sábado, maio 06, 2006

Debate da nação, o Estado Social em risco

Marcou pontos quem menos devia, marcou pontos Pires de Lima, Ana Drago tentou responder mas em tom demasiado doce, aturando ao primeiro um inadmissível paternalismo, a Ana ganharia se fosse contundente para além de sorridente. O que está em questão é uma opção de ética, ou seja, escolhe-se a solidariedade ou rejeita-se, o princípio do mutualismo está na base do Estado social, é esse princípio que está agora em discussão. Não tem nada a ver com isto a liberdade. Se se opta pela solidariedade ou não, a liberdade reside nessa opção, na escolha dos príncipios de governação, vota-se no partido que defende a solidariedade ou vota-se noutro que a não defende, ou que coloca a "liberdade" em primeiro plano, falaciosamente. Essa é a liberdade, a liberdade de escolha pelo voto, depois, santa paciência teremos que aceitar a regra da maioria. É assim em democracia parlamentar. Então por que razão Jorge Coelho, na entrevista desta semana, apresentou "abertura" quanto ao opting out? Em que ficamos? Fiquei assustada, isso sim, o PS tem duas posições quanto a isto? Não lhes é evidente que se isso for permitido com a segurança social será também permitido na saúde e será o fim do Estado Providência em Portugal? Agora, mais que nunca, o orçamento da Segurança Social tem que ser divulgado, temos que o controlar, agora mais que nunca temos o direito de saber o que acontece às nossas contribuições, claro está. Isso devemos fazer, que a festa acabou, há que moralizar, de facto e de vez.Quem paga as reformas dos executivos que descontaram apenas 5 anos de E.P. e seguem com reforma completa? Repito um ideia já aqui defendida: privatizem-se as E.P. e essas reformas que as paguem as empresas que as prometem, retirem-nas na íntegra dos lucros, pois mais não são que redistribuições de lucros pelos amigalhaços, não as vão buscar ao sistema geral!!!!!! Não culpem a demografia para tapar o sol com a peneira, a demografia mostrou finalmente que a festa acabou, é tudo!

sexta-feira, maio 05, 2006

Mais uma descarga, mais uma viagem ou está-se bem no campo...

Está-se bem no campo, na impunidade total, até se provoca descaradamente o poder público, esta semana mais uma descarga na ribeira dos Milagres, sem quaisquer consequências a não ser para o ambiente e para os outros cidadãos. Os porcos dos suinicultores multiplicam-se, pois a minha proposta não tem tido muitos seguidores, ninguém passa sem a febra, em tempo de "gripe das aves"... Eu continuo o meu boicote, franguinho na brasa... Não, não acho que tenha que ser o Estado a construir-lhes a ETAR ou lá o que lhes prometeram os caçadores de votos. Não deviam ter prometido que o dinheiro dos impostos é meu também: na Europa desenvolvida, quem suja, limpa, quem estraga, paga! Calculo mesmo que esses senhores tenham todos os impostos em dia e lucros bem declarados, imagino que serão cidadãos exemplares em tudo o mais menos na higiene dos suínos...
Toca de exigir, mas cumprir o dever mínimo, está quieto...!

PS: o trocadilho de linguagem incluído no segundo período do texto continua a não ser coincidência!

terça-feira, abril 25, 2006

O discurso tão esperado

Ideia interessante, pois claro. Talvez tivesse sido mais eficaz lançá-la no dia da tomada de posse, na grande recepção, avisando previamente os 900 convidados que se fizessem acompanhar de livro de cheques e, consoante a recolha, haveria talvez menos críticas à jantarada em tempo de crise. Hoje, mesmo sem cravo, continua a ser uma boa ideia, espero que resulte, a cruzada contra a exclusão é sempre de aplaudir, mesmo sem flores...

quarta-feira, abril 19, 2006

Acabe-se com a ribeira

Dado que é impossível acabar com os porcos dos suinicultores acabe-se com a ribeira... outra solução é fazerem como eu , há três anos que decidi não comer porco e não foi por me ter convertido ao islão ou à religião judaica, foi por causa da Ribeira dos Milagres, foi por ver que o crime compensa cá no cantinho... faço a minha parte, recuso-me a gastar um tostão com a produção de suas excelências, os mafiosos da suinicultura.
Nota: o trocadilho da primeira frase não é coincidência, perdoem-me os que nunca fizeram descargas (se é que os há...) na ribeira ou noutros sítios não adequados como as fracturas da serra que vão dar aos rios...

sexta-feira, março 24, 2006

domingo, março 19, 2006

Salmos



"Ainda que atravesse vales tenebrosos,
de nenhum mal terei medo
porque Tu estás comigo.
A tua vara e o teu cajado dão-me confiança."

"Em ti está a fonte da vida
e é na tua luz que vemos a luz."

sábado, março 18, 2006

Contradições e desespero

Rede de cuidados continuados, tarde, tarde demais para muitos, mas finalmente alguma esperança dos lados do M. da Saúde, talvez haja um plano de melhoria de um sistema degradado, injusto, desumano. Um sistema hospitalar que permite que os médicos dêem altas criminosas a pessoas em estado agudo (claro, para muitos médicos, um idoso é por definição um demente, não lhes importando as queixas lancinantes de dor, de desconforto e de confusão, portanto, o estado agudo ou convalescente serão eles, deuses-doutores a decidir) não lhes interessando as informações dadas pelo médico que enviou o doente, pela família, pelos tripulantes das ambulâncias, fazendo tábua rasa de tudo isso, emitindo juízos na área que não lhes compete, a área social, julgando os familiares sem quaisquer dados para isso, não acreditando nas informações fundamentais fornecidas pela família ou acompanhantes quando o doente se encontra confuso ou apático, usando, para justificar as altas, as próprias respostas agitadas, automáticas ou resignadas do doente que acabaram de apelidar de demente senil (mesmo quando o acompanhante do paciente lhes explica que este, dois dias antes, dirigia pessoas no lugar onde ainda trabalhava uma vez por semana como técnico, ou seja, a meu ver, demência senil fulminante talvez fosse para um médico consciente e diligente motivo para investigação mais profunda)... errando despreocupadamente e, dada a impunidade, poderei dizer descaradamente nos diagnósticos na área que lhes compete, apenas com o objectivo básico e baixo de se verem livres de mais um "idoso"...mandando-o para a família sem qualquer apoio médico continuado, com medicação oral quando o doente já recusa todo o alimento. Como levar casos assim a tribunal, se o paciente tem mais de oitenta anos? Quem poderá ganhar um caso destes? Que argumentos em tribunal contra os médicos se ao mesmo tempo eles conseguirem também que as autópsias sejam "brancas"? Resta a impunidade total dos déspotas a quem deram o poder de julgar e aplicar a pena: às vezes a pena capital. Irreversibilidade de um lado, impunidade total no outro... todos os dias, quantos matam, reles vermes que fizeram um juramento que estará apodrecendo algures, tal como as suas almas?