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domingo, fevereiro 10, 2008

Alegre: um pouco tarde

Alegre acordou e lembrou-se do milhão de votos que teve. Pena que se movimente sempre dentro do PS e da federação de lojas. Apenas funcionará como balão de oxigénio ao PS e já vem tarde, o pior da legislação foi já aprovada pela maioria, na altura calou e votou em disciplina...
Serei radical? Muito exigente com os meus semelhantes sobretudo com os que ganharam visibilidade política? Admito que sim, mas então resta-me dizer is that all there is in politics?
O nosso quadrado, o quadrado dos sem padrinhos, encolheu até nos tirar o ar sob a indiferença de quem não soube dizer não quando devia!

quinta-feira, janeiro 10, 2008

O cantinho piu piu piu piu



Para melhor audição clicar aqui e ouvir directamente no Youtube

Estava eu à procura da música dos passarinhos a bailar e descobri isto. É ainda melhor para sonorizar a imagem do cantinho em tempos de governação sogrática em rosa choque...

segunda-feira, outubro 22, 2007

Títulos e guias 3-a educação do filho de João Fernandes e conclusão do guia

Capítulo nono - O filho de João Fernandes

"(...)Se o dedicar às grandes carreiras públicas, às altas posições sociais, à política, à dominação, ao governo, ensine-lhe, de pequenino, a intriga, a astúcia, o egoísmo, a doblez.

Faça-o forte e matreiro; rijo, mas safado.

Não despreze ninguém, para poder utilizar todo o mundo.

Aperte indiferentemente todas as mãos, para a direita e para a esquerda.

Ao passo que for subindo, vá sucessivamente inutilizando o degrau em que pôs o pé, para levar o menor número de gente atrás de si.

Mostre-se enfim a João Fernandes os belos exemplos: o êxito dos grandes devassos triunfantes, a ruidosa vitória dos embusteiros e dos co­bardes, ao lado da humildade obscura dos caracteres irreconciliáveis com a desonra, com a hipocrisia, vivendo no seu canto e imaginando-se felizes — felizes os mesquinhos! os miseráveis! — felizes por viverem no íntegro dever, na plenitude moral, na profunda afirmação da consciência!

Conclusão,

Se João Fernandes seguir à risca as instruções deste guia, ele chegará a tudo o que pretender; a todas as honras e a todas as dignidades sociais: à distinção, à elegância, ao espírito, à celebridade, ao triunfo, à glória. Será deputado, ministro, conselheiro de Estado, embaixador, par do Reino. Será finalmente tudo o que quiser...tudo com excepção desta só coisa, a mais difícil, mas também a mais inútil de ser:

Um homem de bem!"


Ramalho Ortigão, Do tamanco aos arminhos - Carta de guia”, As Farpas, Janeiro 1876, Círculo de Leitores, III volume, tomo V , Barcelos, 2007

sexta-feira, setembro 28, 2007

Vou poupar o leitor

Pensei em fazer aqui um post longo com pontos numerados onde incluísse a Cimeira África- Europa ou Europa-África, Darfur e o Kosovo, Myanmar e o budismo, o preço do barril e da taxa de referência, a tríade (no fantástico popular) Bush/Barroso/Sócrates.... Cavaco e as economias emergentes, os combates Menezes /Mendes e os rasgos de coragem de Santana Lopes, de Mourinho e de Scolari. Concluiria com metáforas fáceis aproveitando o Fátima/Porto e resistiria à tentação de discutir a cor do apito.
Mas acho que há por aí muitos artigos assim. Poupo, assim, o leitor, à leitura de mais um.

domingo, maio 13, 2007

Eça , Campanha Alegre

«Junho 1871

Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado:

Onze ou quinze homens, sempre os mesmos. alternadamente possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder …O poder não sai de uns certos grupos, como uma péla que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar num rumor de risos.

Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no poder, esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da fazenda, a ruína do País!

Os outros, os que não estão no poder, são, segundo a sua própria opinião e os seus jornais— os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses do País.»

Eça de Queiroz, Uma campanha Alegre (“As Farpas”)


sábado, março 24, 2007

Virtudes da democracia III

"The conception that government should be guided by majority opinion makes sense only if that opinion is independent of government. The ideal of democracy rests on the belief that the view which will direct government emerges from an independent and spontaneous process. It requires, therefore, the existence of a large sphere independent of majority control in which the opinions of the individuals are formed."

http://www.llywelyn.net/docs/quotes/hayek.html


Porquê Hayek quando me não é simpático o neoliberalismo? Simples, precisamente por isso, Hayek é insuspeito inimigo do crescimento excessivo do Estado que estes senhores "socialistas" dizem defender enquanto alegremente o liquidam, também porque na íntegra subscrevo esta frase, sou inimiga também dos colectivismos ditatoriais sejam eles resultado de um aparelho de Estado que se impôs pela força de um golpe de Estado ou pela imposição da opinião da "maioria"- maioria eleitoral ou simplesmente a opinião da populaça dita "classe média" da qual sai a chamada "opinião pública" que parece ser o sustento deste governo. Hayek opôs-se aos Estados comunistas mas também aos "Estados Novos" seus contemporâneos. A única coisa que me sossega um pouco neste governo que temos é a sua defesa intransigente do capitalismo, isto é, não existe o elemento anti-capitalista que existia no discurso de todos os fascismos.
Ufff que alívio.

Lendo Hayek e aplicando ao nosso cantinho ridículo (desculpem, ía dizer choldra torpe mas é muito forte) podemos verificar que a nossa "opinião pública" é muitíssimo espontânea, de cada vez que se anunciam medidas a espezinhar funcionários públicos e professores, a populaça exulta e aplaude, entre a chatice do emprego e o ter que aturar os putos em casa nas férias dos professores, entre a taça e o campeonato (ou entre o mundial e as europeias ou o raio que os parta) e a sondagem regista concomitante subida de popularidade do brilhante governo de José António, perdão*, José Sócrates.

Já a presença da última condição defendida por Hayek para assegurar a legitimidade do processo democrático não está nem um pouquinho confirmada.

*Nota: o lapso não se deve a mais nada, é só porque tanto um como outro ficaram conhecidos pelos dois primeiros nomes, o que se entende no primeiro já que havia que distingui-lo do pai, no segundo não se compreende, não se vislumbra uma razão pela qual não é ele José Sousa como toda a gente.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Má-fé e falta de inteligência

Diz ele, o Pinho, e que queria dizer outra coisa que não explicou. Genial, de facto, o nosso ministro da economia, a gafe da mão-de-obra barata (para durar) como vantagem competitiva de um país do espaço euro, mais o comentário aos comentários, insultando as pessoas, ficam na sua antologia pessoal que já vai tendo alguma dimensão...
São (calculo eu) à volta de 80 os senhores (senhoras não vi muitas, é esmagadora a mancha dos fatos negros e cinzentos, mas talvez por isso não seja possível vê-las) viajando à custa do contribuinte . Alguns mesmo com responsabilidades, digamos assim, elevadas, claramente não se deram ao trabalho de preparar condignamente a viagem, e tendo alguns descoberto in loco (fez-se luz nalguns espíritos ... mas só depois de terem visto as avenidas de Pequim e Xangai...) que afinal a galinha dos ovos de ouro está a leste, com a euforia da descoberta brilhante improvisaram alegremente pondo a descoberto a superficialidade dos seus conhecimentos sobre a economia global que gostam tanto de mencionar nos seus discursos... Pequenos e ridículos...
É lamentável: era, apesar de tudo, uma visita de Estado, ou não? Seria apenas mais um safari?
Enfim, o cantinho no seu melhor, em viagem de reedição das descobertas, o que nos safa é que ninguém nos leva muito a sério...

quinta-feira, novembro 30, 2006

Será um partido a solução?

Um partido, a sua disciplina, calar porque não convém ao partido segundo a "análise concreta da situação concreta" dos iluminados da direcção, não me vejo nesse ambiente. Todos os partidinhos têm um pouco de estalinismo ou de leninismo, o centralismo democrático está em todos. E o anarquismo já deu o que tinha a dar. Melhor continuar o bloguezinho...