domingo, fevereiro 26, 2006

sábado, fevereiro 18, 2006

liberdade de expressão

Para que não haja dúvidas, declaro que tenho plena consciência de que, se estivesse na maioria dos países árabes (*), estaria sempre com receio de que me viessem tirar o computador, de cada vez que batessem à porta, porque, sendo mulher, ousei escrever, ousei pensar... sem licença expressa do marido e do Estado Religioso. Aqui, no cantinho, ainda não é assim, espero eu... deixa postar isto depressa, não venham eles ou outros que convivem mal com a liberdade de espressão (ele há muitos...) e me mandem pôr as mãos no ar e sobretudo não tocar mais no teclado nem com um dedinho...

(*) Infelizmente, não me lembro, talvez por ignorância minha, de nenhum onde assim não seja.

Filão tubarões ou fileira?

E agora mais um tubarão na TV, terá sido porque o Belmiro ainda não aceitou lá ir? Esta semana um tubarão mais foi entrevistado, currículo impecável, de olhão: calculo que se tivesse dado muitíssimo bem na África do Sul do Apartheid, entre as roças e as minas de ouro, vendendo aos donos dos escravos das minas os legumes que comprava aos donos dos escravos das roças...ficámos a saber que os escravos das minas pelo menos comiam legumes graças ao nosso conterrâneo. Bem! Muitíssimo bem! De entre os nossos self made men este deve ter o melhor e o mais impecável currículo, um currículo assim só tem mesmo quem nasceu com muito jeitinho para o negócio....
E mais não digo, foi só um desabafo...

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

"Gostei, pois claro"

Pois, também, impulsivamente talvez, aplaudi a operação, inesperada, ribombante, dramática, orgulhosa, deixando desconfortavelmente debaixo dos holofotes alguns dos tais gestores "excelentes" muitíssimo bem pagos (calculo eu, claro, até pode ser que não...coitados) instalados nos lugarzinhos com "bons resultados de gestão" assegurados por todos nós, pelo menos os "nós", de nós, que pagam impostos e pagam contas e não sabem roubar sinal, resultados garantidos à sombra da nossa continha mensal, com monstrinho, pois claro, amparados também pelo OGE, se for necessário cobrir um ou outro "buraquito". Quanto ao buraco, dá que pensar... Como é que foi? Terá sido por aqueles (ou outros antes deles) terem encaixado nos bolsinhos (sob a forma de pensões douradas, por exemplo) os lucros futuros? quem saberá... Enfim, não temos dados para afirmar nada mas irrita muito saber que aquela possibilidade existe, sobretudo porque uma vez ali instalados não terão que prestar contas a ninguém pois as nomeações são, antes de mais, contratos de vassalagem política com quem lá os pôs ... pois, claro, há o relatório anual, esse tem que se fazer... claro...só pessoas muito mal intencionadas podem ter destas desconfianças... De qualquer modo, quanto àquelas hipotéticas manobras (que, insisto, podem ser mesmo meramente hipotéticas) temos agora a certeza de que ficarão bem mais dificultadas uma vez que, de repente, todos querem saber mais sobre a tal empresa... Entretanto, haverá outras empresas parecidas que, pelo sim pelo não, estarão já a pôr trancas à porta, antecipando ou adiando manobras... é pena, mas só um Gates as comprava todas de uma vez...
Gostei, pois claro que gostei!
Gostei... e no entanto... (lá vem o velho do Restelo que há sempre em nós) talvez estejamos a assistir a algo que não será muito mais do que podemos ver num episódio de um dos dois (ou três) canais televisivos do cabo dedicados à Natureza e que têm uma inexplicável predilecção pelos predadores e pelas máquinas de guerra. Pode ser apenas mais um episódio sobre a agressividade entre tubarões de espécies diferentes , meras questões de territorialidade. De qualquer modo, interessante...
Menos interessante talvez tem sido ver jornalistas, economistas e comentadores bajulando o rei do oceano. Fazem lembrar aqueles peixinhos que estão sempre agarradinhos às costas dos tais grandes predadores de dentição invejável (e ninguém negará a estes essa qualidade). Pensam os tais peixinhos e alguns dizem mesmo: "O que estará ele a pensar? Será que se vai fartar das nossas ventosas? Mas ele tem que compreender, o outro assunto dos desenhos está a esgotar, apesar das novas fotografias publicadas, o pessoal está a ficar enjoado do assunto, como está a ficar farto de ouvir dizer mal dos professores e dos funcionários públicos e a cerimónia de rendição (em Belém, claro, ...) é só lá para Março, temos que aproveitar o filãozinho da finança rocambolesca, é o nosso trabalho, os outros fazem e nós comentamos (e analisamos cientificamente, no caso dos economistas, claro), é disto que vivemos, é a nossa natureza, é o nosso dever"....
Enfim, a vida no mar no seu melhor...
Pois, eles.... e nós ( os outros?)... compramos acções do homem, pelo sim pelo não...compramos também mais da tal empresa, nunca se sabe... ou vendemos. A vender, se calhar é agora a altura... a quem? ... ao homem, pois claro!
Aliás, diga-se em abono da justiça e da auto-estima portuguesa: nós somos, de facto, bons a ver a coisa, quando nos cheira a dinheirinho fácil (e ainda há quem duvide do nosso jeito para o negócio). Como não sabíamos bem qual o nosso papel e opinião (problema que nos acontece recorrentemente) em relação à recente (ia dizer escaramuça mas tem uma sonoridade duvidosa, terei que ver primeiro de onde vem esta palavra, não vá ofender alguém) , repetindo , em relação à recente polémica dos desenhinhos, descobrimos pelo menos um papel bem pragmático e moderado. Uma vez mais, e à semelhança do que fizemos noutras situações críticas, vamos servir à mesa: vamos oferecer férias seguras aos dinamarqueses, já que temos pelo menos o selo de bom comportamento passado pelo Irão... temos, de facto, vocação hoteleira, estou-me a lembrar do tal cafèzinho dos aliados nos Açores, pois é, servir à mesa está-nos no sangue... talvez até seja uma vocação afinal muito elevada ( não se ofenda quem tem mesmo que o fazer de profissão, com ou sem vocação, claro que estamos a falar em sentido figurado, arre que está a ficar difícil usar a liberdade de expressão) vocação muito elevada, dizia, de algum modo relacionada com a paz mundial, como aliás tão doutamente soubemos fazer no último conflito mundial. Que diabo ( não se ofendam, é uma força de expressão, nada tem aqui a ver com religião) se todos se encontrarem no casino, o dinheiro e o jogo também fazem esquecer desavenças...sobretudo se todos ganharem, claro (e já agora nós também)...
É assim que se sobrevive neste cantinho dos espertinhos... No entanto, pensamos: bem, não somos todos assim, eu não, tu também não, aquele talvez..aquele, de certeza.
Será que nós não?...pois ...oh , dizemos : sabes que mais? é melhor ouvir anedotas estúpidas, a vida é difícil, e isto de pensar ...faz mal à saúde!
E assim evoluímos, com soluções adaptativas notáveis na argumentação, sobretudo quando é a nossa própria consciência que nos pede contas, algo aliás que nos está a acontecer cada vez menos ...
Para concluir e para não recair na depressão, pois comecei tão bem, parece-me, assim de repente, que pode haver um efeito colateral interessante na tal operação de que estava a falar acima e que me levou a escrever este texto: é que é bem capaz de vir a sair mais cara à Castela a aquisição (pública ou não) do cantinho de que falamos... e vá-se lá saber porquê , também gostei dessa ideia...

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Deprimente?

Recém chegada à blogoesfera ou lá como lhe chamam, navegando até aos bloguezinhos anunciados na televisão e lendo os comentários... Actividade deprimente? Talvez não, achei interessante verificar como o que se passa "lá fora" ainda nos seduz. Deve ser bom sinal.
Não deixei comentário em nenhum dos tais blogues, sobre o tema da moda, os desenhinhos (não ponho a outra palavra, por receio de ser visitada, é cedo ainda...escrevo na web sem saber porquê, tal como muitos outros, talvez por um sebastianismo de mim, de nós, enfim, não interessa, por ora evitarei as palavras chave da moda).
Mas o que assusta um pouco é o tom dos comentários, muitos , demasiados , o mesmo tom de alguns iluminados comentadores da praça, é melhor não pôr os nomes, vou pôr as iniciais :N.R., L.D, por exemplo, e outros génios... o tom de quem acha que interpretou toda a dimensão da complexidade da questão e que ninguém mais está a ver a coisa... enfim... Claro que todos o fazemos, uma certa geração habituada à contundência do debate nos plenários estudantis, que passou por plenários de empresa, comissões várias, nunca lhe perdeu o jeito...e estamos assim, muito obsoletos por dentro muitos ajustadinhos por fora , com bons empregozitos, carrinhos bons, vidinhas razoáveis, a espaços com a fúria de sabermos que todos atraiçoámos algures os nossos princípios e ideais (aqui incluo a direita e a esquerda, não acho que só a esquerda tenha princípios genuínos, não acho que a direita seja por definição cínica e a esquerda seja o refúgio dos melhores princípios da humanidade, não hoje, não agora) e apontamos o dedinho a todos os outros ... somos assim, e desde que o saldo negativo se instalou no imaginário colectivo, tem sido demais, a inveja à solta nas casas e nas ruas, o ódio contido a derramar-se sobre o vizinho igual a nós, diferente num privilégio ou noutro e tão semelhante na pequenez, o vizinho "outro" diferente, tão pequeno agora, tão humilhado e talvez por isso, tão arrogante que tem a veleidade de querer ter o exclusivo da interpretação do divino. O medo a passar por todos nós, "eles" e "nós", fundidos num nós igualmente arrogante que se constrói na rua, nos media... Talvez um dia todos voltemos aos livritos que deixámos de ler, talvez um dia a História volte a ser a ciência que era em ambos os lados... enfim... o tema da moda, vai esquecer-se daqui a uns dias... carrinhos ou edifícios a arder nos monitores não nos espantam, não nos incomodam, é cena obrigatória em todos os filmes de acção ... é cena diária, repetida no médio oriente, ora agora mato eu, ora agora matas tu... o medo em ambos os lados, a miséria só num...mas isso não nos incomoda também...
E já agora, deste lado a possibilidade da miséria nos tocar, não é cenário impossível, medo disso também, o medo que nos faz dizer disparates por motivos diplomáticos para amainar os ventos... ventos criados por este sistema económico magnífico na distribuição do rendimento, da dignidade e da vida, que sobrevive embora absurdo por absoluta falta de outro (melhor?) e que sobrevive precisamente por que se casou na devida altura com a noção de liberdade de que não largamos mão por nos ser intrínseco: talvez em parte, o divino em nós todos ...neles também e sabem-no bem, por isso a experiência de tudo isto é tão absurda, tão dura, tão solitária e tão violenta de uma forma ou de outra e em medidas várias em todos nós!...

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

O país mais deprimido da Europa

O país deprimido, o mais deprimido da Europa, dizem, segundo inquéritos recentes. Mais um inquérito desses que por aí abundam e que mui doutamente comparam o incomparável... Mas não é essa a questão. Será que estamos ou será que somos deprimidos? Em qualquer dos casos eu estou e desde Março passado que nem um desabafozinho aqui fiz, nem que fosse para abrir o bloguezinho que apenas criei por pensar que tinha que criar um para existir. Ele continuou sozinho à espera de conteúdo e achei interessante ainda persistir hoje, apesar de vazio. Assim resolvi dar-lhe umas palavrinhas de apoio. Deprimidos nós todos? Nós? Nós ... o que significará este nós? Aqui um cantinho bem delimitado por quase 900 anos de História, pois... mas o que são 900 anos, na China a unidade para o tempo (entre outras variáveis...) é 10 000 , por isso é ridículo arvorar com esse número para nos definirmos...e muito mais para nos desdeprimirmos. É, de facto, um cantinho que nos habituámos a ver como o nosso cantinho e que, nas nossas intermitentes euforias e depressões, vemos alternadamente como o mais belo lugar do mundo ou o pior dos mundos possíveis. Será também isto o nós? Pois não sei , assim abro o blog para dar o tom dos desabafos, ou o contexto deles ...