para isto e para aquilo, pressionando câmaras, governos e parlamento para legislar ou decidir a seu favor, mendigando apoios para cobrir riscos que deveriam correr por conta própria e o mais que sabemos, ou deveríamos saber, a respeito da apropriação privada da coisa que deveria ser pública por definição.
Senhores e senhoras decisores/as, ignorantes e medíocres, estudem História recente deste país (o século XX, para começar,talvez só o pós-guerra para não cansar muito): perceberão que tem havido e se mantém uma promiscuidade enorme entre o sector chamado "público" e o sector dito "privado" e que não convirá muito a este último abusar da ideia de que o Estado é o papão ou o monstro a abater! Cuidado com o pé ao carregar a arma!

*Claro está que me refiro aos concursos públicos nacionais, de médicos e de professores, com regras transparentes, com editais claros e gerais e não incluo portanto as paródias de concursos públicos que grassam por esses politécnicos fora!

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

"Gostei, pois claro"

Pois, também, impulsivamente talvez, aplaudi a operação, inesperada, ribombante, dramática, orgulhosa, deixando desconfortavelmente debaixo dos holofotes alguns dos tais gestores "excelentes" muitíssimo bem pagos (calculo eu, claro, até pode ser que não...coitados) instalados nos lugarzinhos com "bons resultados de gestão" assegurados por todos nós, pelo menos os "nós", de nós, que pagam impostos e pagam contas e não sabem roubar sinal, resultados garantidos à sombra da nossa continha mensal, com monstrinho, pois claro, amparados também pelo OGE, se for necessário cobrir um ou outro "buraquito". Quanto ao buraco, dá que pensar... Como é que foi? Terá sido por aqueles (ou outros antes deles) terem encaixado nos bolsinhos (sob a forma de pensões douradas, por exemplo) os lucros futuros? quem saberá... Enfim, não temos dados para afirmar nada mas irrita muito saber que aquela possibilidade existe, sobretudo porque uma vez ali instalados não terão que prestar contas a ninguém pois as nomeações são, antes de mais, contratos de vassalagem política com quem lá os pôs ... pois, claro, há o relatório anual, esse tem que se fazer... claro...só pessoas muito mal intencionadas podem ter destas desconfianças... De qualquer modo, quanto àquelas hipotéticas manobras (que, insisto, podem ser mesmo meramente hipotéticas) temos agora a certeza de que ficarão bem mais dificultadas uma vez que, de repente, todos querem saber mais sobre a tal empresa... Entretanto, haverá outras empresas parecidas que, pelo sim pelo não, estarão já a pôr trancas à porta, antecipando ou adiando manobras... é pena, mas só um Gates as comprava todas de uma vez...
Gostei, pois claro que gostei!
Gostei... e no entanto... (lá vem o velho do Restelo que há sempre em nós) talvez estejamos a assistir a algo que não será muito mais do que podemos ver num episódio de um dos dois (ou três) canais televisivos do cabo dedicados à Natureza e que têm uma inexplicável predilecção pelos predadores e pelas máquinas de guerra. Pode ser apenas mais um episódio sobre a agressividade entre tubarões de espécies diferentes , meras questões de territorialidade. De qualquer modo, interessante...
Menos interessante talvez tem sido ver jornalistas, economistas e comentadores bajulando o rei do oceano. Fazem lembrar aqueles peixinhos que estão sempre agarradinhos às costas dos tais grandes predadores de dentição invejável (e ninguém negará a estes essa qualidade). Pensam os tais peixinhos e alguns dizem mesmo: "O que estará ele a pensar? Será que se vai fartar das nossas ventosas? Mas ele tem que compreender, o outro assunto dos desenhos está a esgotar, apesar das novas fotografias publicadas, o pessoal está a ficar enjoado do assunto, como está a ficar farto de ouvir dizer mal dos professores e dos funcionários públicos e a cerimónia de rendição (em Belém, claro, ...) é só lá para Março, temos que aproveitar o filãozinho da finança rocambolesca, é o nosso trabalho, os outros fazem e nós comentamos (e analisamos cientificamente, no caso dos economistas, claro), é disto que vivemos, é a nossa natureza, é o nosso dever"....
Enfim, a vida no mar no seu melhor...
Pois, eles.... e nós ( os outros?)... compramos acções do homem, pelo sim pelo não...compramos também mais da tal empresa, nunca se sabe... ou vendemos. A vender, se calhar é agora a altura... a quem? ... ao homem, pois claro!
Aliás, diga-se em abono da justiça e da auto-estima portuguesa: nós somos, de facto, bons a ver a coisa, quando nos cheira a dinheirinho fácil (e ainda há quem duvide do nosso jeito para o negócio). Como não sabíamos bem qual o nosso papel e opinião (problema que nos acontece recorrentemente) em relação à recente (ia dizer escaramuça mas tem uma sonoridade duvidosa, terei que ver primeiro de onde vem esta palavra, não vá ofender alguém) , repetindo , em relação à recente polémica dos desenhinhos, descobrimos pelo menos um papel bem pragmático e moderado. Uma vez mais, e à semelhança do que fizemos noutras situações críticas, vamos servir à mesa: vamos oferecer férias seguras aos dinamarqueses, já que temos pelo menos o selo de bom comportamento passado pelo Irão... temos, de facto, vocação hoteleira, estou-me a lembrar do tal cafèzinho dos aliados nos Açores, pois é, servir à mesa está-nos no sangue... talvez até seja uma vocação afinal muito elevada ( não se ofenda quem tem mesmo que o fazer de profissão, com ou sem vocação, claro que estamos a falar em sentido figurado, arre que está a ficar difícil usar a liberdade de expressão) vocação muito elevada, dizia, de algum modo relacionada com a paz mundial, como aliás tão doutamente soubemos fazer no último conflito mundial. Que diabo ( não se ofendam, é uma força de expressão, nada tem aqui a ver com religião) se todos se encontrarem no casino, o dinheiro e o jogo também fazem esquecer desavenças...sobretudo se todos ganharem, claro (e já agora nós também)...
É assim que se sobrevive neste cantinho dos espertinhos... No entanto, pensamos: bem, não somos todos assim, eu não, tu também não, aquele talvez..aquele, de certeza.
Será que nós não?...pois ...oh , dizemos : sabes que mais? é melhor ouvir anedotas estúpidas, a vida é difícil, e isto de pensar ...faz mal à saúde!
E assim evoluímos, com soluções adaptativas notáveis na argumentação, sobretudo quando é a nossa própria consciência que nos pede contas, algo aliás que nos está a acontecer cada vez menos ...
Para concluir e para não recair na depressão, pois comecei tão bem, parece-me, assim de repente, que pode haver um efeito colateral interessante na tal operação de que estava a falar acima e que me levou a escrever este texto: é que é bem capaz de vir a sair mais cara à Castela a aquisição (pública ou não) do cantinho de que falamos... e vá-se lá saber porquê , também gostei dessa ideia...