quarta-feira, julho 11, 2007

Cuidado com as atitudes

Disse o P. R.. Mas porque se admira? Quando se chega ao poder através de um passeio na avenida, ganha-se uma certa descontracção alvar. Estava à espera de quê? Berço? Chá?
Chá acho bem, sou defensora de chá. Quanto ao berço, dizem que foi o senhor que o fez, a estes do partido único. Quanto às atitudes (de todos nós claro, longe de mim estar aqui a insultar este ou aquele tio ou tia ou aspirante a tio ou tia) , quanto às atitudes, dizia eu, não basta dar aquela entoação à voz a fingir que se é bem, é necessário ser-se de bem. Mas será que se esqueceu da lei de Gresham que de forma tão lúcida aplicou à política?
Cuidado com as imitações-digo eu, com o poeta cantor-cuidado Casimiro!.

Brandos costumes e bravura

Apesar de ter brandos costumes o povo da Porcalândia tem frequentes actos de bravura: as estatísticas falam por si quanto ao objecto da bravura dos machos da Porcalândia. Segundo estudos comparativos serão as estatísticas semelhantes às de um outro povo de seres humanos chamado Portugal. Interrogado por uma jornalista jovem sobre esta situação na Porcalândia, um alto dignatário do regime do partido único dos porcúnculos no poder teria comentado: tá a ver o número de casais que há por aí na Porcalândia? acha muita violência doméstica? Eu cá não, isto dilui-se, isto nã é nada, ... tá-se bem!

Titulares a mais, horas a menos

Alguns departamentos estão a ficar com excesso de titulares embora deficit de horas. Porquê , adivinhem lá porquê? Pois adivinhou bem, o deficit de horas já existia antes, já tinha empurrado alguns perus e peruas para a nobre função da gestão e aí foram acumulando os pontinhos; quem esteve na reles função de dar aulinhas (por não ter deficit de horas, felizardos) tem agora os mínimos pontinhos atribuídos à reles função de ensinar. Claro que esses titulares, habituados a mandar (à maneira deles, ninguém lhes avaliou o trabalho), podiam ir fazer o mesmo nas escolinhas que não têm titulares. Era uma ideia engraçada e de uma justiça irónica: é que de facto, não são factos independentes, a diminuição da freguesia e a qualidade do ensino ministrado ou o estilo que imprimiram à escola enquanto estiveram na gestão. E seria quase justo acontecer-lhes aquilo de que têm fugido à custa de outros (enquanto estiveram na gestão outros mais graduados tiveram que concorrer ao concurso dos destacamentos de horários zero): a mobilidade.
Que diriam os docentes das escolinhas que os tivessem que aguentar a coordenar e a avaliar? Como os acolheriam imaginamos. Não esqueçamos que o presidente do executivo não dá aulas, e o vice dá poucas mas a sua actividade dá o máximo de pontos. São essas pessoas que deram nos últimos anos uma aulinha aqui outra ali no meio dos afazeres da mui digna função de gerir a escola (à maneira deles, ninguém avaliou essa gestão) função para a qual se candidataram com a mui nobre e desinteressada motivação de escapar à mobilidade que lhes caberia a eles, são estas pessoas que vão avaliar outros professores que nunca deixaram de dar aulas e não têm motivação para peru ou para pavão e por isso não se candidataram à gestão?
Por enquanto, dá-se o fenómeno previsto: embora não pertençam aos grupos disciplinares dos quais "roubaram" as poucas vagas disponíveis no superdepartamento, já andam rodeados de uma corte oriunda daqueles e nem foram ainda empossados.
Isto é em Portugal. Na Porcalândia estas coisas também se passam mas ainda não houve tempo para a reportagem. Um dia destes sairá.

Especificidades regionais?

Parece haver na Porcalândia uma organização regionalizada da educação. Assim um secretário de Estado da Porcalândia, oriundo de uma região, instigado por grupos de interesses da mesma região, terá telefonado à organização regional de onde terá conseguido que saísse a ordem telefónica para as escolinhas suspenderem matrículas de cursos terminais profissionalizantes. Na capital nada consta e esses cursos estão para continuar. Parece assim confirmar-se uma certa tendência para que nas metrópoles não se possa governar através de um blup* telefónico mas através de procedimentos legais como um despachozinho escrito.
Entretanto, não nos foi possível ainda saber que grupos de interesse estariam envolvidos.


*blup é um excreção cerebral muito frequente nos porcúnculos

terça-feira, julho 10, 2007

Mandrágora e magia negra

Dizem alguns que a mandrágora teria resultado da "ejaculação da morte" do ditador Sal e Azar*, mas estes mistérios são difíceis de comprovar. O que é certo é estar a dita planta de boa saúde, adubada devidamente à custa do erário público pago a suor e sangue pelos subordinados da Porcalândia como explicámos no post anterior. Também se confirma que as aspersões da mesma planta são diariamente executadas nos canais de TV ( disponíveis na Porcalândia por via aérea ou por cabo) e imperceptivelmente assimiladas pelos subordinados da Porcalândia, resultando num medo generalizado e traduzindo-se num silêncio nauseabundo e numa apatia disseminada e deprimida apenas entrecortada por episódios descontínuos como aquele (bem recente) em que um estádio inteiro se pôs a apupar os porcuncúlos, num rasgo de fúria protegida pelo anonimato da massa. Por engano, alguns canais passaram imagens que devem ter sido de imediato destruídas, em todo o caso, nunca mais repetidas.
Quanto ao processo de produção dos porcúnculos não é claro se da dita planta provêm ou do processo do ovo da galinha negra. Mas alguns sustentam que se tratará de ovo sim, mas de serpente (serpent´s egg) também negra, enterrado em esterco. A alimentação não teria incluído a lavanda mas apenas as lombrigas.

* Cf Fernando Pessoa

Porcúnculos na Porcalândia: magia negra

Eles são pequeninos mas não são bácoros, são porcúnculos, à semelhança dos homúnculos. A mandrágora (da propaganda na génese deste domínio) foi paga pelos governados e lavada no seu sangue. Alguns até conseguiram ter as medidas de um porco adulto, mas são porcúnculos. E governam a porcalância com os seus cérebros de dimensão reduzida. Alguns fazem pose de estadistas e falam inglês mais ou menos técnico. Outros dizem coisas como : mas estão descontentes porquê? A Porcalândia pertence a uma união- a Newpoorlândia: porque não saem da Newpoorlândia?

domingo, julho 08, 2007

Solidariedade?

Será que todos os que por aí se armam em heróis levantariam uma palhinha que fosse, para de facto se solidarizarem com alguém em situação difícil? Não haverá por aí também uma outra espécie de boys que o que pretendem é uma projecçãozinha qualquer à custa de umas bocas aqui e ali enquanto mantêm a compostura e a conformidade nos empregozinhos e nos tachinhos que muito jeito lhes dão sem DE FACTO nunca se arriscarem a fazer o que quer que seja que possa colocar em risco os ditos? Estou a falar das situações concretas, em que há pessoas na calha para supranumerários, em que há pessoas que são propositadamente colocadas em prateleiras para depois se poder falar em "falta de perfil", "desadaptação" e outros epítetos preliminares do despedimento. E quantos desses "críticos" estão a tratar da sua vida para que isso aconteça só aos outros e sempre aos outros? E quantos se não preparam para concordarem internamente com os epítetos para se convencerem que nada podiam fazer por aquele colega? "Ele realmente,..." "Ela, de facto, tem mau feitio..." "Ele, diga-se em abono da verdade, estava sempre contra, não nos deixava trabalhar..." "ela não tinha perfil para nenhum cargo e agora queixa-se..." coisas assim e mais o silêncio viscoso nos locais de trabalho a contrastar muito com a cacafonia na blogoesfera. E isso preocupa-me muito mais que haver uns boys-pigs que triunfaram na Porcalândia. Triunfaram em toda a linha porque a massa amorfa é, infelizmente, assim...
Na Porcalândia vive um povo que diz "segura-me que eu desgraço-me..." para não ir às ventas de quem o tratou abaixo de cão... De brandos costumes, dizem dele, paternalista e eufemisticamente, outros povos que "os têm" e com quem os governantes não ousam muito brincar.

Tour: Australia in good shape

1. McEwen
2. Hushovd
3. Boonen

Amarela: Cancellara

Bom começo! Boa Volta a todos! Limpinha desta vez?


RTP2: Camisola da colina para um Inglês , diz o comentador. Mauzinho mas com graça.

Censura na Porcalândia

« Numa entrevista dada a António Ferro, em 1932, ao assumir a presidência do Conselho de Ministros, Salazar disse ao seu interlocutor que compreendia a irritação provocada pela existência de Censura, dado que não havia “nada que o homem considere mais sagrado que o seu pensamento e do que a expressão do seu pensamento” - Salazar contou que ele próprio já havia sido “vítima da censura”, confessando que chegara mesmo, por isso, “a ter pensamentos revolucionários”. Hipocritamente, afirmou que o aparelho de Censura era “uma instituição defeituosa, injusta, por vezes, sujeita ao livre arbítrio dos censores, às variantes do seu temperamento, às consequências do seu mau humor”.

No entanto, à pergunta de Ferro, por que não revogava então a Censura, esclareceu que não o faria, pois não considerava “legítimo, por exemplo, que se deturpassem os factos, por ignorância ou por má fé, para fundamentar ataques injustificados à obra dum governo, com prejuízo para os interesses do pais”. Nesses casos justificava-se a censura, «como elemento de elucidação, corno correctivo necessário». Observando que a imprensa outrora existente em Portugal dava “a triste imagem dum saguão: intrigas, insultos, insinuações, pessoalismos, provincianismos, baixa intelectualidade”. Salazar disse que o objectivo de um jornal era ser “o alimento espiritual do povo” e, por isso, devia “ser fiscalizado como todos os alimentos”.

Para evitar, porém, “o mais possível”, o “trabalho da censura”, o novo presidente do Conselho afirmou estar a pensar criar "um bureau de informações a que os jornais" poderiam recorrer; para se munirem, de elementos necessários à análise, e até à crítica, da obra do governo". A criação de tal gabinete não acabaria, no entanto, com a Censura, dado que, segundo Salazar, esta também tinha um "aspecto moralizador", ao intervir necessariamente nos “ataques pessoais e nos desmandos de linguagem”. Além desse aspecto "moralizador", a Censura também era chamada a intervir "no aspecto doutrinário", pois ela acabava por ser a “função natural dum regime de autoridade”, ao ter que actuar contra a doutrina subversiva. À sugestão de Ferro de que isso poderia ser resolvido com uma lei de Imprensa, Salazar cha­mou a atenção para o facto de os tribunais não darem "um rendi­mento necessário em delitos dessa natureza". O certo é que, pouco tempo depois de assumir o seu novo cargo, Salazar emitiu, em 23 de Dezembro de 1932, uma circular, a determinar a reorganização geral dos Serviços de Censura.

Noutra ocasião, ainda em conversa com António Ferro, Salazar repetiu a afirmação de que a Censura constituía "a legítima defesa dos Estados livres, independentes, contra a grande desorientação do pensamento moderno, a revolução internacional da desordem" ».

Irene Flunser Pimentel (2007), “A censura”, in João Madeira, Luís Farinha, Irene Flunser Pimentel, Vítimas de Salazar, Esfera dos livros, Lisboa


Qualquer semelhança com a realidade actual na Porcalândia é pura coincidência.

Nota de comentário crítico à prosa- Para quê estragar um trabalho documental válido com advérbios de modo como "hipocritamente" que apenas estragam o efeito? Para quê adjectivos e advérbios destes? O leitor é burro? É pena.

sábado, julho 07, 2007

Live earth

Iniciativa interessante. Mas e como se deslocaram para os estádios? De transportes colectivos? Acho bem.
Entretanto tenho uma confissão a fazer de um crime ecológico meu, diariamente repetido. Transporto muitas vezes os 49kg da minha pessoa mais os 10 kg da minha pasta através da deslocação das 2,55 toneladas do meu defender. Por isso vou já pagar, diligente e obedientemente os 45 euros de imposto de camionagem que devo confessar achar pouco como castigo para uma tal ineficiência energética.
Mas 15km de bicliceta mais a pasta no meio do trânsito de doidos ainda não me atrevo... e autocarros é o sistema do lá vai um de vez em quando.
Desculpará a próxima geração: eu pecadora, me confesso.