segunda-feira, novembro 20, 2006

Animais de estimação III : a banca

Pros e contras: a banca






Nós somos muitos peixinhos, não há só um no mercado, há concorrência entre nós, até há peixões estrangeiros maiores do que nós a operar no nosso rio, a culpa não é nossa se alguém sai sem um pé ou dois; são incautos , não leram os avisos, quem lhes manda ter a mania de que podem chapinhar alegremente no rio? Há mesmo quem mergulhe até ao pescoço!!! É culpa nossa se engordarmos? É a nossa natureza e temos uma função ambiental importante, limpamos o rio fazemos muita agitação na água, oxigenamo-la. Legislem, a gente depois vê o que faz! E isso de trabalharmos com as moreias é falso, é uma falácia, nós nunca saímos daqui, as moreias estão lá no mar, nós nunca nos aventuramos a lá ir! Nem sabem como sofremos todos os três meses com os biológos a estudarem-nos ao pormenor e já viram como há piranhas noutros rios que se enchem muito mais que nós? Já temos algumas piranhas a dizer que vão emigrar. Uma coisa é certa: não há piranhas sem dentes, não sobrevivem! Os banhistas que escolham, vejam por aí , deve haver alguns rios com piranhas de dentes menos pontiagudos. Informem-se!

sexta-feira, novembro 17, 2006

Política económica contraccionista

Inspirada na entrevista de Cavaco e vendo o estilo já consolidado de governação de Sócrates concluo:
Estas políticas procíclicas quando aplicadas sem um modelo subjacente sólido e claro de crescimento são apenas depressivas e deprimentes.
Quando os senhores que as promovem apenas esmagam o mais fraco dando-se a pose de grandes reformistas, apenas conseguem desmotivar, baixar o astral, irritar e revoltar todos os potenciais visados.
Quando aplicadas sob o lema "dividir para reinar" são apenas anti sociais, próprias de pessoas de má índole e apenas aumentam o nível de conflitualidade nas relações sociais, na empresa, na repartição e na rua.
Quando são aplicadas a eito e de forma obscura, sem pacto de regime com os cidadãos - o único pacto que se vislumbra existirá sob a batuta do PR entre os dois partidos que conduziram o país ao ponto em que está, não sendo portanto um pacto social - então a questão da legitimidade prefigura-se.
Quando são aplicadas sem critérios transparentes, apenas suportadas pela maioria parlamentar acrítica (aliás constituída na base de um discurso de campanha muito diferente daquele que fundamenta essas políticas actualmente) a questão da legitimidade pode configurar-se mesmo e portanto a eficácia da propaganda irá progressivamente diminuir.
Nunca passará pela cabeça desses senhores que os modelos bem sucedidos de crescimento passaram por acordos alargados, por pactos sociais?

(enviado ao Público para publicação)

Antena 1: só homens

Quem telefona nestas coisas de comentar entrevistas são sobretudo os machos. Algumas mulheres seria bom que não telefonassem entre a meia de leite e o almocinho do maridinho para destilarem um pouco mais o ódiozinho e a invejazinha daquilo que, no imaginário delas, são as abébias dos professores, revelando em directo como imaginam também que são as mentes tortuosas dos docentes e o cerne das suas preocupações e acções. Que entrevistas estão a ser comentadas? Da ministra sobre a greve dos alunos?
Não, as entrevistas que estão a ser discutidas são as de Santana e Cavaco. Não importa, no imaginário dessas pessoas é cristalinamente claro que os profs estão por trás da greve dos alunos e arranjam ainda tempo para conspirarem com o objectivo de conseguir que Cavaco e Sócrates deixem de ser amigos.
Concordo com a ouvinte : acho até que os professores também têm culpa de haver pessoas que telefonam a dizer aquelas coisas. São também eles os culpados da existência de um fenómeno chamado Santana.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Multatuli 1 : as virtudes da democracia

Idee 7
"Dit stelsel leidt dus niet zozeer tot waarheid, als tot rust. Doch slechts voor 't ogenblik, en palliatief. Want de leden der minderheid hebben meestal 't recht vóór zich, en zyn sterker, niet zo zeer uit besef van dat recht, als door meer geslotenheid en scherper prikkel tot inspanning. Wanneer de minderheid aangroeit tot meerderheid, verliest ze aan specifieke waarde wat ze wint in uitbreiding of aantal. Ze neemt al de fouten over van de verslagen tegenstanders die, op hun beurt weer, deugd scheppen uit nederlaag.
De slotsom is treurig."

Fonte: http://cf.hum.uva.nl/dsp/ljc/multatuli/ideen/js/idee0007.htm

Proposta de tradução:

“A decisão por maioria de votos é o direito do mais forte na sua forma amigável. Significa: se combatermos, nós ganharemos…omitamos o combate.
Este sistema conduz assim não tanto à verdade como à paz. No entanto, apenas momentânea e paliativamente. Pois os membros da minoria têm geralmente a razão por si e são mais fortes, não tanto pela consciência dessa razão como pelo maior fechamento e pelo estímulo mais agudo para o esforço. Quando a minoria cresce até ser maioria perde em valor específico o que ganha em expansão ou em número. Ela toma para si todos os defeitos dos opositores vencidos que, por sua vez e de novo, criam virtude a partir da derrota.
O resultado da soma
(deste processo) é triste.”

terça-feira, novembro 14, 2006

Orçamento: tesouras, rosas e motoserras

Esta dá, apesar de ser muito delicada


Fonte: celebrate.com.br

Uma tesoura de peixe também serviria mas esta invenção tripla é melhor...


Fonte: raven


No entanto, para o efeito desejado pelo diligente governo do país no abate do monstro, é de escolher esta, sem margens para dúvidas até porque é bem mais "tecnológica":


Fonte : cantinho dos bixitus

sábado, novembro 11, 2006

Uma reflexão, uma decisão e uma declaração de intenções

1. O congresso do PS: temo que termine com um uníssono "YES, PRIME MINISTER" com música de fundo a condizer...

2. O Abrupto, embora nos top 5 do blogómetro, ainda tem à frente os blogs da mulher nua e afins. Por isso há que ir ao blog de Pacheco Pereira mais vezes por dia.

3. Este blog anda fraco de audiência, um dia paro com isto e faço um doutoramento desses que por aí pululam, para melhorar perspectivas na carreirinha...

sexta-feira, novembro 10, 2006

E o Estado parou?

Somos assim, a tibieza, o medo e a pequenez está-nos no sangue... Hoje, agora, a oportunidade de mostrar a todos que o Estado é necessário... e, no entanto, muitos, diligentemente, comparecem ao servicinho. Alguns, na educação sobretudo, esperando que os blocos estejam fechados com a greve dos funcionários, assim não se trabalha na mesma e não se desconta no salário. Somos assim também. Os mesmos que estão indignados (e com razão) são capazes de assim fazer. E quem manda sabe disto por experiência própria, porque assim também já fez, porque já torneou obstáculos oportunisticamente, podendo agora fazer discursos demagógicos, sem problema, estão também a arranjar maneira de se manterem no poder, não interessa como, não interessa o seu currículo anterior, que interessa isso? A ética já foi... já não é necessária, até porque a ética não é rentável portanto esmaga-se já. A ética há muito foi considerada excedentária por quem dirige o Estado e obviamente o sector privado não está disposto a absorvê-la já que dela não precisa. Honra seja feita, no entanto, aos muitos funcionários que apesar de tudo e muitas vezes prejudicando-se na sua carreira sempre a honraram e aos empresários que ainda a honram, poucos, como imagino, e pouco rentáveis, calculo também, já que têm de competir num ambiente de sacanice e oportunismo desenfreados!

quinta-feira, novembro 09, 2006

Plágio: who cares?

Mereceria um blog este assunto. É edificante assistir ao espectáculo da banalização do plágio em Portugal, primeiro a notícia ribombante, depois a pena leve, afastamento da revistinha, depois nada, e agora um livrinho de novo e qualquer dia está no público ou no sol, navegando de vento em popa. Convidada pela TV, já depois do tal episódio, teve a lata de falar de elites, das cópias da Internet no superior e no secundário e da não valorização da Ciência em Portugal.
Et pour cause

Porque me lembrei agora daquele plágio é simples: é que já anda na ribalta outra vez e isto só vem acrescentar à inutilidade de qualquer cruzada no sentido de preservar a qualidade científica em Portugal. O necessário é fazer currículo com lixo publicado, copiado ou parafraseado sem referência ao autor. Uma pessoa pode distrair-se e não cortar as partes ipsis verbis...as outras parafraseadas podem ficar sem referência ao pensador original, isso agora não interessa nada, coisa sem importância nenhuma...*
Palavras para quê, é uma catedrática portuguesa...

Na época da cultura light, zipped & zapped, WHO CARES?
Garbish to garbish, shit to shit...
farewell old Science... hello junk "science"!
*Estou a parafrasear Clara Pinto Correia, ou aquilo que a imprensa disse que ela disse, à excepção da expressão "isso agora não interessa nada" que, como sabemos, é de Teresa Guilherme

quarta-feira, novembro 08, 2006

Défice, cortes orçamentais, invejas e ódios- who cares?

Folgo em saber que há mais gente que compara este estilo de governar ao do governo nazi. De facto, senhores do governo, vocês deram o tom, infestaram a atmosfera com a filosofia nauseabunda de que o não rentável deve desaparecer, de que não deve sobrecarregar os que "produzem", os "rentáveis". Inquinaram as relações inter profissionais deste país, tornaram mais pequena a gente pequena deste país, fizeram da inveja e do ódio a principal motivação para os apoios de que precisavam e precisam para continuarem a agenda neoliberal agora em voga por toda a Europa!
Os mais velhos , os deficientes, os funcionários de serviços públicos-que não são produtivos pela simples razão de que pertencem aos sectores até agora considerados dos bens não comercializáveis, como são a educação e a saúde - todos eles apontados como os párias, os culpados da situação. Foram vocês, não foi a última coligação governamental PSD/CDS de Santana Lopes, que tentou também, mas não teve tempo. Não, não foram eles, foram vocês! Vocês tentaram convencer o povo empregado no sector privado de que ele "à que era/é produtivo"(1), e que os trabalhadores do sector público eram/são "uns párias, uns chulos", nem mesmo deveriam considerar-se "povo português". Foi isso que disseram, é isso que dizem, foi isso que fizeram/fazem pensar, usando a repetição à la Goebbels: senhores do PS foi isso que fizeram, é isso que fazem!!!!!!!!!!!!!!Entretanto alegremente, os maus gestores da coisa pública, de " institutos" vários por aí, politécnicos sobretudo mas não só, continuam gestores das chafaricas que dirigem, distribuindo cargos aos amigos medíocres -estes agora estão todos de fileiras cerradas, à volta do seu benfeitor, seriam muito bem capazes de suportar os Pol Pot deste mundo, falta-lhes apenas o contexto nacional, que lhes não é ainda favorável, para fazerem desaparecer fisicamente pessoas que os incomodam, tentam no entanto matá-los civilmente, tornando-os redundantes, perseguindo-os até ao despedimento(2). A esses "gestores" chamam-lhes "presidentes" e nada lhes acontece sobretudo se forem do PS ou se fizerem constar que o são, ou se conseguirem convencer o ministro da tutela da excelência da sua gestão e das instituições que dirigem, excelência que não têm nem nunca terão, precisamente porque são incompetentes e abusadores dos cargos que ocupam, promovendo alegremente os piores e desprezando os melhores ou perseguindo-os na mira de deles se livrarem!!!!!!!!!!!!! Que lhes interessa se ao fim de cinco ou dez anos o Estado tiver de pagar indemnizações a essas pessoas cuja vida profissional foi destruída? Não são nunca esses senhores gestores a pagá-las pessoalmente, do seu bolso. As indemnizações saem do mesmo saco : os impostos, e como ninguém sabe, essas coisas ninguém denuncia, os jornalistas só vão farejar coisas picantes, who cares????????


Notas
(1) Quem serão esses "produtivos", o que será rentável , e o que de novo se produz em Portugal é outra história que me não ocupa aqui e nem pensem que aqui vão encontrar algo sobre isso alguma vez , há quem viva e singre copiando as ideias dos outros sem ao menos fazer referência ao plagiado como mera fonte de inspiração!

(2) Estão aqui ausentes siglas de partidos, não significando que considere inocentes os não mencionados. A escola de alguns desses gestores, a cartilha que os formou é muitas vezes a cartilha estalinista, do PCP e de outros, cartilha e prática cuja eficácia e tenacidade na perseguição de quem não "convém" é também conhecida! Ai é? Está a pensar que defendo que acabem os partidinhos e a política? Desengane-se! O que eu acho é que os partidos são apenas mais uma arena mas nunca a única onde as pessoas de bem, com uma coluna vertebral, coerentes com uma ética intrinsecamente humanista podem e devem marcar a sua posição mesmo que tenham que sofrer a claustrofobia do "quadrado" de que falava Alegre quando o deixaram só. A coerência total é o nazismo, não é possível ao ser humano mas não exageremos na cobardia e no chafurdar na lama como estratégia de sobrevivência, não é fácil ser-se santo mas marcar posição encoraja-nos e permite-nos não fugir do espelho de nós e incentiva outros a não esmorecer, a continuar a defender alguns valores universais como única base de sustento possível para a forma de organização social a que chamamos democracia!