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sexta-feira, novembro 30, 2007

Greve da Função Pública

Antena aberta: difícil suportar os telefonemas de cidadãos indignados com as greves "numa altura destas". Acham que o governo está muito bem. Pois já prevíamos, as sondagens reflectem isso mesmo, mostram que há cidadãos que já escolheram bodes expiatórios e aderiram em pleno ao discurso nazi de culpabilização de grupos sociais específicos. Nem comento o conteúdo mais particular desses telefonemas de gente muito pouco interessada em saber o que se passa realmente, o que está realmente em questão, sedentos do sangue dos outros, mesmo que desse sangue nem beneficiem em nada. A diabolização dos sindicatos parece continuar a ser o leitmotiv do governo da nação que pretende a todo o custo separar os funcionários dos seus representantes para tornar os primeiros completamente dependentes da entidade patronal-a administração e as chefias. Os definidores das linhas da propaganda já desistiram da estratégia de apontar o dedo acusador à classe inteira- que parece ainda não ter esquecido os insultos- agora o executivo parece ter focado a mira nos sindicatos. Vinte por centro de adesão, dizem os detentores do poder (o poder absoluto de decidir do quotidiano e das expectativas de mais de um milhão de pessoas, o que se faz aos funcionários públicos faz-se também às famílias que deles dependem, que com eles planeiam um futuro). Os sindicatos dizem 80%. A média daria 50%. Pelo que é dito nos media , a adesão parece superior a isso.
O governo que impediu por muitos anos (e possivelmente para sempre) a formação de consensos entre Portugueses sobre algumas reformas necessárias, passará sem qualquer responsabilização (das pessoas concretas que alarvemente insultaram cidadãos cumpridores da lei) nem mesmo a História os julgará, já que os historiadores são uma raça em extinção, não economicamente viável, tal como a cultura humanista mais exigente , o SNS universal, a igualdade de oportunidades no ensino através da educação pública de bom nível de exigência. Tudo não economicamente viável, tudo a extinguir, assim mandam os ventos da negociança e da alta finança dominantes nacional e globalmente: na outra margem intelectual, lentamente cresce uma reacção ainda surda ao alarvismo oco e para já muitos repugnante do discurso dito "tecnológico", "empresarial" e "moderno"... Também para muitos excluídos e oprimidos voltam a fazer sentido algumas teorias nas suas versões populares muito simplistas mas eficazes que se pensavam mortas e enterradas por obsolescência e que nasceram no século XIX a resistir ao capitalismo selvagem pré-keynesiano... adivinhem quais são...
Pela(s) boca(s) morre(m) o(s) peixe(s)... tanto o cherne como o chicharro(*).

Nota : o chicharro era o peixe que a minha avó comprava para o gato, era considerado não próprio para a mesa remediada. Nesse sentido o usamos no texto.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Finanças : e os tais 75 000?

Então e os 75000 que prometeu exterminar? Quando é que o senhor os tenciona enfiar no desemprego ou nos comboios ou na incineradora? -pergunta o solícito jornalista, tentando assim garantir o apoio dos aparelhos partidários- futuros detentores do aparelho de Estado- e quem sabe lá ,arranjar um tacho como assessor de imagem de um desses que vêm veementemente defendendo o emagrecimento do monstro ao mesmo tempo que vêm exigindo justiça, educação e saúde céleres, eficazes e de qualidade providas pelo mesmo aparelhinho....Ou, o que é ainda mais cínico, exigindo a redução da despesa pelo lado puro e duro do não provimento, contando com a degradação do Estado social para os grupos privados poderem ter o seu mercado assegurado através da venda daqueles servicinhos, mantendo o pessoal menor (e menos menor) a contrato precário (sendo que o maior tem sociedade e arrecada os lucros) e pressionando o Estado para garantir o apoio dos subsistemas de financiamento de parte dos antigos utentes do SNS ou da educação pública para poderem alargar um pouco a freguesia e portanto os lucrozinhos....
Uuff-pensa o mesmo jornalisteco- ainda bem que consegui ser eu a perguntar primeiro, ó pra mim a desempenhar a minha função de bajulador...viram bem? ....repararam que fui eu, hem?

segunda-feira, outubro 01, 2007

Medidas pro natalidade, orçamento e função pública

Hoje, na antena 1, o tema era subsídios à grávida e abonos de família. Antes de mais nada, tenho que dizer que como medida anti-aborto, o subsídio é boa ideia. Claro que vão aparecer grávidas falsas mas são riscos a correr; também se sabe que o subsídio pode ser bebido, injectado ou fumado pelo pai da criança ou pela própria mãe, mas será também um risco a correr inevitável. Quanto ao abono de família, claro que é melhor assim do que como estava, desde que não tenha efeitos perversos nos escalões do IRS. Não se entende muito bem o aumento do abono para rendimentos acima dos 5000 euros. Parece-me que nesses casos, um reforço dos abatimentos à colecta seria bem mais inteligente.
Mas como já nos habituámos, o governo toma medidas aqui e ali, sem coesão interna que não seja a das necessidades propagandísticas a activar os (ou reagir aos) resultados nas sondagens...

Na antena 1 , como sempre, são os homens a falar: que nada disso vai chegar para convencer alguém a ter mais um filho, sem dúvida. De registar o cinismo de Vieira da Silva: parafraseando, disse ele que os abonos são fracos mas em muitas famílias o aumento é considerável face ao pouco que ganham. Pois, o governo a que pertence Vieira da Silva e até ele próprio se calhar (embora nunca o tenha ouvido dizer tal barbaridade, mas posso ter estado distraída) acham (sobretudo pela voz do brilhante ministro Pinho) que isso dos baixos salários é uma grande vantagem comparativa. Então em que ficamos?
Este esforço para pagar subsídios ( a propósito, quando é que esta propaganda é aplicada? As grávidas de 3 meses já podem ir buscar o dinheirito ou vai ser como os computadores para os putos do 10º ano?) esse esforço orçamental, dizia, de onde vai ser retirado? Do aumento dos funcionários públicos? Já calculávamos todos isso mesmo... Alguns funcionários já verificaram que ganham agora muito mais do que ganharão no futuro os colegas que chegarem aos escalões de topo. E os profs titulares até assinaram um papel de aceitação de um determinado índice. Alguns acham que a assinatura de aceitação foi para ratificarem o congelamento até à eternidade. Por isso, já estarão à espera dos presentes de Natal. Não faz mal, os profs estão tão bem pagos, sobretudo se os compararmos com os profs da Ucrânia...que não se importarão de fazer esse sacrifício patriótico por mais um ano...
Greves estarão já a ser marcadas. Mas a classe, sobretudo a dos docentes já não tem pachorra. Greve só se calhar num dia com muitas horas de escola dizem alguns profs. Há professores que se sentem então autênticos fura-greves -uma coisa é não fazer greve e ir dar a sua aulinha, outra é ir substituir um colega que aderiu à greve. Há uma diferença colossal para alguns docentes com estruturas éticas sólidas. Os sindicatos deveriam pensar bem neste fenómeno novo, antes era só marcar a grevezinha à sexta-feira e estava no papo, agora, com aulas de substituição, é diferente. Por outro lado, há quem ainda ache que as greves contam como faltas...Não terá sido também a necessidade de destruir eficácia da luta sindical e com ela a capacidade negocial dos profs que esteve na base da casmurrice do governo em generalizar as aulas de substituição ao secundário? É que as substituições podem mesmo "lixar" uma greve.

Mas greve para quê? Sindicatos que nunca pensaram em fazer um fundo de greve, sindicatos que conseguiram à última hora privilégios para os dirigentes ( veja-se a regulamentação criada em 31 de Agosto permitindo aos dirigentes sindicais tomarem posse de titulares, continuando sem dar aulas, possibilidade recusada aos profs em requisição nos ministérios) sindicatos que desistiram da luta contra o novo ECD ao convocarem em 2006 apenas 2 diazinhos de greve em dois meses estão à espera agora de grandes adesões?

PS( às 19:52): para além de corrigir o nome do ministro dos baixos salários, esclareço que nada tenho contra os dirigentes sindicais terem o direito de progredirem na carreira, mas fica "feio" em terreno de negociação que deveria ser de princípios, apanharem uns "trocados". Os colegas deles, destacados ou requisitados no ministério, tiveram que optar entre a requisição e o lugar de titular. Alguns desistiram de ser titulares, desistindo, assim, de progredir na carreira de professor e mergulhando, sem rede, no vazio legal de vagas promessas sobre carreiras técnicas. E haverá muitas outras situações não acauteladas em sede de negociação.

domingo, junho 10, 2007

Cálculos para a pensão de reforma

Surgem ideias interessantes de entre as vinhas da ira, como a seguinte, de autoria incerta e já circulando nas salas de profs :
Os cálculos para as pensões de reforma deveriam também incidir sobre os últimos sete anos- apenas por uma questão de coerência do sistema jurídico e de simetria democrática na relação do Estado com os seus servidores...

domingo, maio 20, 2007

Classe no poder, precisa-se!



Para fazer reformas tão profundas seria necessário muita classe da parte dos responsáveis governamentais. E não há. Apenas decisões cruas aqui, duras ali, levianas em todo o lado e muita incerteza, muita ameaça, muito cutelo pendurado e muita exploração do sentimento mais baixo do povo: se cada um souber que o outro está ainda pior, ele não se importará muito com a sua sorte e resignar-se-á, desde que lhe dêem a dose de sangue do seu semelhante.



Disclaimer
Tudo isto que acima escrevi, claro, me quer parecer no meu mundo ficcionado, não quer dizer que se refira a Portugal. Nem mesmo se confirma que o dono do IP se reveja neste conteúdo. Estamos no domínio da literatura, único lugar onde podemos ainda ter liberdade de expressão de opinião quanto a figuras públicas no poder.


quinta-feira, abril 26, 2007

Cultura de decência ou de denúncia?








Claro que devemos denunciar a trafulhice, com certeza, mas esta promoção da denúncia fica mal ao governo. Afinal que tem acontecido às queixas de muitos, que denunciaram por se sentirem prejudicados pela corrupção? Porque continuam à frente das respectivas Câmaras o Isaltino, a Fátima Felgueiras e o Ruas (este apelando à violência em directo, sem qualquer escrúpulo, para que o pobinho enxotasse à pedrada quem pudesse interferir nos seus projectos de obras)? Se eles continuam na boa, fazendo o que lhes apetece nas câmaras, o que se pretende com isto agora? O que se quer promover afinal? A guerra civil entre colegas, vizinhos e familiares, e entre as profissões? Quer-se ter a lista dos presumíveis culpados ou a lista dos perigosos denunciantes que possam prejudicar o bom andamento da corrupção? Ou trata-se, uma vez mais, de desviar a atenção da opinião pública para o judeu, perdão, para o funcionário público como o culpado de todos os males, para distrair as atenções da pouca vergonha que tem grassado, sem consequências para os responsáveis, no ensino superior PRIVADO e PÚBLICO? As trafulhices com concursos no politécnico de Castelo Branco estão provadas e o Valter Lemos continua Secretário de Estado da Educação, sem uma beliscadura!!!!!E uma pequena pergunta: terá sido reposta a justiça em Castelo Branco? Os prejudicados empossados ou indemnizados? Os beneficiados terão sido desempossados?
O que se pretende? Fomentar a inveja, o espírito de vingança sobre o igual, o vizinho, deixando em paz o cacique, o maioral, o ricaço à força de benesses e ilegalidades, o politicão sem escrúpulos?
"O senhor presidente da cambra, se lá chegou é porque o pobo o lá pôs, e fez as obras do chafariz, e até limpou a berma e até me deu um jeitinho na minha obra, o presidente á que sabe, mas esta puta da bizinha vai pagá-las, e mais o cabrão do cunhado* que levou mais nas partilhas, a esses é que vamos mostrar como é...já vais ver, cartinha na cambra com queixinha do casinhoto que fizeste, já vais ver que cá se fazem cá se pagam!!!! E o outro cabrão que apanhou o emprego na cambra e me tratou mal no ano passado quando foi da festa, ele agora é que vai ver, que eu sei bem que ele recebe por fora para dar um jeitinho nos processos de obras...Mas o senhor presidente está bem, deixem-no trabalhar, é home de palabra e tem feito muito bem cá na terra! "

Bonito, lindíssimo, para o dia 26 de Abril, dá gosto ver este governo socialista trabalhar na elevação do nível geral dos bons sentimentos do povo português e na preservação do espírito de solidariedade consubstanciado numa de "vigilância democrática".

Nota* - ou qualquer outro familiar com ADN mais ou menos parecido, ou completamente diferente, isso agora não interessa nada

domingo, abril 15, 2007

Estatuto do aluno-agora é que é...

Se falássemos claro, teríamos que dizer muitas coisas que nunca são ditas (à boa maneira católica portuguesa). Teríamos que admitir que os profs não estão para se maçar com participações, às vezes recobrindo isso com discursos pedagógicos mais ou menos coerentes. Por outro lado e sobretudo, admitir por escrito que se pôs um aluno fora da aula, que ele respondeu mal, é admitir que se falhou, na cabeça de muitos docentes, que querem ter a imagem de excelentes. Ter que ir a conselho disciplinar, onde os outros coleguinhas lhe farão a recepção do costume com as proposições simpáticas-"eu não tenho problemas", "comigo eles portam-se bem" e outras fórmulas semelhantes - representando uma dose de sacanice só igualável pela falsidade da informação e deixando o colega humilhado, com vontade de abandonar tudo, sentindo-se ele o acusado e não a vítima. Não que eu goste desta ideia de ser-se vítima, o professor não é vítima, é agente com autoridade, embora as circunstâncioas sociais e políticas não lhe permitam aplicá-la.
Enfim, isto para dizer que, na minha opinião, o aluno tem sempre que ter uma hipótese de defesa, por isso os prazos e as audições têm sempre que acontecer. O que está mal é o adiamento sucessivo do conselho disciplinar e a tibieza das medidas tomadas, ficando-se o crianço a rir com o feriado ou o serviço cívico que até é giro, para variar. Enfim -perder o ano não, nunca na vida, é mau para o abandono escolar- muitos acham isto, entretanto os alunos sabem disso e tomam conta da situação, do ensino obrigatório e dos CEFs. Uma alegria e viva a revolução cultural! Só falta os putos estabelecerem comités para a reeducação dos profs que se portam mal e os castigam por coisas pequenas como passarem papelinhos ou sms na aula...
Em suma, o mal não está no presente estatuto do aluno, a meu ver, está na tibieza, no mais ou menos, na falta de escolha clara por parte de quem dirige o ministério e as escolas, na falta de hierarquização de objectivos, na falta de uma política educativa consequente... E há muitos mais não ditos que são outros tantos obstáculos à resolução, no terreno, dos problemas de disciplina e não só...

quarta-feira, abril 11, 2007

Senhores jornalistas , documentem-se!!!!!!!!!!!

Senhores jornalistas , documentem-se antes da maior entrevista do ano!!!! Perguntem como é a mobilidade no segundo ano e como é a seguir.
A mobilidade especial É DESPEDIMENTO SEM JUSTA CAUSA com uma "compensação" como lhe chamam e obrigações humilhantes. Tudo para evitar dar ao funcionário aquilo a que teria direito antes de terem mudado tudo, ou seja a sua reforma!!! Preferem assim, pagar metade do ordenado e humilharem as pessoas.
E não há quem tenha perguntado, e ele marcou pontos com o ódio do povo ao judeu, perdão, ao funcionário público ao mesmo tempo que acenou com a cenoura-com promessas de desbloqueio das carreiras em 2008- aos trabalhadores do Estado que uma vez mais insultou, julgando que em 2009, à boca das urnas, se esquecerão dos insultos com que abriu a legislatura ! Espero que os 700 000 lhe mostrem o que deve fazer à cenoura...

Nota : em relação à "sme-situação de mobilidade especial" o ministério das finanças disponibiliza powerpoint em http://www.portugal.gov.pt/NR/rdonlyres/286C47BD-DA3F-4FC6-A72D-1516E4664D44/0/Regime_Mobilidade_AP.pdf

terça-feira, abril 10, 2007

O diploma e a persistência da dúvida

O diplomazito fazia bem aparecer por aí para recolocar a crítica no ponto certo. Não se chega a primeiro ministro por concurso documental e por graus adquiridos; para se ser professor o diploma conta muito, tanto que os bacharéis nem podem concorrer a comendadores, perdão, a titulares, mas a primeiro-ministro chega quem é bom político, mesmo pintor de paredes (sem desprimor, claro), chega lá quem tem uma ideia, berra bem e fala com convicção. E não foi o grau inventado ou não que o fez chegar a secretário geral do PS e a primeiro ministro. Nos politécnicos, sim, inventar um grau para chegar a coordenador mais depressa que o adversário, isso sim é criminoso. Mas, claro, mentir é sempre feio, muito feio e temos que saber, isto é, quem ainda não sabe tem o direito de ficar a saber se o primeiro ministro é mentiroso ou não.
Por que raio havia o homem de inventar uma licenciatura quando a não tem? Será que afinal é tudo fogo de vista, aquela auto-confiança, aquela pose de ditador iluminado? Será que os doutorados do conselho de ministros deprimiram a auto-estima do primeiro ao ponto de ter inventado uma licenciatura? Ó senhores professores, isso é feio, fazer o presidente do conselho sentir-se mísero bacharel, não se faz...
Enfim, em todo o caso, não é por antiguidade que se obtém um grau, o facto de ter estado 6 anos no ensino superior não dá licenciatura, se desse haveria muitos mais diplomados em Portugal, muitíssimos mais mesmo, devo dizer.
Amanhã saberemos mais na entrevista, entretanto, diplomas outros, mui gravosos, vão passando e o povo aplaude, e haverá despedimentos na função pública sob o beneplácito de todos... Esses diplomas, sim, esses e outros deveriam preocupar o espírito do cidadão esclarecido...

domingo, março 25, 2007

Momento apocalíptico

-Observadores variados, medíocres na sua profissão, que opinam muito sobre a profissão dos outros

-Invejosos, intriguistas, e sobretudo instigadores da inveja e da mentira no seio do povo para fins políticos de governação

-Especialistas em ver "argueiros no olho dos outros sem ver as traves que têm nos próprios olhos".

-Hipócritas variados, nos quais se incluem especialistas em dizer não para os outros, sim para eles

-Especialistas na arte de repartir e de achar que os outros são os excedentários enquanto se acham a si próprios imprescindíveis .

-Outros tipos de "sepúlcros caiados"


UM DIA CHEGARÁ A VOSSA HORA!
* » " ! CANALHAS ! " » *

quarta-feira, março 21, 2007

O dia da árvore e homenagem a um funcionário público

Problema dos fogos? Fácil para este governo, arrancam-se árvores sempre que se possa, obviamente dentro do melhor interesse público, faz-se um balanço do fogo ( o fogo permanente a que assistimos durante três meses, o fogo registado pelo satélite à vista desarmada) dizendo que não, não foi assim tão mau, diz-se que a área de floresta é a mesma, chama-se floresta ao mato, pinhal aos campos queimados de onde brotam em explosão os novos pinheirinhos (é verdade, eles regeneram sem nada termos que fazer) e diz-se que o eucaliptal não recuou e nada se faz para a prevenção, anunciam-se uns corta-fogos, entregam-se uns jipes e prontos.
Pois, o eucaliptal não recuou, haverá sempre mais e mais, não nos mesmos sítios, claro, não na terra de onde já só brotam rebentos raquíticos após o terceiro ou quarto cortes e que as celuloses já não adubam deixando o terreno descarnado e estéril. O eucaliptal, entretanto, expande para onde ardeu pinhal, expande para onde puder... Este governo é o governo que sempre as celuloses gostariam de ter... o governo que decretou que os proprietários são obrigados a "limpar" as florestas, ameaçando apresentar-lhes a factura em casa. Calculo que entretanto muitos deles, só com o medo dos fogos ou de receberem a conta, terão já vendido ou arrendado os terrenos a quem sempre os cobiçou: as celuloses. Quem duvida de tudo isto verifique onde ardeu o pinhal, que espécie se plantou a seguir, onde ardeu o eucaliptal, que eucaliptal ardeu , em que fase da exploração estava, seria um estudo útil, seria reportagem interessante se ainda houvesse (se alguma vez houve é discutível, mas alguns jornalistas tentaram-no, tendo as consequências de prever nas respectivas carreiras) se houvesse, dizia eu, jornalismo de investigação em Portugal. Celuloses, grupos de turismo e construtores, presidentes de câmara possivelmente, quantos foram alvo de investigação relacionada com os fogos? Quem na polícia se atreveu a seguir o rasto do dinheiro... as pistas deixadas por aqueles que têm a ganhar, e muito, com os fogos? Estes que mandam no governo e que se dizem socialistas, com "determinação" entregam aos interesses do poder económico sem escrúpulos quase toda a área florestável do país, estrangulando os proprietários com ameaças de facturas de “limpezas” e deixando na completa impunidade os mãos de ferro daqueles interesses, deixando-os à vontade, chamando-os "pirómanos" (maluquinhos, portanto, e sempre os haverá, nada a fazer) para não terem que pôr a polícia judiciária a investigar.


Aqui fica a homenagem a Cecílio Gomes da Silva, nascido neste dia da árvore, neste primeiro dia de primavera, em 1923, na ilha da laurissilva, saído deste mundo no Outono de 2005, engenheiro silvicultor da Direcção Geral das Florestas, para quem trabalhou toda uma vida. Técnico excelente, conhecedor do país real (do Portugal profundo como eles agora dizem), das suas espécies e das aptidões dos terrenos, sabendo a dimensão real do território pela sua passada, evitando os gabinetes e as suas politiquices e tricas, autor do primeiro mapa de sensibilidade aos fogos do país (hoje actualizado e digitalizado com os meios tecnológicos modernos mas mantendo a sua bateria de indicadores), entregou toda a vida à floresta, honrou a sua profissão de silvicultor e de funcionário público, nunca se vendendo a ninguém. Depois do 25 de Abril, embora não tivesse qualquer experiência sindicalista, a sua honestidade e frontalidade levou a que fosse esmagadoramente eleito como delegado sindical nos serviços florestais.

Lutou sempre que lhe foi possível contra as negociatas dos lobbies que assolavam a Direcção Geral de Florestas . Deixou este mundo em 2005, não assistindo ao que parece estar a ser a vitória definitiva dos interesses que, sempre que teve voz, com frontalidade denunciou. Possivelmente adivinhou essa vitória.
Deixou claro em artigos e conversas que a "talhadia de eucalipto não é floresta", é negócio não sustentável que destrói o fundo de fertilidade do terreno. Era límpido quando nos dizia que não se deve falar de "limpeza" mas de ordenação da floresta, que a "intervenção deve ser cuidadosa e respeitar o ecossistema, pois o mato não é lixo, lixo são frigoríficos, plásticos e preservativos no pinhal, o mato é sub-bosque, faz parte da floresta, transforma-se em manta morta que é o alimento das árvores"-explicava.
Defendia a plantação de espécies autóctones menos combustíveis como o carvalho e o sobreiro , preferia a biodiversidade à monocultura florestal; aconselhava a criação de talhões tampão plantados com espécies pouco combustíveis como alternativa aos "corta fogos" rasos que os americanos defendem.
Considerava o pinhal uma floresta , enquanto via na "talhadia de eucalipto" (recusava-se a chamar-lhe floresta) o caminho mais rápido para a desertificação e para o esvaimento do solo até à rocha mãe. "Florestas de eucalipto existem na Austrália, onde as árvores crescem sem que as cortem ainda jovens, florestas completas, onde há também coalas" - dizia. Tinha forte sentido de humor, gracejando frequentemente e às vezes o seu humor era acutilante; possuía uma enorme capacidade de trabalho e uma energia inesgotável.
Orientou tirocínios, actividade que no fim da vida profissional muito prazer lhe dava, tendo sido muito prezado pelos seus tirocinantes. Espero que tudo o que ensinou aos seus jovens colegas tenha frutificado um pouco por todo o lado. Essa é a grande esperança, que não se tenham vendido.

Foi parte do muito que com ele aprendi que me inspira directamente o que hoje escrevi. Não tendo a mesma profissão, aqui ressalvo que serão inteiramente minhas eventuais incorrecções (de cariz científico) na reprodução do seu pensamento.

Aqui fica registado o meu respeito profundo por meu pai e também a minha saudade imensa.

domingo, março 18, 2007

Os camelos e a auto-censura

Tendo tido numa destas noites um pesadelo, no qual o Zé Camelo tinha conseguido que passasse para todos os ministérios a lei da rolha dos militares, determinando que os funcionários públicos que escrevessem em blogues a atacar o governo, mesmo sob pseudónimo, seriam alvo de processo e antes do resultado do mesmo, preventivamente suspensos por 90 dias, achei prudente mudar os nomes de alguns personagens que têm sido alvo de posts. O Vale-te Demos percebe-se quem seja. E o Zé Camelo quem será? É elemento muito mais perigoso. Ele há muitos parecidos, por isso, cada qual deles saberá se deve enfiar a carapuça. Já aqui apareceu em posts anteriores e não, não era o Trocas-te , esse tem um currículo que não faz esperar nem melhor nem pior, não, não, o Zé Camelo vem do anti-fascista PCP depois passou-se para o PS, tem obviamente simpatia por regimes policiais e é muito bom a castigar as formiguinhas. E está muito bem colocado para as esmagar, está no sítio certo para o fazer. E mais não digo que ele já deve ter o ficheiro de todos os IPs suspeitos... Heil ! KGB ao poder! (sorry, não sei dizer heil em russo)
Moral da história: um bom estalinista, defenda ele a "renovação" ou não, esteja ele em que partido estiver, será sempre um bom estalinista .

Nota-A prática de suspensão preventiva de elemento opositor, antes mesmo de culpa formada em processo disciplinar (seguida de não renovação de contrato) foi já usada no politécnico mais famoso do país, conhecido pelas excelentes práticas internas "democráticas" : não, não foi por escrever em blogues, que é gravíssimo, foi por muito menos. O lucifer que lá manda tem (ou faz constar que tem) um percurso muito semelhante ao do Zé Camelo, mas não a mesma projecção e nem por sombras o mesmo prestígio. Por isso será designado de lucifer-fósforo, de ora em diante, já que Lucifer tem posto elevado na literatura, lucifer-fósforo tem a dimensão disso mesmo, de um fósforo, mas como sabemos um só fósforo pode fazer muitíssimo mal.

Nota ao censor: Senhor censor, inteligente como calculo que seja, à semelhança de todos quantos alguma vez foram incumbidos de censurar ou vigiar a produção alheia, calculo que nesta altura já deve ter forte desconfiança de que o autor é funcionário público.... mas será que é mesmo?

domingo, março 11, 2007

Concursos, quadros, graus e feminização da classe

Os sindicatos estão a cair na esparrela quando consideram o concurso para titular como um concurso para vagas do quadro. O que é um quadro de titulares numa escola ou agrupamento já com um quadro definido?? Não será que admitindo a existência deste quadro estão aceitando também à partida o que o ME se prepara para fazer aos professores conforme os anúncios de Teixeira dos Santos? É que dá a ideia que os sindicatos também concordam com novas regras para o concurso de nomeação embora digam que não...
Um professor do QND detém um lugar de nomeação definitiva e chegou ao escalão em que está por duas vias: ou tem o tempo de serviço ou tem graus. Se o professor do 10º não conseguir os pontos para esta fantochada de concurso a comendador, consideram-no o quê, um “apenas professor” que ganha indevidamente e por caridade do ME pelo índice de topo?

Falemos de graus: eles foram equiparados pelo anterior ECD a 4 e 6 anos para mestrado e doutoramento respectivamente, embora o máximo atribuível fosse 6. Acontece que, neste concurso, com os anitos valorizados a sete, teríamos 28 pontos ou 42 pontos e não 15 ou 30 pontos como propõe o ME. Aqui estão acumuláveis mas só sai com 45 pontos quem tem os dois graus, prejudicando quem, por ter nota de 16 na licenciatura, fez logo o doutoramento. Os graus obtidos devem ser valorizados a meu ver e sem sombra de dúvida. Se há muitos professores que não gostam de ver pontos atribuídos aos graus é porque os não tiraram.

Pois é, alguns não gostam que 15 pontinhos sejam atribuídos aos mestrados e outros não gostam de ver 18 pontos atribuídos a 2 anitos de presidente de directivo quando se sabe que alguns se candidataram às eleições para os executivos apenas para fugir aos horários zero que lhes caberiam por estarem no fim da lista de graduação para concurso. Acho que essa prática é legítima e até considero que o trabalho de direcção deve ser valorizado mas não na proporção proposta. É que acontece que os professores dão aulas e que as aulas devem ter qualidade científica e é também facto que alguns mestrados são mesmo mais valias na formação do professor do ponto de vista científico.
Há também os mestrados de pura pedagogia, alguns com teses em pedagogia da treta em desmultiplicação dos mestrados de Boston (conhecidos por outro nome) e que formaram os nossos magníficos dirigentes, cujas aplicações práticas contribuíram e continuam a contribuir para deprimir a inteligência da nossa juventude. Esses mestrados, penso eu e alguns como eu, têm valia discutível, no entanto, são esses mestrados em "educação" que serão provavelmente mais valorizados no final da discussão com os sindicatos. O sindicato reflectirá na negociação os sócios que mais peso tenham nas direcções. Sempre assim foi e continuará a ser.

Pois esta poeirada levantada pelos brilhantes dirigentes do governo que temos é óptima para eles, "tudo divididinho é que é...eu sou muito esperto" -pensará cada um desses cérebros- "sou muito bom nisto de mandar nas professoras... algumas dificuldades mas nada que não se abafe rapidamente com uns processozinhos ou a ameaça deles, o Teixeira dos Santos já vai anunciar a reforma da administração pública, é mesmo oportuno, fala-se lá em processo disciplinar e elas calam-se já com medinho". A maioria da classe é feminina e será talvez por isso que não reage aos insultos de cima, já estará habituada aos da sala de aula, e até quem sabe, aos de casa... é que oferecer resistência quando se está na cuba e alguém accionou a prensa de pisar vinho, requer alguma capacidade atlética...

E mais não digo , sai mais um chazinho de cidreira a ver se funciona, a valeriana faz um pouco de sono e nesta fase, estar alerta é necessário, não vá haver mais um anunciozinho dos nossos brilhantes governantes...

sexta-feira, março 09, 2007

Direitos adquiridos?

"Mudar a constituição ? Eu cá não preciso, vocês (referindo-se ao Estado) é que têm esse problema, eu não" - estou a parafrasear Belmiro de Azevedo num programa de televisão, aqui há alguns meses.
Esta frase diz tudo sobre o que se está a passar neste país. O problema dos direitos adquiridos era esse o problema de que falava o empresário, aliás muito na mesma onda com o responsável do governo que já não sei quem era nem interessa, pois se calhar era mesmo Teixeira dos Santos ou alguém a seu mando.
Agora acham que descobriram finalmente como fazer para se livrarem de 75000 funcionários públicos, os tais parias ou "gafanhotos" (como lhes chamou o doutíssimo César das Neves) sem ser preciso tocar na constituição.
Também é interessante notar como a constituição não incomoda nada os empresários portugueses, pode ser até muito positivo, mas que dá que pensar, dá!
E mais não digo, vou ali fazer um chá de valeriana que a erva cidreira já dá pouco efeito...

quinta-feira, março 08, 2007

Women's day

Women's day is not Valentine's day, it actually is a memorial for the women that died fighting for their rights. It is a feast day in countries where justice is assured, rights and opportunities are equal. It is a day of fight against regimes where women are still considered inferior, have fewer rights or none at all.
A history page made by women: http://www.un.org/events/women/iwd/2005/history.html

Portugal
Where have women been taking by full right some relatively well paid positions ? In public education and health care, because selection of staff for those services has been made by national contest, rules have been tighter and contest results more transparent, and is a well known fact that very often women have better school results than men. However, high management in government organization is mainly occupied by men: they have the referees, they have the visibility, they are involved in politics, and they make the laws. Portuguese state decided to dismiss 75000 state employees. Government has the plan to withdraw from education and health care, delivering progressively hospitals and schools or assigning their management to the private sector, putting an end to the national and open contest as selection procedure. Who will be selected in the future is an important issue but now the question of knowing who will be dismissed is much more dramatic. The bad professionals will be dismissed, not the good ones, government says, meanwhile teachers unions had to fight last week to make the decision makers of this country (socialists) not to consider pregnancy leave as a negative point in the evaluation of professional performance . This is just a drop from the top of the iceberg , this is just one symptom of the wide recovering of wild capitalism in Europe, a process that aims to destroy the welfare state and eventually the very sense of human rights, forcing most women and men to accept the role they had in early stages of industrial revolution !!!!!!!!!!!!

domingo, fevereiro 18, 2007

Virtudes da democracia ou o fartar vilanagem

Indemnizações reais para rupturas fictícias de contratos, prémios de produtividade decididos pelos próprios para si próprios, sub ou sobreavaliações de património, consoante o interesse da bolsa deles e dos amigos, concursos públicos para obras com suborçamentação seguida de derrapagem, enriquecimentos estranhos simultâneos às obras, operações na bolsa com informação privilegiada, a escandaleira da corrupção descarada e disseminada no futebol... tudo isto na mais perfeita impunidade, já que se safam sempre... Face a isto é natural que a pouca vergonha dos concursos públicos em muitos politécnicos e outros institutos públicos para contratação de docentes e funcionários onde só falta a fotografia do amigalhaço que querem colocar à mama do contribuinte em lugar de outro provavelmente bem mais competente (que nem poderá concorrer) continue alegremente...
Em todas estas situações apenas o ministério público ainda vai incomodando, não se vê um único ministro demitir gente sem vergonha, não se vê um partidinho desses do poder (PS ou PSD ou o que for...) tomar posição clara de retirada de confiança às pessoas concretas que andam no gamanço ao cidadão que paga os seus impostos. Dá que pensar...
Até quando? Convém não esquecer que tudo isto se passa numa época de forte aperto de cinto e numa altura em que prendem sargentos por passearem na rua . O pobinho aguentará até quando? Deram-lhes os funcionários públicos para o espectáculo de circo, o povo gostou e banqueteou-se do sangue nas arenas. E agora quem é o próximo bode expiatório? Não estarão a ficar com falta de bodes? Olhem que o povo gosta de democracia apenas de forma muito relativa, enquanto também ele possa comer do banquete umas migalhas... Os nossos empresários que há muito não são do pobo, os heróis deste tempo descobriram as vantagens da democracia e são todos "democratas" e afinal, bem vistas as coisas, é o que nos vale, são eles que mantêm a "democracia", são eles que nos mantêm na Europa, por causa do "São Euro" como diz o Eng. Belmiro. Se lhes conviesse mais a ditadura tê-la-iamos, que pretextos não faltam. Mas não me parece que o povo ache graça a este fartar vilagem por muito tempo ... Eu (e muitos que não gostam de ditaduras) continuo a achar que a democracia só o é com a separação de poderes muito clara e os Tribunais a funcionar com independência e eficácia. Sem isso temos isto que temos, que mais não é que uma mascarada de democracia! Da gestão destes "democratas" que temos agora no governo deste cantinho apenas a redução da fuga ao fisco é resultado que se veja, mas possivelmente à conta dos pequenos (muitos) que agora pagam com medo... os outros estão numa boa como sempre*. O nome na internet? O nome nos media? E eles ralados, é publicidade gratuita, só faz é perder algum tempo nas entrevistas, é uma maçada...

*Nota: Os grandes que fazem questão de afirmar que cumprem, sempre cumpriram, não? Então não se notará a diferença...

sábado, janeiro 13, 2007

Inquietações várias para 2007

Pois... Já calculava que a EDP iria causar perplexidades não apenas no meu cérebro. Afinal é o contribuinte que paga a diferença entre o custo real e o preço de venda.E pagará duas vezes: na continha que vai sendo actualizada e nos impostos. Entretanto a EDP alegremente encaixa os lucros da operação anti-concorrencial.
Como resposta às interrogações da Comissão, temos a indiferença total e arrogante do menino porta-voz do governo. De onde lhes virá tanta displicência para não dizer arrogância? Talvez lhes venha do mesmo ente antes citado: o contribuinte que deu a maioria a este conjunto de iluminados.
Quanto a Paulo Macedo: deixem lá o homem e vigiem o trabalho desenvolvido em E.P.s e Institutos públicos vários por directores cujo trabalho é medíocre,demitam-nos ou reduzam-lhes os pagamentos e privilégios, libertem-se de assessores redundantes e, nos postos estratégicos, aluguem por bom preço (se tiver que ser) os bons mercenários cuja acção tem os holofotes em cima... O contribuinte aceitará o regime de excepção, desde que saiba que o contrato fica a depender da consecução de objectivos concretos.
Entretanto vindo do chão, um tremor já se sente, uma agitação frenética e quase secreta: não ouvem o rumor surdo das térmitas? A agitação de presidentes disto e daquilo a tentar manter o tacho e o inerente taco?
Agora mudam-se os estatutos dos politécnicos: será para garantir a democracia ou para assegurar a eternização no poder das cliques instaladas?

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Os doutores do piquete de avarias da PT

Avaria? Suas excelências do piquete parece que trabalham só das 9h às 13h e das 14h às 18h. São uns doutores, turnos nocturnos nem pensar. Espero que a OPA aconteça depressa, que o novo patrão lhes ensine o que é um serviço (público pois não há outro) de telecomunicações. De facto, infelizmente, a precarização terá frutos imediatos com gente que só sabe trabalhar assim: o monopólio tem permitido aos gestores borrifarem-se para o cliente que só tem como alternativa a comunicação móvel de impulso caríssimo, ou seja, a única alternativa é largar o fixo e comunicar o menos possível no móvel. Os meninos da arraia miúda que lá trabalham vão mamando de privilégios que pelo menos na EDP não existem, as equipas técnicas das avarias trabalham 24h.
Os 70 directores que lá estavam a mais chupavam o valor das horas mais caras do turno da noite? Mas eles agora não estão lá , os 70 claro. Ou será que os mandaram embora
para lhes poderem pagar indemnizações (encaixando salários futuros ) antes que se faça tarde?...

sábado, novembro 25, 2006

Governo incomunicável

"Contacte o governo" diz no portal, mas depois de tentarmos enviar algo, mesmo palavras de apoio (porque não, aqui e ali até há coisas bem feitas), lá vem a mensagenzinha: "Lamentamos mas de momento não é possível satisfazer o seu pedido. Volte a tentar mais tarde". Ora bem, como sabem que era um pedido? Enfim, a fórmula das meninas do telefone, mais não é. O resto, é o estilo deste governo, a caixa deve estar há muito tempo atulhada e ninguém a vai despejar para o lixo, quanto mais ler o que quer que lá esteja. São assim os socialistas que nos regem. Revelando um respeito infinito pelos cidadãos...
Não tentei o PS e se calhar agora é assim, escreve-se para o PS sobre assunto de governo e talvez alguém leia. Nunca irão responder, está bem de ver, é tudo gente com empregos a sério, não têm tempo para ninharias, está tudo entretido a aumentar o conteúdo da sua bolsa, claro que o PIB não irá dar conta de nada, há muito advogado por lá, provavelmente declarando salários de 800 euros por mês. A ideia de colocar na net as declarações até que não era nada má... vêm depois os altos princípios da privacidade, da liberdade, etc, etc, claro a privacidade deles, a liberdade deles, a dos outros é para desaparecer sempre que a leizinha o permita. Veja-se o caso dos polícias reformados compulsivamente embora, neste caso, ache, no mínimo, estranho o silêncio que se seguiu.
Agora são os militares, andaram a filmá-los e a identificá-los à boa maneira do antigo regime. Será que agora há classes profissionais que não podem passear no mesmo dia? De futuro, terão que telefonar uns aos outros para não se dar o caso de se encontrarem todos, nos feriados de Junho, na feira do livro, por exemplo, e colocarem em risco a disciplina das FA do país. Ou então o ministro da tutela determinará superiormente os dias de passeio, unidade por unidade. É melhor assim, mais em consonância com a alta missão que a classe abraçou.
E os professores? Dada a alta missão da classe, têm no prelo um ECD que é uma espécie RDM sem abébias. Perdão, ainda têm abébias: podem passear todos no mesmo dia, não têm de ir à vez e até podem fazer greve: cheira-me que o próximo despacho da ministra vai ser que os professores em greve devem deixar o plano da aula, ou têm falta injustificada. Deve estar em estudo no gabinete dos juristas.
E a "hora Chavez" continua, e o pobo quer ver sangue (agora dos militares) e o pobo acreditou na história da carochinha dos arredondamentos da banca e o prime subiu no ranking, está bem de ver!

sexta-feira, novembro 10, 2006

E o Estado parou?

Somos assim, a tibieza, o medo e a pequenez está-nos no sangue... Hoje, agora, a oportunidade de mostrar a todos que o Estado é necessário... e, no entanto, muitos, diligentemente, comparecem ao servicinho. Alguns, na educação sobretudo, esperando que os blocos estejam fechados com a greve dos funcionários, assim não se trabalha na mesma e não se desconta no salário. Somos assim também. Os mesmos que estão indignados (e com razão) são capazes de assim fazer. E quem manda sabe disto por experiência própria, porque assim também já fez, porque já torneou obstáculos oportunisticamente, podendo agora fazer discursos demagógicos, sem problema, estão também a arranjar maneira de se manterem no poder, não interessa como, não interessa o seu currículo anterior, que interessa isso? A ética já foi... já não é necessária, até porque a ética não é rentável portanto esmaga-se já. A ética há muito foi considerada excedentária por quem dirige o Estado e obviamente o sector privado não está disposto a absorvê-la já que dela não precisa. Honra seja feita, no entanto, aos muitos funcionários que apesar de tudo e muitas vezes prejudicando-se na sua carreira sempre a honraram e aos empresários que ainda a honram, poucos, como imagino, e pouco rentáveis, calculo também, já que têm de competir num ambiente de sacanice e oportunismo desenfreados!