segunda-feira, maio 14, 2007

Lógica brilhante do governo ou do correio da manhã?

Notícia espectacular no correio da manhã sobre a novidade que tem sido anunciada aqui e ali e é agora tema muito frequente de conversa aqui e acoli.

Mas 30 anos =75% de 40 anos, então como é que se perdem 65% quando o lógico seria perderem-se apenas 25%? E 55 é mais de 80% de 65 mas isso seria irrelevante já que o que interessa é a carreira contributiva quando de fala do vil metal.

Maravilha das maravilhas, o jornalista do correio da manhã acha que o governo "incentiva o trabalho depois de se atingirem as condições para a reforma" ou seja 55 anos e 30 anos de serviço. E segue dizendo que o incentivo é dar-lhe, como incentivo, os 65% que acabou de ameaçar tirar, se a criatura quisesse ir-se embora. Magnífico. Temos um governo invejável em todo o mundo na genialidade. Nem sei mesmo por que razão ainda não convidaram o Trocas-te e o Teixeira von Heiligen para ir dar uma mãozinha ao banco mundial ou ao FMI. Era bom.
Ou será que estou a ler mal? Estou tão espantada que devo ter-me enganado na leitura. Não pode ser, é demasiado grosseiro para ser verdade.

domingo, maio 13, 2007

Marcelo avaliado: 8 valores

Mariano Gago só com 9?
Eu dar-lhe-ia 16 pelo menos.
Informe-se das razões do ministro, são muitas as que transparecem aqui e ali de uma autonomia entendida durante demasiado tempo como auto-gestão descarada sobretudo no ensino politécnico, onde há "Jardins" (mais silenciosos mas em maior número do que se pensa) que têm vindo a fazer das casas que dirigem, até há bem pouco tempo financiadas à larga pelo Estado, a SUA quinta onde imperam à vontade com as suas cliques e cortes.
Hoje o professor esteve mal a avaliar. Eu daria a Marcelo 8 valores.

Eça , Campanha Alegre

«Junho 1871

Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado:

Onze ou quinze homens, sempre os mesmos. alternadamente possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder …O poder não sai de uns certos grupos, como uma péla que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar num rumor de risos.

Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no poder, esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da fazenda, a ruína do País!

Os outros, os que não estão no poder, são, segundo a sua própria opinião e os seus jornais— os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses do País.»

Eça de Queiroz, Uma campanha Alegre (“As Farpas”)


Terminator 4 e pc game: quatro posts liquidados

Estamos assim ultimamente e os 4 posts sobre o terminator 4 foram à vida. Não eram muito originais nem tinham muita graça. Apenas incursões num estilo "we have kaos in the garden" sem as ilustrações .Apenas uma experiência para o lixo. Começo a gostar de eliminar posts, isto é mau ou bom? Não sei bem. A bem da qualidade. Há por aí muito blog que ganharia com uma limpeza aos posts. Há também aqueles que só se salvariam se se procedesse à liquidação do blog inteiro e se começasse de novo.
Os posts brincavam com coisas sérias como uma certa psicologia na figura de um dos seus representantes mais característicos e o mal que tem feito à educação; colocava-se Mariano Gago como possível exterminador implacável com a razia no ensino superior, enfrentando as maquinarias. Mas um e outro merecem outros textos bem melhores. O Vale-te Demos é que estava bem assim num filme qualquer de classe B mas era dar-lhe importância demais. Naquele filme até que ficava bem, aquele personagem só veio liquidar, demolir o que ainda havia de bom no ensino não superior. Figura sem curriculum para além do mestrado da Bosta e um muito suspeito e ridículo 20 no estágio. O filme era, de facto, dar-lhe importância demasiada.
Quanto aos filmezecos propriamente ditos: Terminator 3 já era classe B, embora êxito de bilheteira. Terminator 4 não será melhor: prevejo outra orgia de violência, destruição de automóveis e demolição de edifícios.

quinta-feira, maio 10, 2007

Lisboa: boas cartadas de antecipação

Roseta e Nogueira Pinto: bem, muitíssimo bem! "Qualificação das candidaturas", como disse muito bem a última.
A ver vamos, qual a reacção dos corvos...
Ainda haverá esperança?

terça-feira, maio 08, 2007

Não dito na educação II

Temos mais um não dito na educação, o concurso para professores comendadores demora, e então há quem, muito diligentemente, ache que a escolinha deve resolver o problema ao ministério. Se não houver titulares empossados em Julho, escolhem-se para coordenadores os que se calcula que cheguem a titulares.
Uma classe genial de galináceos, se considerarmos que o cérebro dos galináceos não é muito grande e o respectivo mundo se resume a resolver questões muito práticas, pragmáticas, como gostam de dizer. E eu a pensar que o concurso não saía porque o Vale-te Demos estava para ser demitido. Se esta ideia peregrina e repugnante for geral, então não resta esperança nenhuma com uma classe assim; acho até que há por aí mais aves, mais perus e mais peruas do que se pensa a ansiarem pelo dia da tomada de posse dos poleiros disponíveis (a 1/3) a criar na capoeira.

Antena 1: Maria de Belém e os lugares comuns

Exactamente, é Lisboa, não é uma câmarazinha de fornos de alfobres, é a capital. Retirar a confiança política em situação de fortíssimos indícios de irregularidade grave (pelo menos) é a obrigação ética de qualquer líder partidário decente. Acha que bastará um qualquer levantar a suspeição? Acha que o ministério público anda agora a mando do PS, para abater presidentes de Câmara do PSD? Afinal em que ficamos. Ser presidente de câmara da capital implica que se seja especial, não se pode ser apenas um bom técnico e pensar-se que se é chico esperto a gerir manobras e descalabros financeiros. Não achará que por crime ou por inépcia o Carmona não tinha mais condições de continuar à frente daquele município? É giro tudo isto. Mas é assim mesmo como diz, o país ficava sem governo local, mas o país não pode deixar-se governar por associações de bandidos só para evitar que não seja governado por ninguém. Acha mesmo que não há pessoas honestas? Ou acha que as pessoas honestas não têm as contas em dia e qualquer um pode chegar e dizer aqui d'el rei que estão a roubar na câmara...
O pior é que estão mesmo. POR TODO O LADO. O que acho que se poderia fazer deixei no post sobre Lisboa .

segunda-feira, maio 07, 2007

Allgarve e a competência policial

Felizmente, hoje, a confirmação de que a Interpol está também a trabalhar no caso da criança desaparecida. Um alívio. Espero que não tenha sido tarde demais. São muitas horas já.

domingo, maio 06, 2007

Questões de género no dia da mãe

Apesar de tudo é ainda a blogoesfera o espaço onde cada um, mulher ou homem, pode dizer. Dizer. Não interessa o quê. Mas as mulheres aí não têm que esperar pelo que pensa o marido. Elas dizem.
Normalmente não há sensibilidade disseminada para as questões de género. As mulheres normalmente são as últimas a fazer a estatística de género de uma sala de reuniões. Sobretudo as da geração da revolução, habituaram-se a ver o mundo por uma lente ideológica em que há pessoas antes de haver homens ou mulheres, e nem reparam no que entra pelos olhos dentro a passo e força de retro-escavadora: as manchas de fatos negros em todo o lado, por todo o lado neste país que se diz europeu. Por exemplo, a reunião das entidades não sei de quê do Oeste, em defesa da Ota e lá estavam eles, todos de gravata, todos dizendo coisas, decidindo coisas. Não é assim nos bancos das universidades, não é assim nos bancos das escolas secundárias: elas são escolarmente melhores que eles, e por isso também não é assim na função pública dos serviços de educação e saúde onde o acesso se faz por concurso documental: no entanto, nas estruturas de decisão lá estão ELES.
Eles tomam a palavra antes delas, eles não a largam tão cedo, mesmo que o que digam seja palha, seja pouco, seja nada. E eles são os primeiros a fazer a estatística, a lembrar a pertença de género quando se sentem em minoria e aí cheios de humor do mais original, dizem cá estou eu entre as mulheres e falam também eles em primeiro, eles em último, eles durante. E o tempo infinito que se perde com a retórica deles é acabrunhante.
Não, infelizmente, não sou feminista, digo infelizmente porque assim, como penso, estou sozinha, mas prefiro assim, a omitir parte do que penso. Já explico porquê. Não posso deixar de achar que elas fazem frequentemente um óptimo negócio. Eles que tenham as chatices, elas ficam sempre com a casa e a pensão de alimentos, para quê ainda estarem-se a preocupar muito com isto de, em todo o lado, serem eles a tomar todas as decisões, e as deixem em casa a tomar conta da prole e a ver a telenovela? E elas são melhores tecnicamente em muitas áreas, no entanto, são eles que apanham os lugares de decisão. Oh, pensam elas, venha o salariozinho de decisor para casa, e está-se bem. Eles tomam ainda conta do IRS e afins. Elas preferem não ser muito visíveis, até porque eles são tanto mais rudes quanto mais visíveis elas forem e lembrar-lhes-ão, mais cedo ou mais tarde, que são reles mulheres. Aconteceu com Manuela Ferreira Leite, com Lurdes Rodrigues, para citar alguns exemplos. Sobretudo com a última, não a vou defender, mas não gostei de algumas formas claramente sexistas com que foi atacada .
É isto que penso e por isso, acho que seria expulsa mais cedo ou mais tarde, como blasfema, de qualquer organização feminista.
Mas não deixo de pensar também que este estado de coisas tem consequências graves para o país. É que eles , coitados, são assim, e decidem 10 estádios para o país, pois atão...e agora a OTA pois atão... e faz-se tarde para ver a bola, meus senhores vai falar o Senhor Ministro de .... e o Sr Presidente de... e o Senhor Vereador de... o Senhor Presidente do Conselho de Administração de ......... e depois vamos todos ver a bola. E vão para casa pensando: e que bons que nós somos, que bem que eu falei, está no papo, agora é irreversível, somos mesmo bons nisto.
Talvez a blogoesfera ajude a combater este estado de coisas pois aí elas estão muito presentes e activas e talvez lhes venha o gosto pela visibilidade. É que aí podem calar os insultos à velocidade de um simples click.
Disse.

sábado, maio 05, 2007

LISBOA, empresas municipais e a "paisagem"

Há por lá diamantes de facto, é só vê-los, os corvos, a chegar. Eu queria rir à gargalhada como o Trocas-te no contra informação mas não consigo, não acho gracinha nenhuma, e empresas municipais há-as por todo o lado. Claro que Lisboa é a grande cloaca dos euros à fartazana mas por todo o lado é o mesmo, gente a enriquecer à custa da corrupção, do dinheiro dos contribuintes e do tráfego de influências, todos na boa, ou são todos anjinhos? É só Lisboa, Felgueiras, Oeiras e os outros conhecidos? Na paisagem restante só há gente de bem nas câmaras e empresas adjacentes?
A autonomia que todos prezam, a autonomia com dinheirinho dos contribuintes, é essa a mãe de todos os males. A promiscuidade entre câmaras e interesses imobiliários é filha dessa autonomia entendida como auto-gestão, rebaldaria. NÃO PODE CONTINUAR ASSIM, as pessoas são pessoas, não mudarão tão cedo, são corruptas ou corruptíveis, salvo excepções demasiado poucas. OS SISTEMAS é que se têm que mudar.
O tribunal de contas tem que ter um protagonismo muitíssimo maior e tem que se garantir que qualquer irregularidade é imediatamente detectada, e corrigida e o tribunal não tem essa capacidade, tem que ter outra instituição como braço forte. O ministério público investiga, não demite ninguém. Os responsáveis devem ser obrigatória e preventivamente demitidos e, após prova de dolo em tribunal, penalizados nas suas contas pessoais.
Como se faz? Sem dotação ao tribunal de contas, dificilmente; sem se garantir que o tribunal de contas é independente dos partidos, também muito dificilmente, sem uma instituição que execute compulsivamente as determinações do Tribunal, muitíssimo dificilmente.



Disclaimer ( não tenho tempo para responder nos tribunais sumários do regime do regime facho- socialista. Tenho medo pois)
Tudo isto que acima escrevi, claro, me quer parecer no meu mundo ficcionado, não quer dizer que se refira a Portugal. Nem mesmo se confirma que o dono do IP se reveja neste conteúdo. Estamos no domínio da literatura, único lugar onde podemos ainda ter liberdade de expressão de opinião quanto a figuras públicas no poder.