quarta-feira, setembro 19, 2007

Prós e contras: Ministra no seu melhor

Palavras para quê?
A ministra esteve bem na primeira parte, podia subscrever quase tudo o que disse sobre o ensino profissional. Continuo, assim, sem saber e adoraria ter a informação sobre quem e por que razão queria acabar com o CEF, de tipo 6: o lamentável é que em algumas escolas a estratégia do telefone e do boato teve sucesso, havendo debandada dos alunos inscritos.
Na segunda parte, estalou o verniz e foi o que foi. A capacidade da ministra dialogar com o outro e aceitar a diferença é de facto muito reduzida.
Quanto aos silenciosos e em low profile (e ainda bem) senhores secretários de Estado apenas há a dizer que o rosa choque em nada favorece um deles (embora seja difícil saber que cor o favoreceria) e ao outro fica-lhe mal o risinho (até porque desse esperávamos maior compostura).
Os sindicatos estiveram bem, muito compostos e serenos, faltou explicar os pormenores tétricos do concurso a titular, a maioria das pessoas não sabe da tábua rasa feita a uma vida de trabalho , contando apenas a vida a partir de 99. A maioria não sabe que nada no concurso garantia que fossem os ditos "melhores" os seleccionados. Mas era muito "técnico", era demais para a audiência de treinadores de bancada, especialistas de tudo e de nada, julgadores de praça do peixe, exigentíssimos sobretudo quando se trata da profissão dos outros em que nos tornámos pela mão deste governo socialista.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Ausência de sentido do ridículo no governo da Porcalândia

Nem um membro do governo da Porcalândia teve tempo para receber o Dalai Lama, nem a título privado. Estavam todos nas escolinhas a dar computadores. A Porcalândia parece-se muito com uma república das bananas e será por isso que muitos cidadãos do centro e norte da NewpoorLândia pensam que aqui se produzem bananas, ananases e papaias. Quando descobrem o preço dos referidos frutos é que percebem que a Porcalândia não fica nem na América Latina, nem em África, nem no Pacífico.

Embusteiros ou não, ponto final

Como o CSI é uma das minhas séries preferidas não resisto em pôr hipóteses. Claro que é pura perda de tempo todo este exercício mas até compreendo que seja o hit do momento, quem pelos media vive pelos media morre e as pessoas em geral gostam de romances policiais. O casal de embusteiros ou não embusteiros (presumidos não embusteiros até prova em contrário) que se amanhe com o advogado do Pinochet, a mais de 1000 à hora e ainda o acessor de imagem cuja hora de trabalho não deve ficar atrás em preço.
E eu que me revoltei imenso com um solicitador de Lisboa pedindo 45... claro que fazia não sei bem o quê nas horas ditas gastas e preparava-se para mungir a vaca. Mas a 1000, o animal tem que ter muito leite diria mesmo só com o leite não vai lá, terá que produzir bostas ricas em ouro ou diamantes.
Enfim, melhor mudar de assunto que já cheira mal, em todos os sentidos.

quarta-feira, setembro 12, 2007

E porque não coma profundo ou induzido?

Claro, eles os McCann são presumidos inocentes até prova em contrário mas todos temos um pouco de Sherlock Holmes e não resistimos: com tanto amigalhaço no Allgarve e liberdade de movimentos do casal (por todo o mundo) e desses amigos e por via postal obtém-se muito medicamento, até via internet com inteira confidencialidade. É que é estranha , muito estranha a diferença de 25 dias. Os amigalhaços médicos foram cheiricados? O Ocean club foi visitado pelos cães? Tem duas piscinas aquecidas e deve ter arcas frigoríficas. Depois, até por via postal se enviam cinzas para casa num pacotinho. E a casa do reverendo? Claro, todos são presumidos inocentes e ninguém tem nada a ver com o assunto até prova em contrário.

terça-feira, setembro 11, 2007

Rentrée na educação: de volta a propaganda

O caso mediático Maddie calha bem ao governo, absorve todas as atenções e exacerba certo nacionalismo unificador da massa. Assim o arranque das aulas parece rodar sem problemas e o primeiro ministro pode voltar ao sistema da propaganda, sem que ninguém coloque questões parvas como de que forma conseguiu aumentar a população escolar, que malabarismos executou para concluir que os resultados na educação estão melhores do que há dois anos e de que forma pretende resolver o problema do desemprego de muitos milhares de professores que considerou dispensáveis precisamente quando aumenta a população escolar.

Agressões culinárias

Acontece que a culinária pode conter mais clivagens entre povos do que a religião sobretudo para uma geração mais jovem. Assim, o peixe português atreve-se a apresentar-se à mesa com cabeça, olhos, boca e dentes e esqueleto interno (vulgo espinhas) enquanto o salmão do norte da Europa é muito mais educado apresentando-se em filetes sem espinhas nem olhos nem cabeça. Também a canja de "miúdos" portuguesa é um desafio para certas culturas. Deus fez a galinha com fígado, o que pode arruinar o sucesso do chefe cozinheiro se o comensal descobrir que o fígado foi incluído na canja. Assim, há que decapitar previamente os peixes e desfigadar as galinhas nalgumas recepções diplomaticamente mais complicadas.

sábado, setembro 08, 2007

Caso Maddie:contornos sinistros

Devo aqui penitenciar-me pelo facto de ter criticado a polícia portuguesa. Estou agora numa muito diferente. Farta dos media britânicos botando e explorando disparates. E de facto, isto aqui ainda não é um protectorado britânico e espero que se não torne um protectorado de ninguém. Deste modo, venho assim a descobrir que ( apesar de achar que uma certa integração na península só nos faria bem) o meu nacionalismo é demasiado intrínseco por boas ou más razões, não sei nem vou aqui dissecá-las. Acho bem que a polícia portuguesa agradeça a colaboração dos cãozinhos e ponha os amigos do Gordon no lugar que merecem: arguidos quanto mais não seja por drogarem os filhos.

sexta-feira, setembro 07, 2007

As Farpas, Ramalho Ortigão

"Todos os espíritos que se aplicam ao estudo dos característicos que prenunciam as novas evoluções da liberdade compreendem, tanto em Portugal como já hoje fora de Portugal que está iminente sobre nós uma dessas grandes transformações políticas que aparecem nos países livres sempre que todas as questões que serviam para delimitar o campo dos diferentes partidos se acham liquidadas, e que o progresso não inspira a criação de novas questões que sirvam de base para novos partidos."

quarta-feira, agosto 29, 2007

Nós do Porto-suplemento

No post anterior apresentámos o principal problema no acesso ao aeroporto Sá Carneiro - a sua pura e simples omissão nas indicações de direcção dos novos acessos, para quem sai da A1, tornando muito difícil uma tarefa que, fora esse pormenor incómodo, parece ter sido muito agilizada pelos trabalhos realizados. Só neste país, de facto, se pensa uma obra com pés e cabeça e a seguir se termina a mesma só com os pés. A cabeça não foi usada na definição de placas indicadoras de direcções. Há também um pouco de sadismo que não referi no post anterior.
A indicação da faixa a escolher é, em muitos momentos, simplesmente cruel. Pensamos que a estrada vai dividir-se em duas direcções e colocamo-nos na faixa correcta (a nosso ver). Havendo quatro faixas teremos que nos colocar na terceira se queremos ir para onde nos manda a tabuleta com duas setinhas para baixo a indicar as faixinhas a ocupar: mais à frente percebemos que era tudo mentira, a estrada continua com 4 pistas todas para os mesmos destinos havendo mesmo uma situação em que há duas tabuletas azuis indicando ambas exactamente as mesmas direcções. Descobrimos que fizemos figura de idiotas durante muitos kms, circulando na terceira pista a uma velocidade moderada, quase perigosa considerando aquela a que circulam os entendidos no labirinto, quando apenas nos queríamos colocar na faixa da direita da nova estrada (com duas faixas, pensávamos) depois daquilo que imaginávamos ser uma bifurcação.
Com toda a atenção na estrada e nas tabuletas não foi possível registar fotograficamente os melhores momentos. Tarefa que pensamos dever ser de um ACP ou outra associação semelhante, já que quem decidiu não se dá ao trabalho de verificar, pelo menos de vez em quando, se ficou tudo bem feito. Quanto ao aeroporto, esta situação arrasta-se. Já tínhamos sido rogados por amigos de Holanda que escrevesse carta às autoridades turísticas. Tinham alugado carro e dado umas voltas pelo país e no regresso, viram sérias dificuldades em encontrar o tal aeroporto. Pensei que entretanto o problema se tinha resolvido Infelizmente, não, e desta vez terei mesmo que escrever a carta, acho que vou começar pelo ACP. C´os diabos não é um aeródromo!

Nós do Porto e o aeroporto

Realmente magnífica a obra realizada em termos de acessos à capital do Norte. No entanto, é melhor ser-se do Porto para os utilizar, ou ser-se fortíssimo conhecedor de geografia de Portugal e do norte e do Porto em particular se se não tiver GPS no carro e se se tiver cometido o erro grave de não ter consultado o mapa previamente, planeando a aventura radical de encontrar o aeroporto do Porto, passe a cacafonia.
Já tendo alcançado o Porto e tendo sido percorridos muitos kms, sentimos que estamos já a ultrapassar a cidade para o Norte, começamos então a ter a sensação de que a indicação para o aeroporto já deveria ter aparecido, e os nervos começam a agitar-se. Mais adiante, já não se pode adiar a questão- temos que escolher- aparecem-nos três enormes tabuletas a azul- A3 e outras As ( muitas) todas para o norte (para Viana ou Braga) era uma das tabuletas, a outra indicava Ponte Arrábida (entre outros destinos que não o ansiado aeroporto) e uma terceira dizia Maia ou qualquer sítio assim mais local, já nem me lembro e em 6 segundos a decisão tem que ser tomada -é uma espécie de rally paper portanto e para quem adivinhar onde fica Pedras Rubras o prémio é chegar mais ou menos a tempo de apanhar um avião ou de não fazer esperar muito quem chega e por nós aguarda na aerogare. A escolha foi feita com base na memória: Ponte Arrábida. Já que a opção pelas autoestradas nada garantia ter saída para o aeroporto, destino ridículo aliás para quem está tão bem no cantinho-sair não faz sentido e chegar também é estúpido, já que cada qual estava tão bem no sítio onde estava antes... e se insistem em se deslocarem de avião que apanhem táxis, assim devem pensar os decisores de tabuletas que em nada promovem o acesso por automóvel do cidadão comum e ignaro (ou seja do sul) à aerogare do Norte. A seguir à opção tomada, respiramos de alívio, mais à frente então aparecem as tabuletas "aeroporto" a premiar a nossa decisão e então tudo corre bem , somos dirigidos convenientemente pelo labirinto de acessos de alta velocidade ao nosso destino.
Mais tarde quando finalmente conseguimos recolher os nossos visitantes chegados ao tal aeroporto também conhecido por Sá Carneiro e quisemos regressar foi muitíssimo mais interessante . Para os senhores projectistas do norte, o destino aeroporto tem pouca importância mas sempre vai aparecendo desde que a decisão tomada muito anteriormente à primeira indicação do mesmo tenha sido a correcta. Agora querer alcançar o ridículo destino Lisboa, isso já é pedir demais. "Ainda agora chegou e já quer voltar à capital? -pensam as tabuletas- então vamos ver se é bom em geografia...". Indicações de autoestradas, muitas, todas para o Norte, até Galiza lá aparece, mas nada parecido com Lisboa, Sul ou A1 é indicado durante quilómetros a fio em que temos que decidir por exclusão de partes: Maia, escolhi eu, achando que era a única direcção para sul. De resto, passada a Maia, Porto escolhe-se sempre e há uma tabuleta então magnífica em termos de mensagem implícita e explícita: diz ela" Porto (Lisboa)"- respiramos de alívio, a cidade Lisboa finalmente mencionada embora entre parêntesis e em letra mais pequena e por baixo do Porto, como deve ser, aliás. Entretanto, o Porto afasta-se de nós ....Porto 9 km, Porto 13, susto, Porto 11, bem tudo bem, pensamos, deve ser a cintura externa do Porto. Após vários kms e opções pelo Porto, aparece-nos finalmente e como grande prémio a tão desejada A1- Lisboa, imagine-se a sensação de vitória, o corpo a pedir descanso do herói, já que tudo isto acontece a velocidades nada relaxantes e a adrenalina está no máximo ou perto. Claro que só podemos cantar vitória muito à frente, passada a portagem da A1: aí chegados já nada há a perturbar o andamento, pelo menos quanto a decisões a tomar. Há, claro, o sofrimento ainda das obras na A1 mas isso é já coisa nenhuma depois da nossa demanda anterior...