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sexta-feira, outubro 05, 2007

Nota de licenciatura:sentença de efeitos perpétuos

Uma pessoa que pense que a obtenção de um grau de mestrado depois da licenciatura apagará a menção de suficiente na mesma está profundamente enganada, andou a perder um tempo precioso a fazer um mestrado de quatro anos, com dissertação a sério. A sentença da nota de licenciatura é perpétua: estará sempre nas grelhas de seriação dos senhores professores seleccionadores até ao fim da sua vida. Os licenciados que vêm com 16 ou mais do Brasil, não interessa a chafarica onde estiveram, serão assim, julgo eu, automaticamente aceites para doutoramento, dispensados das chatices do mestrado e passam à frente das pessoas com grau de mestrado, na boa. Mas quero crer que não passariam, na boa, à frente de pessoa com Bom na licenciatura e com o grau mestrado. Por isso, digo eu aos meus co-sofredores das licenciaturas mais antigas e sofridas de 5 anos (mesmo que sejam da prestigiada ISEG de Lisboa, seleccionada, salvo erro, apenas com Economia do Porto, para trabalhar com o MIT), se tiveram a má sorte de ter de trabalhar para comer ao mesmo tempo que estudavam e só conseguiram um 12 ou 13, não sejam parvos, desistam já dos mestrados pré-Bolonha. No mesmo tempo (ou menos) fazem (fariam) as novas licenciaturas de 3 anitos com média de 16 (se devidamente escolhida a chafarica) e não terão (teriam) que passar por vexames no conselho científico da própria chafarica onde estão a fazer o mestrado (ou de onde já obtiveram o grau). Não se trata aqui de ficção: a chafarica que considera habilitação insuficiente para ser aceite num seu programa de doutoramento generalista (não é um programa de ciência pura, embora seja da mesma área disciplinar do mestrado) o grau de mestrado que ela própria atribuiu e cujo diploma está passado pela reitoria da universidade respectiva (com medalha, canudo dourado, fitinha e tudo) é uma casa conhecida do ensino superior público . Não digo ainda aqui qual a instituição, estou ainda em fase de receber, por escrito, o excerto da acta do CC . Quem conhece bem a forma dos canudos sabe lá chegar. Depois do insulto recebido passarei a chamar chafarica à escola à qual eu atribuia valor até este episódio ter lugar. Ela própria assim se considera: anda a dar graus de mestrado que nada valem segundo os seus próprios critérios. É, assim, apenas mais uma. Não estarei interessada em perder o meu tempo com advogados para ver as habilitações dos seleccionados. Tenho mais que fazer nas horas que sobram do trabalho: uma licenciatura, por exemplo, ou um doutoramento nas ditas "ciências da educação" que fazem abrir portas antes desdenhadas. Estava armada em parva a pensar em Ciência . Ciência já era. A ciência está a extinguir-se aqui na Europa de Bolonha. Deu à costa já, como uma baleia moribunda...
Assim, fica aqui o conselho a todos os que estão a perder tempo a concluir mestrados pré-Bolonha (ou mesmo doutoramentos):
Se a sua licenciatura não tem a menção de Bom, está lixado para toda a vida. De nada lhe servirá o mestrado (ou doutoramento) que está a fazer. Faça antes uma licenciatura pós-Bolonha, em 3 anitos e depois o mestradito pós Bolonha em 2 e depois está no papo o doutoramentozito pós-Bolonha, tudo isto em tantos ou menos anos do que precisaria para um doutoramento pré-Bolonha, ou seja 8 a 10 anos (raras pessoas conseguiam fazê-lo em seis anos)....


sábado, março 03, 2007

Bolonha ou o fim da Europa enquanto centro de excelência

Não vou aqui discorrer sobre Bolonha, quem quiser que se informe nos sites devidos. Apenas lançar um canivetezinho. Depois de Bolonha, qual a motivação para fazer um doutoramento? Ficar igual a todos os outros diplomados? Isto quer dizer que o doutoramento já não distinguirá quem está ou não capaz de produção científica autónoma. Claro que não devemos culpar Bolonha disso, Bolonha é apenas o resultado do que se tem vindo a passar um pouco por todo o lado nas universidades europeias. A falta de população discente não é problema exclusivo de Portugal, existe em toda a Europa e tem levado a excelência a recuar em favor da mediania e mesmo mediocridade, para que as universidades não tenham que despedir parte do seu pessoal docente. Muitas velhas casas de renome em Portugal, têm visto alguns departamentos ocupados com uma geração de excelência muito duvidosa, como foi, não sei, sei da produção publicada, sei de algumas teses de doutoramentos com distinção e louvor que deveriam ter apenas bolas pretas se estivessem na faculdade ou no júri alguns dos que deram o nome à casa e aos mesmos departamentos e que se reformaram (ou quase) ou já faleceram. Da mediocridade ou mesmo maldade dos politécnicos nem é bom falar, dá mau carma agora de manhã... nem é bom pensar nos doutoramentos à pressão feitos pelo pessoal ou ex-pessoal do politécnico de Leiria, os ditos da Extrumadura, digo, da Extremadura, em três anos (ele há quem tente mesmo encurtar esse prazo, dois é bem melhor) grauzinho a obter indo lá de vez em quando de excursão a expensas do Estado, sendo que os hermanos cá vêm de quando em vez, calculo que a expensas do mesmo ente... Mas não, não é bom falar!
Por outro lado, não há Bolonhas do outro lado do Atlântico, há a excelência indiscutível de algumas casas, como Harvard (pelo menos por enquanto) e mesmo ao lado as casinhas que deram e dão os mestrados e doutoramentos (conhecidos por outro nome parecido com boston)aos nossos brilhantes dirigentes do ministério da educação, que estão mui doutamente apoiando a ministra... Há o MIT que não pode brincar aos cowboys a fingir que faz e aplica ciência, o mercado sabe bem quem é quem...
Quem são os nossos Harvard? Os nossos MIT? Se por todo o lado “a má moeda tem sido bem sucedida a expulsar a boa” ? O centro científico do globo manter-se-á por longos anos do outro lado do Atlântico...