sábado, fevereiro 03, 2007

Contas, cartazes e penas

Seria bom que o tribunal de Contas fosse isso mesmo para que foi criado, que a sua lupa se aplicasse um pouco por todo o lado onde haja situações duvidosas. O reizinho lá da ilha sempre fez o que lhe apeteceu e parece determinado a continuar. Claro que para a indulgência concorre o facto de ser um pândego... a ideia que faz da independência dos orgãos de soberania é interessantíssima, algo parecido com "que cada um roube quanto puder e deixe os outros roubar em paz" * ... tudo o que seja indagar é inaceitável interferência nos negócios alheios. Tudo isto dito daquela maneira de opereta é cartaz eficientíssimo para pôr o Pinho no esquecimento...
Embora divertidíssimas, as palhaçadas do Jardim não chegam para nos esquecermos da melhor da semana, que os militantes do Não afinal são, para além de santos e puros, magnânimos também, perdoando às "assassinas" desde que confessem e reconheçam que o são... embora alguns não dispensem as confessas criminosas de um servicinho cívico... talvez com um emblema na barriga, para exemplo, que tal a ideia caridosa, Dr Bagão Felicíssimo?
Que tal, dr Jardim, se as verbas que vão para o jornaleco fossem utilizadas para reduzir a pobreza numa das regiões portuguesas com indicadores mais altos de exclusão social ?
Que tal se o dinheirinho dos cartazes e do marketing profissional do Não fosse usado para apoio às futuras mães em dificuldades? Já agora, o do Sim fazia também muito jeito. Este gasto no referendo é inútil, dinheiro ao charco! Os senhores deputados quando há que legislar em questões difíceis devolvem ao mítico POVO a bola. Para se não sentirem obrigados a nada. E aí entendem-se todos muito bem...
Senhores deputados, que tal aprovarem uma lei decente de redução de impostos/atribuição de subsídios , uma lei de protecção DE FACTO à maternidade/paternidade à semelhança da França? Será que nesta matéria se entendem todos e vão dizer que Não?
O cantinho e seus apêndices no seu melhor... mais ou menos sim, mais ou menos não...

*Nota: Claro que Jardim não disse isso , mas a indignação com que falou aos jornalistas sobre a inaceitável ingerência do Tribunal de Contas na forma como são atribuídas verbas públicas do "seu" governo regional tinha toda a sonoridade de quem acha que a lei se não lhe aplica e de quem considera que pode fazer do dinheiro dos contribuintes o que lhe apetece...Mas atribuir verbas do governo a um jornal privado que contribui para o eternizar num cargo ao qual se acede por eleições é roubar descaradamente, Sr. Dr!!!!!!!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Teixeira dos Santos, a China e a calçadeira

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fonte: www.bigcatrescue.org/.../tigerChinaDollLake.jpg

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Cada qual vende o que pode. Já que o calçado também já foi, é melhor pensar agora na venda dos acessórios... O pior é que o entusiasmo do cliente não parece grande, dá ideia até que já fabricam o produto há muito tempo ... será?

Má-fé e falta de inteligência

Diz ele, o Pinho, e que queria dizer outra coisa que não explicou. Genial, de facto, o nosso ministro da economia, a gafe da mão-de-obra barata (para durar) como vantagem competitiva de um país do espaço euro, mais o comentário aos comentários, insultando as pessoas, ficam na sua antologia pessoal que já vai tendo alguma dimensão...
São (calculo eu) à volta de 80 os senhores (senhoras não vi muitas, é esmagadora a mancha dos fatos negros e cinzentos, mas talvez por isso não seja possível vê-las) viajando à custa do contribuinte . Alguns mesmo com responsabilidades, digamos assim, elevadas, claramente não se deram ao trabalho de preparar condignamente a viagem, e tendo alguns descoberto in loco (fez-se luz nalguns espíritos ... mas só depois de terem visto as avenidas de Pequim e Xangai...) que afinal a galinha dos ovos de ouro está a leste, com a euforia da descoberta brilhante improvisaram alegremente pondo a descoberto a superficialidade dos seus conhecimentos sobre a economia global que gostam tanto de mencionar nos seus discursos... Pequenos e ridículos...
É lamentável: era, apesar de tudo, uma visita de Estado, ou não? Seria apenas mais um safari?
Enfim, o cantinho no seu melhor, em viagem de reedição das descobertas, o que nos safa é que ninguém nos leva muito a sério...

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Que mais amanhã?

O pequeno almoço dos Portugueses corre o risco de ser polvilhado, durante uma semana, de canela de disparates que os ministros por lá vão dizendo, eles e os empresários peludos que pelos vistos acham que os chineses nunca viram um macaco.
Já tinhamos todos percebido que o governo não tem modelo a não ser aquele que os dragões se preparam para ultrapassar: o das exportações baseadas nos baixos salários. Boa!
Mas amanhã há mais, que neste momento, estão eles, ministros e empresários já todos de duche tomado que por lá trabalha-se cedo, e, quando acordarmos nós ,já eles tiveram oportunidades de sobra para dizerem coisas, de forma que ao pequeno almoço já está tudo prontinho nas rádios.
Isto até que é giro, visto de fora, claro está!

quinta-feira, janeiro 25, 2007

O debate da nação

O referendo à legalização do aborto? Não. A questão dos pais biológicos versus adoptivos, isso sim.
Na quadratura, Pacheco Pereira defendendo o prole-tariado e a sua visão do Direito e da Justiça à boa maneira do MRPP por redução ao absurdo e Jorge Coelho vertendo lágrimas, com o coração nas mãos. Assisti a cerca de 15min e chegou.
Nascida sob o signo da desgraça na terra do mais ou menos, desejo também o melhor à criança enquanto espera por Salomão...
A minha previsão para o referendo: mais ou menos sim, mais ou menos não.

A beleza e o rigor

A perfeição na execução técnica do espectáculo visto no video postado ontem: que saudade daquela impressão que tínhamos de que cultura europeia significava também cultura de exigência. Infelizmente a Europa vai também progressivamente abortalhando a qualidade. Honrosas excepções existem como a de Jerome Murat.
Como pode ser bela alguma vez uma obra executada às três pancadas? Como pode ser arte?Como pode funcionar um protótipo feito à pressa para chegar ao mercado antes da concorrência? Que beleza terá um space shattle muito aerodinâmico com escamas de peixe a soltarem-se pelo espaço???
Os gatinhos fedorentos fedem, de facto, quando executam como amadores quadros baseados, nalguns casos, em boas ideias. Fracos, muito fracos, na encenação e a RTP nem se preocupa em exigir-lhes qualidade ou pagar a quem sabe para os encenar. É pena e é sintomático da atmosfera geral que resulta do triunfo por todo o lado da mais inconsciente e despudorada mediocridade.
Porque será que este vídeo de Jerome Murat corre o mundo espontaneamente e em cadeia? E não tem "gajas nuas"!

terça-feira, janeiro 23, 2007

domingo, janeiro 21, 2007

Multatuli_ideia 11: proposta de tradução

"Para desenhar um objecto não é suficiente conhecer o contorno, côr e sombra desse objecto, é preciso poder transmitir tudo isso. Para expressar um pensamento, este tem que se tornar um quadro, isto é: um quadro pensado(denkbeeld). Tem que se aprender a desenhar um quadro assim.

Nota: Denkbeeld é uma palavra amorosa, e uma das muitas pelas quais transparece a beleza da nossa língua. A palavra grega-latina-francesa ideia apresenta-se pobre uma vez que o conceito de pensar não está nela representado. É pena que tão frequentemente a consciência do verdadeiro significado de uma palavra seja embotada pelo uso diário. A sábia utilização de uma língua como a nossa conduz frequentemente a observações surpreendentes. Precisamente por isso é tão deplorável que se tenha esmagado(*) o estudo da língua até (ser apenas) coadoro de niquices**."

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* Tanto quanto me é dado saber, "omknoeien" tem um sentido múltiplo: é apertar, amalgamar, enlear, confundir, fazer trabalho trapalhão; não me lembro, infelizmente, de palavra que diga tudo isto em Português.
**Não foi fácil, também, encontrar melhor tradução para "letterzifterij". Tradução literal de "letterziften": coar letras.
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Estão a ver já como esta ideia 11 e a respectiva nota se relacionam com a TLEBS.
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sábado, janeiro 20, 2007

Confiança nas Instituições XVII

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Milagres?: talvez um dia eles se cansem de esperar pela ETAR e bem estar correspondente...
Ver post de de 18/01/06 e anteriores
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sexta-feira, janeiro 19, 2007

Multatuli 3 :denkbeeld

Idee 11
Om een voorwerp te tekenen is 't niet genoeg omtrek, kleur en schaduw van dat voorwerp te kennen, men moet dat alles kunnen weergeven.
Om een gedachte uit te drukken, moet die geworden zyn tot beeld, dat is: tot denkbeeld. Zo'n beeld moet men leren tekenen.


NOOT
Denkbeeld is een lief woord, en een der vele waaruit de schoonheid onzer taal blykt. Het Grieks-Latyns-Franse idee is er arm by, omdat daarin 't begrip: denken niet vertegenwoordigd wordt. 't Is jammer dat zo vaak het besef der ware betekenis van 'n woord verstompt door dagelyks gebruik. De wysgerige behandeling ener taal als de onze, leidt dikwyls tot verrassende opmerkingen. Juist daarom is het zo betreurenswaardig, dat men taalstudie heeft omgeknoeid tot letterziftery.
(1870)


Fonte: UVA

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Não percebem? Bom, para a gaiatada miúda, a TLEBS deve produzir a mesma sensação. Mas garanto eu que esta ideia de Multatuli com a TLEBS se relaciona. Traduzirei numa outra oportunidade.

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