segunda-feira, novembro 05, 2007

Al-cochette, O'ta e governação

Diga, senhor empresário, ai que maçada, estes comunistas não deixam ouvir o que diz, XOOOOOOO... é, senhor empresário parecem professores mas são comunas disfarçados, então dizia, aeroporto em Alcochete, pois é , olhe nem sei onde tenho andado com a cabeça, essa solução tem que ser pensada, pois claro, mas estes moscardos já nem me deixam pensar direito, diz que são 200 mil, pois parece que sim mas são tudo comunas, eu acabava-lhes com a raça...mas enfim não podemos, lá teremos que os suportar ... então fica assim, vamos analisar com muita atenção o estudo de V. Exa, e decidir assim que acabar a presidência europeia, prometo, pode confiar. Até agora temos cumprido, flexibilizando o mercado de trabalho, e reduzindo o monstro, conforme lhe prometemos, certo? Confie em nós, corresponderemos, mande sempre.
-Então até à próxima almoçarada, senhor engenheiro...e veja se põe na ordem o seu ex-comuna de estimação, olhe que ele se calhar ainda deve ser, não lhe dê muita rédea na loja de porcelana...

(diálogo imaginado, está bem de ver, mas, infelizmente, possível....)

(actualizado em 21 de novembro)

sexta-feira, novembro 02, 2007

Tá-se bem

Tás a ver , foi bué, fize-mos cenas tipo LOL , man tás a ver à noite atá-mos um gajo à roda dum carro e à grade dum café , man , foi bué dizem k foi brincadeira de mau gosto, mas só o gozo k deu man dar cabo do c... do gajo, tás a ver, foi bué de LOL ...tá-se bem agora pode-mos fazer também na escola, a c...... da ministra mandou-nos as substitutas mas nós trata-mos delas, é só cenas tipo indisciplina, nada de crime meu... topas a cena e pró ano va-mos-se embora do secundário va-mos tratar das c... do superior no politécnico, agora passa tudo meu, kos novos cursos é bué de fácil tás a ver e ninguém nos chumba mano ka c.. da ministra não deicha... só tens k saber word e powerpoint e umas dicas tipo inglês técnico e tás na faculdade, disse a c... na TV k eu bem ouvi, tá-se bem pá, ciao está a xegar a minha c....


(diálogo imaginado, está bem de ver, mas, infelizmente, possível....)

Nota: procurando manter o decoro neste blog colocaram-se apenas as iniciais dos palavrões designando os genitais femininos e masculinos conforme a concordância do texto.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Com licença, com licença, com rumo à estrela polar



Hoje é dia de todos os santos e os santos cada qual escolhe os da sua devoção. Esta é a canção de entre as do 25 de Abril preferida pela minha avó, que assistiu ao fim da monarquia, à república e seus sobressaltos, ao golpe fascista, a duas guerras mundiais devastadoras incluindo a gripe espanhola, ao drama familiar de enterrar um filho aos 12 anos com leucemia, e finalmente ao 25 de Abril quando avançava já na sétima década da sua longa vida. Santa é como eu me lembro dela no seu olhar límpido e sereno nuns olhos de um azul cristalino quase metafísico e no som da sua voz de anjo quando cantava outras canções vindas talvez do fundo do tempo ... Não preciso de esperar que o papa me diga quem são os santos e os mártires. Hoje o dia deles todos - de todas as margens, dia dos que tiveram uma vida exemplar porque corajosa, desinteressada e consistente com o que acreditaram, dos que foram vítimas de ódios e de ditaduras de todas as marcas e tamanhos. Aqui fica neste primeiro de Novembro, o mês em que partiu meu pai, esta canção de Abril como homenagem aos meus defuntos: sobretudo a minha avó que largou este mundo há cerca de vinte anos e a meu pai que saiu há dois. Aqui fica a homenagem aos dois e a todos os meus defuntos significativos através desta canção, viva hoje de novo na interpretação de um jovem cuja voz faz lembrar simultaneamente Adriano e Zeca e que soube captar o espírito da canção de resistência. Aqui fica também a força da esperança contra o medo- pois as forças da natureza nunca ninguém as venceu.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Títulos e guias 3-a educação do filho de João Fernandes e conclusão do guia

Capítulo nono - O filho de João Fernandes

"(...)Se o dedicar às grandes carreiras públicas, às altas posições sociais, à política, à dominação, ao governo, ensine-lhe, de pequenino, a intriga, a astúcia, o egoísmo, a doblez.

Faça-o forte e matreiro; rijo, mas safado.

Não despreze ninguém, para poder utilizar todo o mundo.

Aperte indiferentemente todas as mãos, para a direita e para a esquerda.

Ao passo que for subindo, vá sucessivamente inutilizando o degrau em que pôs o pé, para levar o menor número de gente atrás de si.

Mostre-se enfim a João Fernandes os belos exemplos: o êxito dos grandes devassos triunfantes, a ruidosa vitória dos embusteiros e dos co­bardes, ao lado da humildade obscura dos caracteres irreconciliáveis com a desonra, com a hipocrisia, vivendo no seu canto e imaginando-se felizes — felizes os mesquinhos! os miseráveis! — felizes por viverem no íntegro dever, na plenitude moral, na profunda afirmação da consciência!

Conclusão,

Se João Fernandes seguir à risca as instruções deste guia, ele chegará a tudo o que pretender; a todas as honras e a todas as dignidades sociais: à distinção, à elegância, ao espírito, à celebridade, ao triunfo, à glória. Será deputado, ministro, conselheiro de Estado, embaixador, par do Reino. Será finalmente tudo o que quiser...tudo com excepção desta só coisa, a mais difícil, mas também a mais inútil de ser:

Um homem de bem!"


Ramalho Ortigão, Do tamanco aos arminhos - Carta de guia”, As Farpas, Janeiro 1876, Círculo de Leitores, III volume, tomo V , Barcelos, 2007

terça-feira, outubro 16, 2007

A formiga no carreiro



... em sentido contrário? Haja esperança, um dia talvez...



domingo, outubro 14, 2007

Memórias : homenagem a Adriano

Têm sido produzidas muitas peças de plástico a propósito e pretexto de homenagem.Não assassinem Adriano Correia de Oliveira, tornando-o um musak plastificado para centro comercial.
Exemplo de bom video-clip de homenagem é este com o cantar de emigração



Eis um exemplo de recriação com muita força, na minha modestíssima opinião, embora beneficiasse se as notinhas ascendentes de separação das quadras não estivessem lá.Ficaria obra prima sem essas notinhas...de qualquer das formas tem força.


Trova do vento que passa

Títulos e guias (de imagem ) 2

“(…)Capítulo terceiro Ideias de João Fernandes.
Desde que saia barão até que chegue a par do Reino e a marquês —. inclusive —. João Fernandes precisa de três ideias.
1.º— Ideia sobre os destinos das sociedades modernas. Procure na Re­vista dos Dois Mundos até achar neste ponto uma ideia que lhe agrade. Mande formular pelo seu secretário essa ideia em termos resumidos e cla­ros, e decore essa fórmula.
2.º - Ideia sobre as formas do governo. Procure Revista. Faça formular secretário. Decore fórmula.
3.º - Ideia sobre o movimento económico, literário e artístico. Vide a Revista. Secretário. Fórmula de cor.
De dois em dois anos reformem-se estas três ideias com alguma modificação ou com o apêndice de alguma particularidade nova.

Capítulo quartoDitos de João Fernandes.
Para criar e manter a sua reputação do homem mais espirituoso do país, tenha João Fernandes dois ditos por mês: um sobre o acontecimento mais notável, outro sobre a personagem mais célebre.
Para obter estes ditos procure no Fígaro, na Vie Parisienne, no Punch e nas comédias de Alexandre Dumas. Faça pelo seu secretário modificar, in­verter ou imitar esse dito com uma frase nova. Decore essa frase e diga em sociedade.”

Ramalho Ortigão, Do tamanco aos arminhos - Carta de guia”, As Farpas, Janeiro 1876

Títulos e guias (de imagem) 1

"Há uma coisa que está sendo tão vulgar como ter febres: é contrair um título. Os mesmos condados, que há pouco tempo ainda tinham um carácter quase exclusivamente hereditário, rebentam hoje no corpo social com a frequência dos unheiros e das espinhas carnais. Para o indivíduo que se deitou simples João Fernandes e que de repente acordou visconde Fernandes ou conde João, a mudança de condição equivale à mudança de país. João Fernandes acha-se de um modo súbito empenhado nas obri­gações e nas responsabilidades do seu novo estado social exactamente como poderia achar-se, despejado de um balão, nas ruas de Pequim.

Há nesta conjuntura um serviço relevante que prestar a João Fernan­des: é dar-lhe um guia. Convidamos a literatura pátria a produzir essa obra de uma importância capital e de uma necessidade extrema.
Ansiosos de sermos úteis a João Fernandes, à sociedade que o recebe, e ao país que o deita, temos a honra de oferecer ao escritor que o quiser preencher o plano do livro urgentemente reclamado pelo país, pela sociedade e ­por João Fernandes.
Título da obra - Carta de guia de João Fernandes nos usos e nos costumes ­das altas condições sociais.

Introdução - Demonstre-se a João Fernandes que o espírito de imitação é a -primeira das faculdades nas naturezas subalternas como a sua. Que, destinado a viver de imitar os outros, ele deve proibir-se absolutamente de inventar ou de produzir o que quer que seja, pondo todas as forças do seu ser unica e exclusivamente em procurar modelos bons e em imitá-los bem. (…)"

Ramalho Ortigão, Do tamanco aos arminhos - Carta de guia”, As Farpas,Janeiro 1876

sexta-feira, outubro 12, 2007

Génio entrevistado hoje na sic: Mira Amaral

Génio pois. A minha autoestima está a melhorar e acho que este é só 10 vezes melhor que eu, cálculo feito com base no diferencial de salários entre ele e a minha pessoa, ou será ainda maior a diferença? Quero crer que não, não é bom para o meu auto-conceito. Suponhamos, desta feita, que é só 10 vezes melhor. Sendo assim, acho que o homem só pode ser genial. Assim, vai daí, ele descobriu que a Economia não é uma ciência exacta como a Matemática. Pois já tínhamos desconfiado.... mas nunca o diríamos com tal clarividência...

Finanças : e os tais 75 000?

Então e os 75000 que prometeu exterminar? Quando é que o senhor os tenciona enfiar no desemprego ou nos comboios ou na incineradora? -pergunta o solícito jornalista, tentando assim garantir o apoio dos aparelhos partidários- futuros detentores do aparelho de Estado- e quem sabe lá ,arranjar um tacho como assessor de imagem de um desses que vêm veementemente defendendo o emagrecimento do monstro ao mesmo tempo que vêm exigindo justiça, educação e saúde céleres, eficazes e de qualidade providas pelo mesmo aparelhinho....Ou, o que é ainda mais cínico, exigindo a redução da despesa pelo lado puro e duro do não provimento, contando com a degradação do Estado social para os grupos privados poderem ter o seu mercado assegurado através da venda daqueles servicinhos, mantendo o pessoal menor (e menos menor) a contrato precário (sendo que o maior tem sociedade e arrecada os lucros) e pressionando o Estado para garantir o apoio dos subsistemas de financiamento de parte dos antigos utentes do SNS ou da educação pública para poderem alargar um pouco a freguesia e portanto os lucrozinhos....
Uuff-pensa o mesmo jornalisteco- ainda bem que consegui ser eu a perguntar primeiro, ó pra mim a desempenhar a minha função de bajulador...viram bem? ....repararam que fui eu, hem?