segunda-feira, julho 23, 2007

Eles vivem



São cada vez mais os que se vendem, um(a) a um(a), vão fazendo compromissos nos princípios, dobrando-os até quebrarem como arames ferrugentos , um(a) a um(a) farão o discurso do poder na razão directa do estatuto que vão ganhando. Um(a) a um(a), irão ensaiando o prazer de lixar o semelhante, um(a) a um(a) inventando razões e auto-convencendo-se delas. Um(a) a um(a) evitarão os espelhos da consciência e há pessoas que funcionam como espelhos. Fugirão delas. Um dia deixarão de ter consciência. Um dia deixarão de ser pessoas...

domingo, julho 22, 2007

Le Tour

Contador de parabéns, de resto, tudo igual.

Bela, de facto, a França. Imagens lindíssimas. Nunca o futebol nos proporcionará isto. Claro que emocionantes são só os últimos quilómetros, mas empurrões que ninguém viu não há aqui. E há ainda, parece, uma espécie de código de honra e de conduta interessante, durante a corrida, pelo menos. Pena os fumos de desconfiança sobre a batota biológica ainda a pairar sobre a volta.
Sérgio Paulinho trabalhando incógnito, ainda mais incógnito que Azevedo que acabava a volta rainha em posições nada vergonhosas e pouca importância lhe davam os media aqui, no cantinho. Paulinho está a 1h30m do camisola amarela mas atrás dele estão nomes bem sonantes. Nesta altura já dá para ver quem se aguenta (com a ressalva do caeteris paribus, está bem de ver).
Esforço sobre-humano, na etapa de hoje, deu para ver, difícil imaginar.
Ainda vem pior nas próximas etapas. A de manhã, a não perder.

Fico grata a alguém muito especial que me levou a compreender melhor o ciclismo, sempre fui fã da volta a Portugal mas estava longe de entender como tudo funciona no trabalho individual e por equipas. Devo dizer que o sistema dos pontos ainda não entendo bem.

Um, dois, experiência

Como hoje é Domingo e quase em férias, estive a ver atentamente o mapa das visitas. A minha esfera de influência no globo apresenta grandes vazios. Fiquei preocupada. China já sabemos , o blogspot bloqueado. E antes disso tinha várias visitas, sempre que escrevia sobre a China, lá vinha um ou outro visitante. O que cá vinham fazer não sei, nunca escrevi em Chinês e em Inglês quase nunca. África: a do Magreb percebe-se. A subsariana também. Têm mais que fazer os poucos que têm internet do que navegar em blogues portugueses. Outro enorme vazio é a Rússia. Diga-se de passagem, não tenho nenhum post sobre esse país.
Assim, experimentemos falar sobre a Rússia a ver o que acontece. Rússia, Rússia, Rússia. Os estados policiais têm estas coisas, quem se lhes escapa pode fazer fosquinhas deste lado da rede. Nhã nhã, nhã nhã nhâ.. Rússia. Rússia.

Depois direi o resultado da experiência, aliás, pode ver-se no mapinha, daqui a uns tempos, ele é lento a reagir.

Materiais perigosos e incêndios

Na SIC notícias-incêncio em Ovar.
Será que também me querem insultar a inteligência? Com este tempo meteorológico? Incêndio acidental?
Mas não é sobre fogos-postos que venho escrever hoje...
Bombeiros respirando fumos de pneus a arder sem qualquer protecção. As pessoas em volta sem se manifestarem, possivelmente os mesmos que têm participado em manifestações contra a co-incineração não vêem necessidade de se pronunciarem contra estas situações. Está-me a parecer que afinal a luta foi pelo direito de, de vez em quando, poderem respirar estes smokes. O mesmo com outros resíduos perigosos, muito melhor tê-los em terrenos baldios (ou menos baldios) em sacos, à espera da ruptura e da contaminação de solos e águas. A população não quer a co-incineração à porta, prefere a adrenalina de esperar que um dia a água que bebe venha com aditivos de metais pesados e outras iguarias semelhantes. Aliás cada qual, e apesar de ser ilegal, queima toda a espécie de detritos no quintal, sem querer saber se este ou aquele material liberta ou não substâncias cancerígenas quando em combustão. Também cada qual envia para a rede de esgotos toda a espécie de produtos. Está-se bem!
Já estamos todos habituados e até, quem sabe, até pode ser que todo este risco afinal nos saiba bem, nos ponha high...
Co-incineração é que não! Co-incineração não, tudo menos isso!
Mais fuminhos negros! Queremos fuminhos negros! Queremos saquinhos com venenos em cada município!
Queremos pneus a arder em céu aberto! Co-incineração, não!

sábado, julho 21, 2007

Era mesmo manutenção e não censura

Uffff! Era mesmo manutenção no prof2000 e parece ter acabado a torrente de spam que invadia os blogs- dando um imenso trabalho aos autores para eliminar comentários na moderação- spam da mais variada origem, desde a venda de malas aos automóveis, desde os toques de telemóveis aos vídeos porno ... sendo, de longe, a indústria farmacêutica, através dos seus drug dealers, a torrente maior: listas infindas de links, um por medicamento, obrigando a esperar horas pelos carregamentos dos comentários; nalguns dias, só mesmo apagando um a um se conseguia eliminá-los. Agora não. E eu já a pensar que era a censura. Mea culpa, o ambiente geral no país está a pôr-nos todos doidos...nem tudo ainda é polícia...
Na China, parece estar o acesso ao blogspot bloqueado centralmente. Se a ideia pega... e lá estou eu ... Estou é a precisar de férias.
Aqui no cantinho, é de saudar a ideia do Público de publicar posts de blogs acerca de um determinado assunto. Assim, vi o meu post da diluição citado, embora não completo, mas até que pararam no parágrafo certo. O resto adivinha-se. Devolvo a atenção com o link e o label. Significa isto que terei que ter mais atenção (à forma, claro) antes de postar. Afinal os blogs não são, de facto, o nosso caderninho de apontamentos. São mais do que isso.

sexta-feira, julho 20, 2007

Prof2000 em manutenção-será mesmo?

O prof2000.pt encontra-se em manutenção- será mesmo isso? Ou estarão a fazer a revisão de blogs e foruns? Já nem sei que pense.

Leis? Para quê?

Tudo indica não ser necessário mudar leis neste país o governo opera na plena ilegalidade - o despacho conjunto do Ministério da Educação e do Trabalho que deu origem aos cursos de Educação e Formação continua em vigor e já por duas vezes esses cursos foram ameaçados. O mesmo se está a fazer com o ensino tecnológico. Não é necessário alterar leis, basta que as escolinhas saibam qual a intenção do governo-obedecem sem discussão. Que certos documentos legais (como a reforma curricular do ensino secundário) tenham já anos e sejam até criações originárias de governos PS, não interessa nada. O que interessa é proteger os lobbies mais bem colocados que as ditas escolinhas para influenciarem secretários de Estado. Falta-lhes freguesia? É simples, vão buscá-la assim: proibindo as escolas públicas de oferecerem certos cursos.

Análise de Fernando Rosas

Agora mais claro, Fernando Rosas não falou em "deriva liberal", o que disse foi contundente: o PS estaria, na sua opinião, a fazer a política da direita, com isso ocupando o espaço político do PSD, o que explicaria a derrota deste partido em Lisboa. Eu diria mais: o PS também ocupa grande parte do espaço político do CDS, o que também explicará parcialmente a derrota em Lisboa deste partido, pois é estranho que o PSD diminua sem que cresça o CDS. À esquerda há sérios problemas na ocupação do lugar deixado vago pelo PS.

quinta-feira, julho 19, 2007

Texto de Nogueira

O email de cadeia tinha a informação de que os jornais têm o texto, esperemos que publiquem.
Foi difícil reduzir e mudar o tipo de letra e lembrei-me do tempo em que havia umas folhinhas pequenas,deixadas nas casas de banho por mão incógnita, com tipo pequeníssimo, algumas feitas em stencil, e as líamos à socapa...
É pena que grande parte desse medo tenha sido instigado pelos próprios sindicatos, a adesão ao concurso a titular resulta disso em parte.

Um texto de Mário Nogueira a circular por email

CHEIRA AO MEDO DO “ANTIGAMENTE”…
O actual governo, presidido por Sócrates, é violento. Não como outros que o foram antes. Quem não recorda, por exemplo, a violência cavaquista patente, pelo menos, em dois momentos inesquecíveis em que colocou na rua a polícia para reprimir manifestantes: uma vez, no tão célebre quanto triste episódio dos “secos” e “molhados” em que a polícia carregou sobre a polícia; outra vez foi a repressão na Ponte 25 de Abril contra quem contestava o aumento das portagens.
Era a violência física usada para que não restassem dúvidas sobre o poder de quem o detinha. Uma violência que, dada a visibilidade, chamava outros ao protesto nem que fosse para contestarem a própria violência. Contestar, na altura, custaria, quanto muito, o susto de ter de fugir à polícia, mas, para isso, bastava um pouco de argúcia e alguma preparação física.
Hoje é diferente. A polícia não actua da mesma forma. Mostra-se ao longe, identifica (de preferência sem dar muito nas vistas), anda à paisana e usa câmaras de filmar. Porém, embora a polícia se mostre menos, a violência existe talvez mais perversa, pois não deixa nódoas negras na pele. É a outra violência, a que sem deixar marcas exteriores ainda dói mais, aquela que semeia o medo e, dessa forma, contribui para que atinja os seus objectivos quem dela se serve.
Casos com o da DREN/Charrua, o da ex-delegada de saúde de Vieira do Minho, o do autor do blogue Portugal Profundo, as ameaças aos potenciais aderentes à Greve Geral ou o fortíssimo ataque que está a ser movido ao movimento sindical e aos seus dirigentes são sintomáticos do tipo de violência que procura instalar-se e que contribui para a generalização do sentimento de medo.
É o medo de falar, de dar a cara, de denunciar publicamente, de dizer as verdades, de protestar, até de comentar criticamente nem que seja à mesa do café. Sim, porque agora há, de novo, os bufos. E os bufos podem estar na mesa do lado, na secretária em frente, na esquina da rua… bufam para se prestigiarem diante do poder e, talvez assim, garantirem um bom futuro, apesar da sua mediocridade. E é neste caldo de cultura que vai crescendo o medo. O medo do processo disciplinar, do sinal vermelho no registo biográfico, do traço azul no texto, do esfumar da progressão na carreira, de perder o emprego e, assim, a casa, o carro, o futuro dos filhos…
Sócrates há dias, com o seu ar presunçoso, sorria junto de quem o contestava e, para as câmaras da televisão, informava o país de que era um “político democrático”, não fosse o país ter disso dúvidas. Mas será democrático o líder de um governo que fez regressar ao país a intolerância política, o delito de opinião, a violência que semeia o medo?!
Evitar que o medo se instale de vez é exigência que se coloca a todos os que acreditam nos valores democráticos. Nestas circunstâncias, lutar contra o medo não é só um direito que nos assiste, é um dever que se impõe a todos nós. É necessário que, sem medo, enxotemos os ditadorzecos que certas conjunturas promovem. Políticos que, ilegitimamente, abusam do poder que legitimamente conquistaram. São os salazarentos deste início de século XXI, sapato de verniz em vez de botas, que nem marcelentos merecem ser considerados.
Desconheço se um dia cairão de alguma cadeira, mas do poder tombarão sem glória, pois apenas os heróis são glorificados pelo povo. Quem ataca e fere os que menos têm e menos podem, jamais merecerá glória. Desses, o povo costuma dizer que “Deus nos livre deles!”, mas depois é o próprio povo que perde a paciência de esperar a intervenção divina e deles se livra. Estou convencido que será assim de novo…
Mário Nogueira, Professor, Coordenador do SPRC e Secretário-Geral da FENPROF